O JPMorgan reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para ações da Embraer (EMBJ3), apesar da forte valorização das ações em 2025, de cerca de 75%, acima do avanço de 34% do Ibovespa, e do bom início em 2026, com alta de 20%, ante 11% do índice, após uma pesquisa com 16 investidores para levantar as expectativas em relação ao guidance (projeções) da fabricante de aeronaves para 2026. O banco manteve preço-alvo é de R$ 108.Diferentemente de 2025, quando os números ficaram um pouco abaixo das projeções do banco, as estimativas operacionais para 2026 estão acima do esperado, enquanto as margens aparecem ligeiramente inferiores. Considerando uma diferença de cerca de quatro pontos percentuais entre as margens de EBIT (lucro antes dos juros e impostos) e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) os investidores projetam um EBITDA ajustado de US$ 1,1 bilhão em 2026, em linha com a estimativa do JPMorgan, de US$ 1,09 bilhão, e acima do consenso da Bloomberg, de US$ 1,04 bilhão.No geral, as expectativas do buy side (gestores) reforçam a visão positiva do banco sobre a companhia, diante da melhora contínua dos resultados. O JPMorgan observa que a Embraer negocia a 12,7 vezes EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA) para 2026, contra 16,4 vezes de seus pares, considerando a soma das partes.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e tenta sustentar os 179 mil pontosÍndices futuros dos EUA começam a semana sem direção Gol, Embraer, Azul, Eneva, Eztec, Vale e mais ações para acompanhar hojeConfira os principais destaques do noticiário corporativo desta segunda-feira (26)ProjeçõesEntre os principais pontos levantados na pesquisa, a maioria dos investidores, 47%, espera que a companhia indique entregas de 86 a 90 jatos comerciais em 2026, enquanto 40% projetam de 81 a 85 aeronaves, ante a estimativa do JPMorgan de 85 unidades.No segmento de aviação executiva, 38% dos entrevistados preveem entregas entre 166 e 170 jatos, enquanto 31% esperam de 161 a 165 aeronaves, número considerado bastante acima da projeção do banco, de 160 unidades.Para a divisão de defesa, 63% dos investidores estimam receitas entre US$ 1,001 bilhão e US$ 1,1 bilhão, e outros 19% veem números ainda maiores, entre US$ 1,101 bilhão e US$ 1,2 bilhão, frente à estimativa do JPMorgan, de US$ 1,033 bilhão.Em Serviços e Suporte, as projeções ficaram mais dispersas. Um quarto dos investidores aposta em receitas entre US$ 1,951 bilhão e US$ 2,0 bilhões, enquanto outros 25% veem valores entre US$ 2,001 bilhões e US$ 2,05 bilhões. Além disso, 26% projetam faturamento acima de US$ 2,05 bilhões, patamar próximo à estimativa do banco, de US$ 2,088 bilhões, situada na faixa mais otimista.Quanto à rentabilidade, metade dos entrevistados espera que a margem EBIT ajustada fique entre 8,6% e 9,0% em 2026, enquanto 33% projetam intervalo mais elevado, de 9,6% a 10,0%. O JPMorgan trabalha com margem de 9,8%, acima do guidance de 2025, que estava entre 7,5% e 8,3%.Na geração de caixa, 50% dos investidores acreditam que o fluxo de caixa livre recorrente superará US$ 200 milhões em 2026. O JPMorgan projeta US$ 296 milhões, enquanto 25% veem faixa entre US$ 151 milhões e US$ 200 milhões, 17% entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões e 8% entre US$ 51 milhões e US$ 100 milhões.BBA reitera compraO Itaú BBA também reiterou sua visão positiva para a Embraer, com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 75 para o ADR (recibo de ações negociado nos EUA). Segundo o banco, a companhia continua sendo uma alternativa atrativa para os portfólios dos investidores por conta do forte momento de lucros, com crescimento esperado de 20% do EBIT em 2026 e boa visibilidade, do ciclo favorável da indústria em todos os segmentos, aviação comercial, executiva e defesa, de catalisadores de curto prazo e da diversificação em relação às histórias domésticas que dominam as carteiras locais, já que a empresa tem baixa correlação com esses ativos e ainda é pouco explorada por investidores brasileiros.O Itaú BBA estima que a Embraer negocia a 12 vezes EV/EBITDA projetado para 2026 e oferece um retorno potencial sobre o capital próprio de 13,5% em dólares em um horizonte de três anos, com premissas consideradas conservadoras. O banco também projeta um quarto trimestre de 2025 positivo, com risco de alta em relação ao consenso.Boa visibilidade dos lucrosO BBA calcula que o EBIT da Embraer avance entre 15% e 20% em 2026, sustentado por crescimento de 10% nas entregas, com seis aeronaves adicionais na aviação comercial, totalizando 85 unidades, e mais 15 jatos executivos, chegando a 170. Além disso, o Itaú BBA espera aumento dos preços médios nesses segmentos, em ritmo baixo a moderado de um dígito, favorecido por melhor mix de produtos, como divisão equilibrada entre os modelos Praetor e Phenom na aviação executiva, e reajustes de preços, além de crescimento de dois dígitos nas áreas de Defesa e Serviços e Suporte, impulsionadas pelo avanço da carteira de pedidos. Com isso, a receita deve crescer entre 15% e 20%.A margem EBIT também tende a subir, segundo o banco, para cerca de 9,2%, avanço de 100 pontos-base em relação ao ano anterior, beneficiada por maior alavancagem operacional, reajustes de preços e expansão das margens em Defesa. Nesse cenário, o EBIT pode alcançar aproximadamente R$ 810 milhões em 2026.Gatilhos de curto prazoAlém do crescimento de resultados e do espaço limitado para queda de múltiplos, o Itaú BBA vê catalisadores concretos no curto prazo. Na próxima terça-feira (27), a Embraer e o grupo indiano Adani devem anunciar uma iniciativa conjunta voltada ao mercado de aviação comercial da Índia. Embora a companhia ainda não tenha confirmado a operação e haja poucas informações sobre sua viabilidade econômica, o potencial de demanda é visto como relevante, estimado em até 500 aeronaves de corredor único ao longo de 20 anos, segundo a própria Embraer, aproveitando a competitividade da empresa no mercado do Sul da Ásia.Também podem surgir novidades até o fim do ano para a divisão de Defesa, com o avanço das negociações do cargueiro C-390 com o governo indiano.Por fim, o banco mantém visão positiva para a Eve, à medida que a aeronave avança no processo de certificação ao longo de 2026, o que poderia destravar uma reavaliação de mercado da companhia, atualmente avaliada em cerca de US$ 1,5 bilhão, abaixo de concorrentes como Joby, avaliada em US$ 12 bilhões, e Archer e Beta, em torno de US$ 6 bilhões cada.The post Bancos seguem otimistas com Embraer (EMBJ3) em 2026; veja os motivos appeared first on InfoMoney.
