O governo brasileiro tem evitado avançar em um acordo proposto pelos Estados Unidos para exploração de minerais críticos, em um movimento que expõe divergências sobre o controle e o destino desses recursos. A avaliação é de que o país busca preservar autonomia na definição de sua política mineral, mesmo diante de ofertas de investimento bilionário.Segundo reportagem do The New York Times, Washington tenta fechar uma parceria bilateral para ampliar a produção de insumos essenciais à economia e à defesa, como terras-raras, lítio e cobalto. A proposta foi enviada ao Brasil em fevereiro, mas ainda não recebeu resposta formal.Nos bastidores, segundo o jornal, integrantes do governo consideram a abordagem americana uma tentativa de influência direta sobre decisões estratégicas do país. A resistência está ligada à intenção de evitar acordos que estabeleçam preferência de compra ou limitem a atuação com outros parceiros, como a China.Leia tambémTrump diz que EUA vão “muito bem” no Irã e não deixarão país ter arma nuclearFalando a militares, presidente destacou ofensivas no Irã e revelou acompanhamento das ações em tempo real pela equipe de segurança“Não vamos deixar alta chegar ao caminhoneiro”, diz Lula sobre dieselClasse caminhoneira decidiu não iniciar greve nesta sexta-feira (20), mas não afastou possibilidade de paralisar operações caso demandas não sejam atendidasApesar de compartilharem o objetivo de reduzir a dependência chinesa — hoje dominante no processamento global desses minerais —, Brasil e Estados Unidos divergem sobre o modelo de exploração. Enquanto os americanos buscam garantir acesso prioritário às matérias-primas, o governo Lula defende a internalização da cadeia produtiva.A proposta brasileira é desenvolver etapas que vão além da extração, incluindo processamento e fabricação de produtos finais, como ímãs industriais. A ideia é evitar a exportação de commodities sem valor agregado.Pressão por investimentosNa tentativa de avançar nas negociações, os EUA promoveram nesta semana um fórum em São Paulo para aproximar empresas e autoridades dos dois países. O objetivo é viabilizar aportes de bilhões de dólares em cerca de 50 projetos de mineração. O governo federal, no entanto, não participou do encontro.Diante da falta de avanço, os americanos passaram a buscar alternativas em nível regional. Um memorando de entendimento foi firmado com o governo de Goiás, estado com forte presença de minerais estratégicos. Pela legislação brasileira, porém, os recursos pertencem à União, o que limita acordos diretos sem aval federal.Recursos estratégicos em disputaO interesse internacional se explica pela relevância do Brasil nesse mercado. O país detém entre 19% e 23% das reservas globais de terras-raras, além de concentrar praticamente todo o nióbio conhecido e possuir grandes volumes de lítio e cobalto.Esses insumos são fundamentais para a transição energética e para a indústria de defesa, sendo utilizados em baterias de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas militares.Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que um eventual acordo poderia beneficiar ambos os lados. Os Estados Unidos reduziriam sua dependência da China, enquanto o Brasil ampliaria sua capacidade produtiva com acesso a capital e tecnologia.Por ora, no entanto, o impasse reflete uma disputa maior por influência sobre cadeias estratégicas, em que o Brasil tenta equilibrar interesses econômicos com a preservação de sua autonomia sobre recursos considerados essenciais.The post Brasil resiste a pressão dos EUA por acordo sobre minerais estratégicos, diz NYT appeared first on InfoMoney.
