Brasileira Transire, maior fabricante de maquininhas fora da China, prepara IPO

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Um IPO está na mira de uma bilionária empresa brasileira do mercado de meios de pagamento. Diferentemente de um caso recente como o do PicPay, listada na Nasdaq na última semana, a Transire é uma empresa de hardware. A desenvolvedora e fabricante de maquininhas de cartão inicia o ciclo para sua listagem com uma expansão internacional e ampliação do portfólio de produtos.Fundada há mais de dez anos, a companhia surfou uma mudança relevante no mercado de equipamentos para pagamento que vão desde questões regulatórias regionais promovidas pelo Banco Central até transformações mais amplas na concorrência global no segmento.Sediada em Manaus, a Transire fabricou 48 milhões de máquinas de pagamento desde 2015 e assistiu de perto essa transformação. “A abertura de mercado promovida pelo Banco Central em meados de 2015 e até a criação dos subadquirentes em 2018 nos permitiram encontrar soluções e diversificar”, diz o vice-presidente de negócios do Grupo Transire, Fernando Otani.Os subadquirentes são empresas que intermediam pagamentos entre quem faz as vendas e as bandeiras de cartão e bancos. Eles foram lançados em um escopo mais amplo de regulamentações do Banco Central na expansão do mercado, incluindo, por exemplo, as instituições de pagamento (IP).Fernando Otani, vice-presidente de negócios do Grupo Transire. (Foto: Divulgação/Transire)Até por volta dos anos 2010, duas companhias detinham a parcela mais relevante do mercado de máquinas de pagamento no Brasil: a norte-americana Verifone e a francesa Ingenico — que deixou de fabricar no País em 2025. De lá para cá, muito mudou. Otani, da Transire, estima que a companhia tenha hoje uma participação de 75% dos terminais de pagamento do Brasil.Parte do terreno foi conquistado em função de uma dinâmica global puxada pela China. Líder global na produção de hardware para pagamento, a Pax tem um contrato de exclusividade com a Transire para fabricação de seus produtos no Brasil e companhias como a Newland, outra chinesa, também ganharam mercado globalmente.De outro lado, benefícios tributários pela instalação da fábrica na Zona Franca de Manaus, créditos tributários para o desenvolvimento de tecnologia na região e a mão de obra para dispositivos eletrônicos no polo industrial puxaram o crescimento da companhia. A empresa produz cerca de 400 mil unidades por mês de máquinas que variam de US$ 30 a US$ 400.Leia também: Função “voucher” estreia nas maquininhas e promete mais transparência nos valesLeia também: Digitalização não é “apocalíptica” para produtoras de caixas eletrônicos, defende Diebold Nixdorf“Agora estamos no momento de pivotar essa empresa e transformá-la, porque temos a clara ambição de fazer o IPO e o estamos preparando em algumas vertentes”, conta Otani ao InfoMoney.Como primeira etapa, a Transire deixa de ser apenas uma companhia de hardware para se tornar-se uma empresa de soluções. Significa incluir uma unidade de serviços, incluindo manutenção e entrega de maquininhas; outra especializada em segurança e pagamentos, responsável por integração dos terminais com varejistas; e uma última de conectividade, com foco na assinatura de um plano incluindo manutenção e software.O segundo passo é o processo de internacionalização. O foco é na América Latina e na Europa, onde a empresa já tem escritórios montados na Argentina e em Portugal. “No segundo semestre, vamos abrir o México. Na sequência, preparar para entrar no mercado dos Estados Unidos”, conta Otani.Por último, a Transire agora quer aumentar sua independência tecnológica de produtos chineses investindo em tecnologia própria para os terminais. “Era comum nos últimos 10 anos buscarmos soluções prontas na China, pegar a representação exclusiva dos produtos e utilizar todos os incentivos de nacionalização e produção local. Só que a tecnologia não era nossa”, diz o vice-presidente.Em um evento em janeiro, a Transire anunciou 34 novos produtos, desde soluções para transporte até caixas eletrônicos integrados com balança, painéis de fast-food e até mochilas com tela para ativação em vendas de eventos.Diante de todas as mudanças, a projeção é de um aumento de 30% no faturamento para 2026, saltando de R$ 2 bilhões, em 2025, para cerca de R$ 2,5 bilhões. Enquanto isso, uma consultoria já foi contratada para fazer o framework do IPO e, nos próximos meses, uma nova deve ser contratada para acompanhar o caminho para a abertura de mercado.Por enquanto, no entanto, ainda não está definido onde a companhia deve ser listada. Na última semana, o PicPay, também do ramo de pagamentos, estreou na Nasdaq, no mesmo dia em que o Agibank anunciou seu IPO também nos Estados Unidos.“Como uma empresa de tecnologia que está se construindo e se tornando uma empresa de soluções, software, é razoável e natural pensarmos em Nasdaq. Não posso afirmar que nosso IPO será em Nova York, mas é nossa ambição, nosso desejo”, afirma Otani.The post Brasileira Transire, maior fabricante de maquininhas fora da China, prepara IPO appeared first on InfoMoney.

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