Mesmo com o orçamento aprovado e novas fontes de receita, a dívida pública brasileira deve avançar em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mantendo o país no chamado “fio da navalha” fiscal. “Se a dívida continuar crescendo nesse ritmo, em algum momento o mercado vai punir, exigindo ajustes”, alertou Fernando Genta, economista-chefe da XP Asset, durante live da gestora, com a participação de Artur Wichmann, CIO da XP, e Thales Maion, analista macro.Além do cenário doméstico, fatores globais, como o movimento do dólar e o preço do petróleo, devem continuar influenciando a economia brasileira, criando um ambiente de incerteza que exige atenção de investidores. Neste contexto, a Brasil inicia o ano com um mercado de trabalho apertado e salários em aceleração, o que pressiona a inflação e dificulta o controle do Banco Central (BC). Em dezembro, a taxa de desemprego recuou para 5,2%, mínima histórica, enquanto o crescimento de empregos formais no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) alcançou 3% ao ano, acima da projeção de crescimento do PIB de 2,3% para 2025.“A média de criação de empregos formais é de 110 mil por mês, bem acima do crescimento da população, de cerca de 0,7% ao ano, indicando um mercado de trabalho praticamente saturado”, explica. Ele destaca que o crescimento de empregos formais e informais começa a desacelerar, mas devido à limitação de mão de obra, e não à queda da demanda.Veja mais: Dólar fraco e inovação em alta: por que EUA seguem líderes globaisE também: Efeito Groenlândia: as ações globais que ganham e perdem com a ofensiva de TrumpPressão salarial e inflaçãoO avanço salarial reforça a pressão inflacionária. No trimestre encerrado em novembro, o rendimento médio efetivo cresceu 2,1% acima da inflação, um aumento anualizado de 8%. “No mercado formal, o salário de admissão subiu 1,1% na margem, ou 4% anualizado. É um mercado em aceleração, tornando a tarefa do BC mais desafiadora”, afirma o economista.Serviços intensivos em mão de obra avançaram 8,6% anualizado, enquanto os núcleos de inflação de serviços giram em torno de 5,6%. Apesar disso, a inflação anual de 2025 fechou entre 4,2% e 4,3%, abaixo das expectativas.Genta destacou, ainda, que o mercado já considera improvável um corte de juros na próxima reunião do Copom.“O BC não deve reduzir a taxa. A grande discussão será sobre os sinais que ele dará, possivelmente liberando algumas amarras, mas mantendo a referência estável por enquanto”— Fernando Genta, economista-chefe da XP Asset.Leia tambémDólar fraco e inovação em alta: por que EUA seguem líderes globaisEnquanto os EUA continuarem líderes em inovação, as empresas vão seguir no radar dos investidores, diz Artur Wichmann, da XP InvestimentosIA, ouro e dólar: a tríade que pode redefinir os investimentos em 2026Dilema não é mais “estar ou não” exposto à tecnologia, mas “onde” se posicionar dentro da cadeiaGasto público impulsiona PIBEnquanto isso, o gasto público federal deve crescer cerca de 4,5% acima da inflação, enquanto os estados avançam 7%, impulsionando a atividade econômica. O PIB brasileiro, por sua vez, deve avançar em torno de 2%, acima da expectativa de mercado, principalmente devido ao gasto público.The post Brasil se mantém no “fio da navalha” fiscal em 2026, diz economista da XP Asset appeared first on InfoMoney.
