Anvisa emite alerta sobre uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira (9) um alerta sobre o uso de canetas injetáveis para diabetes e emagrecimento. O órgão demonstrou preocupação com a utilização desses medicamentos sem orientação médica ou para finalidades diferentes das aprovadas oficialmente.A agência destacou que houve aumento nos relatos de pancreatite entre usuários de fármacos como Mounjaro, Saxenda e Ozempic, e que está apurando seis óbitos por complicações no pâncreas que podem estar associados a esses tratamentos. Paralelamente, há uma investigação em curso sobre mais de 200 casos de pacientes que desenvolveram distúrbios pancreáticos enquanto faziam uso desses medicamentos.O comunicado da Anvisa abrange todos os produtos à base de tirzepatida, dulaglutida, liraglutida ou semaglutida, o que inclui todas as canetas injetáveis com registro vigente no país.A discussão sobre a relação entre esses tratamentos e a pancreatite ganhou força após dados da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), do Reino Unido, que registrou 19 óbitos. Embora esses episódios sejam classificados como raros e atípicos, a gravidade dos quadros — incluindo mortes e casos de pancreatite necrosante — acendeu o sinal de alerta.Apesar de a inflamação do pâncreas já constar como possível efeito colateral nas bulas brasileiras, a Anvisa ressaltou que o volume de novas notificações aumentou recentemente. Por isso, o órgão reforça que o uso desses medicamentos deve seguir estritamente as indicações aprovadas em bula, sempre com prescrição e acompanhamento de médico habilitado.Leia tambémO que se sabe sobre as mortes por pancreatite associadas às canetas emagrecedorasAnvisa registrou 145 notificações do quadro entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025O que é a pancreatite?A pancreatite aguda é uma inflamação súbita causada pela autodigestão do pâncreas, processo em que as próprias enzimas pancreáticas passam a agredir o órgão. A condição tem foco na região pancreática, mas pode afetar outras estruturas e sistemas do corpo.O quadro pode ser leve ou grave. Nos casos leves, o impacto no pâncreas e no restante do organismo é limitado. Já na forma grave, o paciente pode apresentar sinais de colapso orgânico, como falência respiratória ou renal, queda acentuada da pressão arterial e hemorragias digestivas.Nos casos críticos, são observadas ainda complicações locais, como formação de abscessos, surgimento de pseudocistos e morte de tecidos pancreáticos (necrose).O que o alerta da Anvisa quer evitar?O objetivo do alerta é desestimular o uso das canetas injetáveis fora das indicações previstas em bula. A maior parte desses medicamentos é indicada para o tratamento de obesidade e diabetes, e alguns também são aprovados para reduzir o risco de eventos cardiovasculares e tratar apneia.Quando usados para outras finalidades, há risco de efeitos colaterais desconhecidos, já que pode não haver evidências científicas ou estudos robustos que sustentem essas novas indicações.A Anvisa também chama atenção para o uso dos remédios com foco em emagrecimento rápido ou fins estéticos, sem avaliação ou prescrição médica. Em caso de suspeita de pancreatite, a orientação é interromper o tratamento imediatamente e não retomá-lo se o diagnóstico for confirmado.O órgão ressalta ainda que, embora as notificações mencionem marcas específicas, parte dos casos pode estar ligada a produtos falsificados.Segundo dados do sistema Vigimed, que reúne notificações enviadas à Anvisa, o cenário atual é o seguinte:2 óbitos sob suspeita de associação entre Ozempic e quadros de pancreatite;3 mortes em investigação envolvendo Saxenda;1 óbito possivelmente relacionado ao uso de Mounjaro.Essas informações ainda são tratadas como hipóteses até a conclusão das análises finais, processo que pode levar de meses a anos. Tanto a agência quanto especialistas destacam que a citação dos medicamentos nas notificações não significa, por si só, comprovação de nexo causal. Isso porque o público que utiliza esses fármacos já apresenta, em geral, maior predisposição ao desenvolvimento de pancreatite.Notas oficiais das fabricantesAs duas principais fabricantes das canetas emagrecedoras, Novo Nordisk (Saxenda e Ozempic) e Eli Lilly (Mounjaro), afirmam que o risco de efeitos no pâncreas está descrito em bula em todos os medicamentos. Veja os posicionamentos:Novo Nordisk: “Existe uma advertência de classe para todas as terapias baseadas em incretina (ou seja, agonistas do receptor GLP-1, agonistas duais GIP/GLP-1 e inibidores de DPP-4) referente ao risco de pancreatite. Vários fatores de risco estão implicados no desenvolvimento de pancreatite, incluindo diabetes e obesidade. A pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos (RAM) nas bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®, Victoza® e Saxenda®.Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida/liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, e sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia.”Eli Lilly:“A bula de Mounjaro (tirzepatida) adverte que a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) é uma reação adversa incomum e aconselha os pacientes a conversarem com seu médico para obter mais informações sobre os sintomas de pancreatite e informar o médico e interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento com Mounjaro“.The post Anvisa emite alerta sobre uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico appeared first on InfoMoney.

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