A crise política desencadeada pelo caso do Banco Master não produziu, até o momento, desgaste mensurável para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais. Pelo contrário: os dados mais recentes do levantamento Meio/Ideia sugerem estabilidade nos indicadores de aprovação do governo e na disputa presidencial, mesmo com o tema dominando o debate político nas últimas semanas.O principal motivo parece estar na forma como o episódio é percebido pelos eleitores. Entre aqueles que afirmam conhecer o caso, 35% associam o escândalo ao Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11). O governo federal aparece bem atrás nessa associação. Apenas 21% dizem ligar o episódio ao Executivo, enquanto 18% o relacionam ao Congresso. Outros 26% afirmam que o caso envolve simultaneamente os três Poderes.Esse padrão de percepção ajuda a explicar por que o tema, apesar de intenso no debate político e institucional em Brasília, não se traduziu em queda nos indicadores do presidente.Leia tambémFlávio critica ausência de Lula na posse de Kast no Chile: “Brasil não perde nada”Senador participa da cerimônia em Santiago e diz que presidente brasileiro evita conviver com líderes que pensam diferenteIpsos-Ipec: Avaliação de Lula melhora, mas percepção negativa é de 40%Pesquisa mostra leve alta na avaliação positiva, enquanto desaprovação à forma de governar e falta de confiança no presidente seguem majoritáriasEstabilidade nos índices de aprovaçãoOs números da pesquisa mostram que a avaliação do governo praticamente não se alterou em relação ao levantamento anterior. A forma como Lula conduz o terceiro mandato é desaprovada por 50,5% dos entrevistados, enquanto 47,2% dizem aprovar sua atuação.Na comparação com a rodada anterior, houve pequenas oscilações: a aprovação subiu 0,6 ponto percentual e a desaprovação recuou 0,9 ponto. As variações estão dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais, indicando estabilidade no quadro geral.O detalhamento da avaliação do governo reforça esse cenário. Entre os entrevistados, 12% classificam a gestão como ótima e 22,6% como boa. Outros 18,3% consideram o desempenho regular. Já as avaliações negativas somam 45,3%, sendo 16,3% que definem o governo como ruim e 29% como péssimo.O retrato aponta um país dividido, mas sem sinais de deterioração relevante na imagem do presidente.Disputa eleitoral permanece competitivaO mesmo padrão aparece nas simulações de voto para a eleição presidencial de 2026. Lula aparece com 40% das intenções de voto em todos os cenários de primeiro turno testados pela pesquisa Meio/Ideia.Os principais adversários, no entanto, permanecem próximos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra entre 35% e 36% nas simulações, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chega a cerca de 36% quando incluído na disputa.A proximidade indica uma disputa competitiva, mas sem mudança estrutural no equilíbrio de forças.No segundo turno, o levantamento aponta cenários apertados. Lula aparece com 47% contra 45% de Flávio Bolsonaro e com 46% contra 45% de Tarcísio de Freitas. Em ambos os casos, trata-se de empate técnico dentro da margem de erro.A importância da narrativa políticaOs dados sugerem que o caso Banco Master ainda não conseguiu se converter em um passivo eleitoral para o presidente, como tenta buscar a narrativa adotada pela oposição. Parte disso pode estar relacionada à forma como a controvérsia foi enquadrada no debate público.Ao ser percebido majoritariamente como um episódio ligado ao STF, o escândalo acaba deslocando o foco da responsabilidade política para outra instituição. Isso reduz o potencial de contaminação direta sobre a imagem do governo federal.Além disso, a divisão das respostas — com 26% apontando que o caso envolve simultaneamente STF, Executivo e Congresso — indica que uma parcela relevante do eleitorado interpreta o episódio como parte de um conflito institucional mais amplo em Brasília, e não como um problema concentrado em um único ator político.Isso não significa que o episódio esteja encerrado do ponto de vista político. Escândalos institucionais costumam produzir efeitos graduais, que dependem da continuidade do noticiário, de novos desdobramentos e da capacidade de diferentes atores políticos de construir narrativas capazes de mobilizar o eleitorado.Por ora, porém, os dados da pesquisa Meio/Ideia indicam que o caso Banco Master ainda não alterou o equilíbrio da disputa presidencial nem os índices de aprovação do governo.The post Análise: Percepção do caso Master recai sobre STF e poupa Lula nas pesquisas appeared first on InfoMoney.
