O Estreito de Hormuz fechado. O petróleo pressionando a inflação global. Donald Trump sinalizando negociação de manhã e enviando tropas à tarde. Os mercados tentando precificar o que nem os próprios protagonistas do conflito sabem dizer. Esse é o cenário que gestores de peso do mercado financeiro brasileiro passaram os últimos dias tentando decifrar — e a conclusão é perturbadora: qualquer saída na mesa parece ruim.“A verdade é que o Trump se meteu numa arapuca”, disse Leonardo Linhares, head de Ações da SPX Capital. “Negociar é difícil — ele e Israel já atacaram o Irã duas vezes durante conversas diplomáticas. Escalar tem limite. E recuar deixou de ser uma opção.” Para Linhares, o presidente americano está encurralado entre três alternativas igualmente problemáticas: sentar à mesa com quem não confia nele, continuar bombardeando sem resultado e ver o petróleo subir, ou levantar do jogo e perder a face definitivamente.Veja mais: Fluxo estrangeiro volta à bolsa e Brasil se destaca por fraqueza dos rivaisE também: “Juros insustentáveis vão explodir o país”, alerta CEO da BR PartnersAndrew Reider, sócio e gestor do WHG Long Biased, foi na mesma direção. “Começar uma guerra, você nunca sabe o que vai acontecer depois”, afirmou. A frase não é retórica — na semana anterior, um analista sênior de inteligência militar britânica garantiu a investidores do Goldman Sachs que o Irã não teria capacidade de fechar o Estreito de Hormuz. No dia seguinte, o Estreito estava fechado. “Se nem esse cara sabe nada, a gente também não consegue prever essas coisas”, resumiu Reider.Foi nesse ambiente de mercado que o programa Aftermarket, do Stock Pickers, com apresentação de Lucas Collazo, reuniu Linhares, Reider e Christian Keleti, CEO da Alpha Key, para debater guerra, petróleo, mercados emergentes, inteligência artificial e os riscos do private credit global.Larry Fink vê risco de IA ampliar distância entre ricos e o restante da populaçãoMinistros das Relações Exteriores do Irã e de Omã discutem Estreito de OrmuzO modelo que previu o pânico — e o alívioA WHG desenvolveu um sistema de inteligência artificial que varre as notícias do dia, joga tudo no “liquidificador” e devolve, todas as manhãs, a probabilidade de cada cenário do conflito. Três trajetórias possíveis: conflito breve e controlado, guerra prolongada além do esperado, ou choque sistêmico — com petróleo nas alturas e estagflação generalizada. “De manhã, quando chegamos no escritório, o modelo estava no pico do cenário de choque sistêmico”, revelou Reider. Horas depois, Trump sinalizou disposição para negociar com o Irã. Os mercados dispararam. O modelo virou.Mas Reider não comprou o alívio sem ressalvas. “O mercado não comprou ainda 100% que a guerra vai acabar. Longe disso”, disse. Para ele, Trump está aplicando a cartilha clássica do Art of the Deal — pressão máxima, ultimato de 48 horas, retirada calculada — só que desta vez o adversário não é uma empresa em recuperação judicial. É o Irã, um país que já perdeu boa parte de sua liderança em ataques e que, segundo Reider, “pensa diferente, está disposto a lutar até o fim e tem pouco a perder.”O que tornou o impasse ainda mais imprevisível foi justamente a alavanca que o Irã descobriu ter nas mãos. “Se ele fechar o Estreito de Hormuz, o mundo não consegue aguentar isso por mais algumas semanas”, avaliou Reider. Com essa ficha na mesa, qualquer negociação vira um jogo de alto risco — e os cinco dias de prazo que Trump anunciou podem ser, na leitura dos gestores, apenas uma forma de ganhar tempo para reforçar o posicionamento militar na região.The post Aftermarket: Com Hormuz fechado e caos global, um Trump sem saída assusta mercados appeared first on InfoMoney.
