Se Eduardo Leite enfrenta um cenário interno adverso no Rio Grande do Sul, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pavimentou um caminho mais sólido para eleger seu sucessor, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Responsável por uma das gestões mais bem avaliadas do país e tido como favorito para ser o candidato do PSD à Presidência da República, Caiado deixaria o cargo nas mãos de Vilela com liberdade para operar o governo até as eleições.Tanto Leite quanto Caiado disputam uma espécie de prévia informal dentro do PSD para definir o candidato da sigla à Presência da República. O governador goiano é tido como favorito.Leia tambémKassab mantém Caiado e Leite no páreo e promete apresentar candidato na terçaGovernador gaúcho declarou que ‘quem admite plano B, já perdeu’ e diz que conclui mandato se não encabeçar chapaLeite diz que fica no governo do RS caso Kassab escolha Caiado como pré-candidatoGovernador gaúcho está em São Paulo e vai se reunir com presidente do PSD para decidir seu futuro políticoO vice de Caiado é filho de Maguito Vilela, que chefiou Goiás entre 1995 e 1998. A pré-candidatura foi lançada em 14 de março, em evento marcado pela formalização da filiação de Caiado ao PSD e que contou com a presença do presidente da sigla, Gilberto Kassab, e do líder nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi (SP).— Daniel Vilela assume no dia 31 (de março) e vai para a campanha. Ele vai ganhar no primeiro turno, assim como eu ganhei nas duas eleições que disputei — previu Caiado ao discursar.Após o rompimento com o PL, que lançou a pré-candidatura do senador Wilder Morais ao Palácio das Esmeraldas, Caiado ampliou sua base e buscou o apoio de integrantes do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. No evento em Jaraguá, ao lado de Vilela, ele endossou quatro nomes ao Senado, todos de partidos distintos.A primeira-dama Gracinha Caiado, favorita nas pesquisas, foi lançada pelo União Brasil. Também integram a composição o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que busca a reeleição; o deputado federal Zacharias Calil (MDB); e o ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy (PP).‘Projeto que deu certo’Na disputa pelo governo, Vilela lidera com folga as pesquisas mais recentes, seguido pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e por Wilder. A avaliação de interlocutores da política local é que o candidato do PL deve crescer quando receber um endosso mais claro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua campanha à Presidência.Vilela argumenta que a construção de sua base política, composta também pelo Republicanos, demonstra a importância de continuidade de “um projeto que deu certo” no estado. Ele diz que Caiado construiu um “legado forte”, com apoio de 220 das 246 prefeituras goianas, o que contribui para sua pré-candidatura:— A sucessão será conduzida com muita responsabilidade e naturalidade. O apoio que temos recebido de prefeitos e de lideranças de diferentes partidos é resultado de diálogo, confiança e, principalmente, dos resultados concretos do governo.Enquanto o PL usa a maior fatia estimada do fundo eleitoral e do tempo de televisão para avançar sobre quadros do União Brasil no Congresso e fortalecer palanques estaduais alinhados a Flávio, Caiado, recém-desfiliado do União, tenta ampliar a base ao redor de Vilela com a filiação de membros do partido de Wilder. A principal movimentação foi a do deputado federal Daniel Agrobom, que deixou o PL há duas semanas para anunciar seu apoio a Vilela.A mudança foi comemorada por Caiado, que o definiu como “uma liderança respeitada, com forte atuação junto ao setor produtivo”. Outra saída que pode ocorrer é a da deputada federal Magda Mofatto, que avalia trocar o PL pelo PSD.Enquanto Vilela lidera as pesquisas, o PT, ainda sem a definição de uma candidatura própria para concorrer ao governo, busca atrair Perillo para formar um palanque forte para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado e fortalecer o diálogo com representantes do agronegócio. Conforme mostrou o GLOBO, a tentativa do PT ocorre em meio à aposta pelo isolamento de Perillo, por avaliar que o voto “mais radicalizado” ficará com Vilela ou Wilder.Em 2022, a aproximação já havia sido desejada por Lula, mas Marconi optou não aderir. Ex-governador com quatro mandatos, o tucano se estabeleceu como um dos grandes quadros nacionais do PSDB na época em que o partido era o principal rival do PT no país, o que mantém o sentimento antipetista presente entre seus apoiadores mais tradicionais.A articulação no estado é conduzida pela deputada federal Adriana Accorsi, vice-líder do PT na Câmara e presidente do diretório local. Ela tem uma boa relação com o ex-governador e, em 2011, foi nomeada por ele para o cargo de delegada-geral da Polícia Civil de Goiás, sendo a primeira mulher a ocupar o posto. Accorsi é uma das cotadas para ser indicada ao governo caso o partido decida lançar uma candidatura própria, embora seu desejo seja permanecer no Congresso Nacional.Recentemente, Marconi enfrentou perdas significativas no PSDB. No início deste mês, a deputada federal Lêda Borges deixou o partido após 20 anos de filiação e declarou apoio a Vilela. Já em janeiro, a vereadora de Goiânia Aava Santiago saiu para assumir a presidência do núcleo local do PSB.The post Caiado deixará mandato com formação de aliança em busca de eleger sucessor em Goiás appeared first on InfoMoney.
