BERLIM — Aliados europeus estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de a Rússia estar se preparando para entregar drones avançados ao Irã, um aliado tradicional, para uso na guerra contra os Estados Unidos e Israel.Rússia e Irã se aproximaram durante a contínua invasão russa à Ucrânia. Os russos utilizaram amplamente drones iranianos no território ucraniano e também se tornaram um dos principais compradores do petróleo iraniano, ajudando Teerã a contornar sanções ocidentais.Leia tambémIrã: Proposta dos EUA é “unilateral e injusta”, mas porta da diplomacia segue abertaA fonte declarou que a proposta ‘foi analisada em detalhes na noite de quarta-feira por autoridades iranianas de alto escalão e pelo representante do líder supremo do Irã’Exército dos EUA eleva idade máxima de alistamento para 42 anosOs novos requisitos de alistamento foram oficializados anos depois de o Exército enfrentar uma crise de recrutamento e em um momento em que os Estados Unidos estão em guerra com o IrãApós os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, há algumas semanas, a Rússia passou a fornecer ao país persa imagens de satélite e outras informações de inteligência sobre bases americanas e outros alvos potenciais na região, segundo autoridades dos EUA.Neste mês, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a inteligência ucraniana descobriu que a Rússia forneceu ao Irã drones e informações usadas em ataques contra instalações militares dos EUA no Oriente Médio durante esta guerra.Em entrevista ao jornalista Fareed Zakaria, da CNN, em 15 de março, Zelensky disse que a Rússia havia transferido drones produzidos sob licença iraniana, que depois foram empregados contra bases americanas e países vizinhos.Reportagem publicada pelo Financial Times na quinta-feira pareceu corroborar essas declarações, ao afirmar que a Rússia está “próxima de concluir um envio escalonado de drones, remédios e alimentos para o Irã”, de acordo com relatórios de inteligência ocidentais.Questionado sobre essas informações em Bruxelas, na quinta-feira, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, evitou confirmar diretamente se a Rússia está enviando drones de combate ao Irã, afirmando que se trata de assunto de inteligência “que mantemos em sigilo”. Rutte destacou, porém, que autoridades já vinham apontando “uma conexão estreita” entre Irã, Rússia, Coreia do Norte e China.“Então isso diz algo quando surgem relatos de que a Rússia está compartilhando tanto, inclusive com o Irã”, afirmou. “Não sejamos ingênuos em relação a isso.”Em postagem nas redes sociais também na quinta-feira, o ministro da Defesa britânico, John Healy, declarou que “Rússia e Irã vêm trabalhando juntos — compartilhando táticas, treinamento e tecnologia”.Dois altos funcionários europeus, que falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade diplomática do tema, disseram que seus serviços de inteligência acreditam que a Rússia está se preparando para entregar drones ao Irã para uso na guerra contra os Estados Unidos e Israel. Eles não deram detalhes sobre quantidades ou prazos de possíveis remessas.Um terceiro funcionário europeu foi menos categórico, afirmando haver “fortes indícios” de que russos e iranianos fecharam esse tipo de acordo. Mas disse não saber se algum drone já foi entregue ou está em processo de entrega.Fábricas de armas do Irã, tanto de drones quanto de mísseis balísticos, têm sido alvo prioritário da intensa campanha de bombardeios dos EUA e de Israel desde o início da guerra, há quase um mês. Drones russos, portanto, ajudariam a cobrir essa lacuna.Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, negou nesta quinta-feira que a Rússia esteja fornecendo drones e outras armas ao Irã para uso nesta guerra, classificando isso como “informação falsa” em declaração à agência estatal russa Vesti.Peskov também já havia negado, no começo do mês, uma reportagem do Wall Street Journal segundo a qual a Rússia teria fornecido ao Irã componentes modernizados para seus drones, com o objetivo de melhorar comunicação, navegação e capacidade de mira.A Rússia afirmou anteriormente que já transferiu suprimentos médicos e alimentos ao Irã por via terrestre, passando pelo Azerbaijão, e que continuará a fazê-lo.No dia 7 de março, o presidente Donald Trump minimizou relatos de que a Rússia estaria fornecendo inteligência ao Irã para atacar tropas dos EUA. “Se você olhar o que aconteceu com o Irã na última semana, se eles estão recebendo informações, isso não está ajudando muito”, disse Trump a repórteres.O apoio militar russo ao Irã é um tema delicado para Trump, que em geral se alinhou mais ao lado da Rússia do que da Ucrânia e tem sido relutante em aumentar a pressão sobre Moscou.Mais delicado ainda, a guerra com o Irã provocou uma forte alta nos preços do petróleo e, para tentar contê-los, Trump suspendeu recentemente sanções econômicas sobre a venda de petróleo russo. A medida irritou europeus e Zelensky, já que ajuda a financiar a máquina de guerra russa — ao mesmo tempo em que Moscou bombardeia a Ucrânia e apoia o Irã, país que Trump está bombardeando.Para a Rússia, o apoio ao Irã é uma espécie de “toma lá, dá cá” em resposta à ajuda militar americana à Ucrânia.A ajuda russa ao Irã vem na esteira do apoio militar crucial que Teerã deu ao Exército russo na Ucrânia em um de seus momentos mais difíceis, em setembro de 2022, especialmente com o envio de centenas de drones iranianos Shahed-136.A Rússia depois construiu sua própria fábrica para esses drones em Yelabuga, no Tartaristão, a cerca de 1.000 quilômetros a leste de Moscou. Inicialmente, especialistas russos apenas montavam drones a partir de kits enviados pelo Irã, mas a operação foi ampliada de forma significativa.No início de 2023, a planta produzia cerca de 100 drones por mês; hoje, tem capacidade para fabricar milhares. O projeto também evoluiu. Engenheiros russos modificaram o modelo original, que se transformou em um produto distintamente russo, com células, ogivas e sistemas de navegação de fabricação local.Em julho do ano passado, Timur Shagivaleyev, chefe da zona econômica especial que abriga a fábrica de Yelabuga, descreveu a unidade, em um canal de TV estatal russo, como “a maior e mais secreta fábrica de drones de ataque do mundo”. Em um relatório que não mencionava a cooperação com o Irã, ele afirmou que a planta produzia nove vezes mais drones do que o inicialmente planejado.c.2026 The New York Times CompanyThe post Aliados europeus temem que Rússia esteja prestes a enviar drones ao Irã appeared first on InfoMoney.
