A geração de vagas de emprego formal avançou em fevereiro no Brasil em um ritmo menor do que o registrado em 2024 e início de 2025. No entanto, a leitura geral ainda é de mercado de trabalho aquecido, com saldo positivo em todos os setores.De acordo com os dados do Caged divulgados nesta terça (31) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram 255,3 mil novos empregos (2,3 milhões de admissões e 2,1 milhões de desligamentos), alta de 115 mil vagas em relação a janeiro. Em fevereiro do ano passado, foram criadas 440 mil novas vagas. No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo chega a mais 1,05 milhão de novas vagas.Leia também: Endividamento: veja o que governo negocia com bancos para aliviar bolso das famíliasRitmo ‘modesto’Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, o ritmo de criação de vagas em fevereiro foi “consideravelmente mais modesto do que o observado em 2024 e no início de 2025”. Para ele, os dados mostram estabilidade em um mercado de trabalho ainda aquecido, com saldo positivo em todos os setores, mas com desaceleração nos números interanuais. Na avaliação do economista, 2026 deve ter desaceleração do mercado de trabalho.Na mesma linha, André Valério, economista sênior do Inter, também destaca a leitura de desaceleração do cenário. “O saldo acumulado em 12 meses continua em queda, saindo de 1,2 milhão em janeiro para 1,05 milhão em fevereiro, e o bimestre de 2026 apresenta o menor ritmo de geração de emprego para o período desde 2023”, compara.Leia também: Desemprego sinaliza acomodação, mas em nível historicamente baixo, dizem economistasAvanço em todos os setoresOs serviços responderam pela maior parte das vagas (+177,9 mil), puxados sobretudo por educação (+49 mil, típico de volta às aulas) e pelo bloco de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e administrativas (+48,1 mil). Construção (+31,1 mil) e indústria (+32 mil) contribuíram de forma parecida entre si, enquanto comércio ficou bem aquém (+6,1 mil), destaca Costa.Mais vagas com salários menoresCosta destaca que houve recuo no salário médio de admissão, de 2,3% (R$ 2.347), comparado a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2025, houve aumento de 2,75%.Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, destaca que a maior parte das vagas abertas oferecia remuneração de até 1,5 salário-mínimo. Já as faixas salariais mais elevadas continuam registrando saldos negativos. Para ela, isso sinaliza que o bom desempenho do emprego formal não tem sido acompanhado, neste momento, por aceleração relevante da massa salarial na margem.RotatividadeNa análise da 4intelligence, a taxa de rotatividade apresentou leve queda no acumulado de 12 meses, saindo de 52,4% para 52,2%. O tempo médio de emprego dos desligados caiu, de 19,2 meses em fevereiro de 2025 para 18,6 meses em fevereiro deste ano, o que evidencia um mercado de trabalho aquecido. No relatório de análise, a 4intelligence destaca que boa parte destes trabalhadores se desligou a fim de se admitir em outros lugares sob condições mais vantajosas, o que indica que estão encontrando maior oferta de vagas.ProjeçõesPara Valério, o ano de 2026 deve encerrar com uma taxa de desocupação de 5,5%.A 4intelligence projeta para o ano a criação líquida de 1,2 milhão de vagas formais, em linha com a trajetória de desaceleração lenta da variação interanual.The post Caged: Economistas apontam sinais de ‘ritmo modesto’ na expansão de vagas de trabalho appeared first on InfoMoney.
