WASHINGTON, 2 Dez (Reuters) – A Casa Branca defendeu na segunda-feira decisão de um almirante dos EUA de realizar vários ataques a um suposto navio venezuelano de contrabando de drogas em setembro, dizendo que ele tinha a autorização do secretário de Defesa, Pete Hegseth, mesmo com críticos questionando a legalidade da ação.O Washington Post informou que um segundo ataque foi ordenado para matar dois sobreviventes do ataque inicial e para cumprir uma ordem de Hegseth para que todos fossem mortos.O presidente Donald Trump disse no domingo que não teria desejado um segundo ataque à embarcação e afirmou que Hegseth negou ter dado tal ordem.Leia tambémEnviado dos EUA e genro de Trump se reunirão com Putin para discutir fim da guerraEncontro em Moscou ocorre após vazamento de proposta dos EUA que preocupa aliados europeusTrump rejeitou pedidos de Maduro em telefonema, dizem fontesO presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está ficando sem opções para renunciar e deixar seu país com o salvo-conduto garantido pelos EUAMas a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt declarou na segunda-feira que Hegseth havia autorizado o almirante Frank Bradley a realizar os ataques em 2 de setembro.‘O secretário Hegseth autorizou o almirante Bradley a realizar esses ataques cinéticos. O almirante Bradley atuou plenamente dentro de sua autoridade e da lei que orienta a operação para garantir que o barco fosse destruído e a ameaça aos Estados Unidos da América fosse eliminada”, disse Leavitt.Leavitt afirmou que o ataque foi realizado em ‘autodefesa’ para proteger os interesses dos EUA, ocorreu em águas internacionais e estava de acordo com a lei de conflitos armados.‘Este governo designou esses narcoterroristas como organizações terroristas estrangeiras’, disse Leavitt.A partir de setembro, as Forças Armadas dos EUA realizaram pelo menos 19 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e na costa do Pacífico da América Latina, matando pelo menos 76 pessoas.Críticos têm questionado a legalidade dos ataques e parlamentares republicanos e democratas se comprometeram a investigá-los.O direito humanitário internacional proíbe ataques a combatentes incapacitados. O Manual da Lei de Guerra do Departamento de Defesa afirma que os náufragos não podem ser atacados intencionalmente e devem receber cuidados médicos, a menos que ajam com hostilidade ou tentem fugir.Laura Dickinson, professora de direito da Universidade George Washington, disse que a maioria dos especialistas em direito não acredita que os ataques a barcos se qualifiquem como conflito armado, portanto, a força letal só seria permitida como último recurso.‘Seria um assassinato fora de um conflito armado’, declarou ela. Mesmo em uma guerra, a morte de sobreviventes ‘provavelmente seria um crime de guerra’.Um grupo de ex-advogados militares, o JAGs Working Group, chamou a ordem de ‘patentemente ilegal’, dizendo que os militares têm o dever de desobedecê-la e que qualquer um que a cumpra deve ser processado por crimes de guerra.No X, Hegseth defendeu Bradley, chamando-o de ‘herói norte-americano’ e dizendo que ele tem seu ‘apoio total’. Hegseth disse que apoia as decisões de combate de Bradley ‘na missão de 2 de setembro e em todas as outras desde então’.Leia tambémMaduro jura “lealdade absoluta” ao povo venezuelano em meio a tensões com os EUAEm discurso diante do palácio presidencial, Maduro reafirmou compromisso com legado de Chávez enquanto confronta acusações e ações militares dos EUA no CaribeTrump discutiu na segunda-feira com importantes assessores a campanha de pressão contra a Venezuela, entre outros tópicos, disse uma autoridade sênior dos EUA.OPÇÕES DOS EUA INCLUEM ESFORÇO PARA DESTITUIR MADUROTrump sinalizou a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA na Venezuela. No sábado, ele disse que o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela deveria ser considerado ‘fechado em sua totalidade’, mas não deu mais detalhes, provocando ansiedade e confusão em Caracas.Trump confirmou no domingo que havia conversado com o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que os EUA consideram um líder ilegítimo, mas se recusou a fornecer detalhes da conversa.O governo Trump está avaliando as opções para combater o que tem sido retratado como o papel de Maduro no fornecimento de drogas que matam norte-americanos. Maduro negou ter qualquer ligação com o comércio ilegal de drogas.A Reuters informou que as opções que estão sendo consideradas pelos EUA incluem uma tentativa de derrubar Maduro e que as Forças Armadas dos EUA estão preparadas para uma nova fase de operações depois de um grande acúmulo militar no Caribe e quase três meses de ataques a barcos suspeitos de tráfico de drogas na costa da Venezuela. Trump também autorizou operações secretas da CIA no país.The post Casa Branca defende ataque dos EUA a embarcação da Venezuela como legítimo appeared first on InfoMoney.
