Ações de empresas com ativos produtivos tangíveis estão superando o desempenho do mercado à medida que investidores buscam proteção contra a ruptura provocada pela inteligência artificial, segundo estrategistas do Goldman Sachs.A equipe do banco afirma que sua carteira de ações intensivas em capital, cujo valor econômico deriva de ativos físicos, supera em cerca de 35% desde o início de 2025 um grupo de empresas “asset light”, mais dependentes de capital humano ou digital.Investidores têm migrado para ações com o que os estrategistas chamam de “efeito HALO”, sigla para em inglês para ativos pesados e baixa obsolescência, em setores como utilities, recursos básicos e energia, segundo nota a clientes assinada por Guillaume Jaisson e outros analistas.Leia tambémAção da IBM tem maior queda desde 2000 com promessa de IA da Anthropic para COBOLNovos recursos da Claude e a tendência de “vibe code” ampliam a venda de tech; ETF de software caminha para pior trimestre desde 2008Bolsas de NY fecham em baixa, por impacto de tarifas e softwares pressionados por IAA semana tem como destaque a divulgação de resultados pela Nvidia na quarta-feira, que trará perspectivas relevantes para o futuro do mercadoASML (BDR: ASML34), Safran, LVMH (LVMH34), Air Liquide (AIRL34) e Airbus (AIRB34) estão entre as ações selecionadas para a cesta europeia de empresas intensivas em capital. Já L’Oreal, Adyen, DSV e Siemens figuram entre as empresas do grupo asset light.“Os mercados estão premiando capacidade, redes, infraestrutura e complexidade de engenharia, ativos caros de replicar e menos expostos à obsolescência tecnológica”, escreveu Jaisson.A preocupação com aplicações de IA capazes de alterar modelos de negócios tem atingido setores que vão de software a gestão de recursos, provocando quedas acentuadas em ações antes vistas como vencedoras quase certas. O movimento se deu por meio de vendas generalizadas, que também alcançaram indústrias como logística, que à primeira vista não parecem especialmente vulneráveis à IA.A busca por liderança em IA também transformou antigos destaques do mercado, de perfil asset light, como as cinco chamadas hyperscalers, em empresas intensivas em capital, segundo os estrategistas.Essas companhias — Amazon (AMZO34), Microsoft (MSFT34), Alphabet (GOGL34), Meta (M1TA34) e Oracle (ORCL34) — devem investir cerca de US$ 1,5 trilhão na expansão da infraestrutura ligada ao boom de IA entre 2023 e 2026, estimam os analistas. O valor se compara a aproximadamente US$ 600 bilhões investidos ao longo de toda a história dessas empresas até 2022.Juros reais mais elevados e o cenário geopolítico, que impulsiona maiores gastos fiscais e apoio à manufatura, também favorecem a migração para setores intensivos em capital, segundo o Goldman. O momento dos lucros também começa a se inclinar a favor dessas empresas, com as projeções de consenso para crescimento do lucro por ação e retorno sobre patrimônio líquido agora superiores às do grupo asset light, afirmam.No Morgan Stanley, estrategistas também apontaram para um afastamento de setores asset light, como software. Fundos long-only na Europa já vinham reduzindo posições em ações consideradas expostas ao risco de ruptura por IA no fim de 2025, segundo o banco.©️2026 Bloomberg L.P.The post As ações à prova do risco de ruptura pela IA, segundo o Goldman Sachs appeared first on InfoMoney.
