Ações do Ibovespa têm recomendação elevada por banco gringo; Selic a 11,25% é gatilho

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O Bank of America (BofA) elevou sua recomendação para as ações brasileiras, segundo relatório distribuído nesta terça-feira (8) à imprensa, apoiado principalmente na expectativa de um ciclo mais profundo de cortes de juros no país.O banco passou o Brasil de marketweight (posição neutra, em linha com o peso de referência) para overweight (posição acima do peso de referência), deixando para trás uma postura mais cautelosa que vinha sendo mantida desde junho.O principal gatilho está na Selic. O BofA agora espera que a taxa básica de juros recue para 11,25% ao fim de 2027, ante projeção anterior de 12,75%. Segundo o banco, esse nível também está abaixo dos cerca de 14% atualmente precificados pelo mercado.“A desaceleração da atividade e os menores riscos de inflação podem permitir um ciclo mais profundo de flexibilização monetária”, afirma o relatório.Leia tambémVale a pena travar juro da renda fixa agora? IPCA desta sexta vira teste de fogoPrévia de agosto trouxe deflação e reacendeu a aposta em juros menores, mas economistas divergem sobre alongar prazos ou preservar liquidez; errar a mão pode custar até 5% dependendo do papelEleições se sobrepõem ao exterior e juros do Tesouro recuam após o feriadoNos títulos de inflação, o maior movimento ficou por conta do IPCA+ 2032, com juro real em queda de cinco pontos, para 7,80%, o menor patamar desde maioA mudança de recomendação ocorre em um momento de forte valorização da Bolsa brasileira. Às 13h22 desta terça-feira (8), o Ibovespa subia 1,34%, aos 187.644 pontos, após atingir a máxima de 189.487 pontos.Na volta do fim de semana prolongado pelo feriado, o índice também encontra suporte na alta das commodities, como petróleo e minério de ferro, enquanto investidores acompanham novas pesquisas sobre a disputa presidencial.BofA vê Selic a 11,25% no fim de 2027A nova projeção de juros é a principal diferença entre a visão do BofA e o cenário atualmente incorporado aos preços dos ativos.Para o banco, uma política monetária mais flexível tende a favorecer uma recuperação dos múltiplos das ações brasileiras, especialmente entre empresas que sofreram mais com o custo elevado do dinheiro nos últimos anos.“O impacto de uma política monetária mais frouxa provavelmente levará as avaliações das ações para níveis menos deprimidos”, diz o BofA.Na avaliação da instituição, esse efeito pode superar outros riscos que permanecem no radar, como eventuais revisões para baixo das estimativas de lucro das empresas, desaceleração da demanda e até parte das incertezas relacionadas à eleição presidencial.O argumento ganha força porque, segundo o relatório, o Ibovespa excluindo empresas de commodities ainda negocia com desconto de aproximadamente 10% em relação à sua média histórica.Quando se ajusta essa comparação ao atual nível dos juros, porém, o desconto fica próximo da média. A diferença maior aparece justamente nas ações mais sensíveis às taxas de juros, que continuam sendo negociadas com descontos mais profundos.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com eleição e Focus no radarBolsas dos EUA operam em baixa em meio à alta do petróleo Ações mais sensíveis aos juros entram no focoÉ nesse grupo que o BofA decidiu aumentar sua exposição. “Aumentamos nossa alocação no Brasil por meio de empresas com maior sensibilidade aos juros e potencial de valorização em um ciclo de flexibilização”, afirma o banco.A estratégia inclui principalmente empresas ligadas ao mercado de capitais, companhias mais alavancadas e os chamados bond proxies (ações com características semelhantes às de títulos de renda fixa, normalmente por apresentarem fluxos de caixa mais previsíveis e forte sensibilidade às taxas de juros).Empresas ligadas ao mercado de capitais podem se beneficiar, por exemplo, de uma retomada da atividade financeira, maior volume de negociações e melhores condições para operações de financiamento e captação.Já companhias mais alavancadas tendem a sentir de maneira mais direta uma eventual queda do custo da dívida.O BofA ressalta, contudo, que a Selic deve permanecer elevada mesmo durante o ciclo de flexibilização. Por isso, o banco equilibra essas apostas com large caps (empresas de grande capitalização) líquidas, geradoras de caixa, com balanços sólidos e histórico consistente de execução.Vale e Petrobras ficam com posição neutraNas commodities, a mudança de recomendação para o Brasil não se traduz em uma ampliação equivalente de exposição.O BofA mantém posição marketweight (neutra, em linha com o peso de referência) para materiais por meio da Vale e para petróleo por meio da Petrobras.A estratégia reforça que a visão mais positiva sobre o mercado brasileiro está concentrada principalmente nas empresas capazes de se beneficiar diretamente da queda dos juros domésticos.Nesta terça-feira, contudo, as commodities também ajudam o desempenho da Bolsa, com petróleo e minério de ferro em alta no exterior.Estrangeiro volta à Bolsa brasileiraA melhora da avaliação do BofA ocorre também em meio ao retorno recente do capital estrangeiro.Segundo o banco, investidores internacionais colocaram R$ 6 bilhões no mercado à vista de ações brasileiras nos últimos dez dias, revertendo parcialmente uma retirada de R$ 20 bilhões registrada nos três meses anteriores.Os dados mais recentes da B3 seguem na mesma direção. Nos três primeiros pregões de setembro, o saldo de capital externo na Bolsa brasileira está positivo em R$ 3,9 bilhões.A retomada do fluxo adiciona uma nova camada de suporte ao mercado depois de um período marcado por saída relevante de estrangeiros.Brasil ganha espaço com perda de força da aposta em IAO BofA também relaciona a melhora recente do desempenho brasileiro a uma mudança na dinâmica dos mercados globais.Segundo o relatório, o movimento foi favorecido por uma perda de força do chamado AI trade (aposta concentrada em empresas beneficiadas pelo avanço da inteligência artificial).Nesse período, o mercado brasileiro apresentou desempenho melhor do que Taiwan, Coreia do Sul e as ações de empresas de semicondutores dos Estados Unidos.Na prática, o movimento sugere uma rotação parcial de recursos para mercados e setores que haviam ficado para trás durante o forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.Cobertura de posições vendidas também impulsiona açõesOutro fator identificado pelo BofA é o chamado short covering (cobertura de posições vendidas).Esse movimento ocorre quando investidores que haviam apostado na queda de determinadas ações recompram os papéis para encerrar suas posições, adicionando pressão compradora ao mercado.“Também vimos evidências de cobertura de posições vendidas no Brasil”, diz o relatório.Segundo o banco, grupos de ações entre as mais vendidas a descoberto vêm apresentando desempenho superior desde meados de agosto.Eleição continua no radar do mercadoO cenário eleitoral segue como um fator relevante para os ativos brasileiros, embora não seja o principal argumento usado pelo BofA para elevar a recomendação.Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente um ponto percentual à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. Os dois, porém, permanecem em empate técnico.Na véspera, pesquisa Quaest também mostrou Lula e Flávio empatados, ambos com 41% das intenções de voto em uma eventual disputa no segundo turno.No relatório, o BofA reconhece a incerteza eleitoral entre os riscos para o mercado, mas considera que o impacto de um ciclo de juros mais favorável pode se sobrepor, ao menos parcialmente, a esse fator.The post Ações do Ibovespa têm recomendação elevada por banco gringo; Selic a 11,25% é gatilho appeared first on InfoMoney.

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