A Colômbia afirmou que favorece um caminho para que o presidente venezuelano Nicolás Maduro entregue o poder a um governo de transição encarregado de organizar novas eleições — preferindo essa ideia à alternativa de uma intervenção mais contundente dos EUA nos assuntos do país vizinho.A proposta de transição tem circulado em círculos diplomáticos em Washington, Caracas e além, como uma possível solução para o impasse dos EUA com a Venezuela, enquanto o presidente Donald Trump acumula navios de guerra no Caribe. Não há sinais de que Trump esteja aberto a tal acordo.Mas Maduro poderia aceitar a ideia se garantido que estaria protegido contra perseguição, disse a ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Rosa Villavicencio, em entrevista em Madri na quarta-feira.“Maduro estaria inclinado a aceitar,” disse Villavicencio. “Ele poderia sair sem necessariamente acabar na prisão, alguém poderia liderar essa transição e permitir eleições legítimas.”Maduro não se manifestou publicamente indicando que consideraria a proposta. Villavicencio disse que seu chefe, o presidente colombiano Gustavo Petro, não conversou diretamente com Maduro, mas que sua equipe está em contato com diplomatas venezuelanos.O Ministério da Informação da Venezuela não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O Departamento de Estado dos EUA também não respondeu de imediato.Os títulos em dólar da Venezuela e de sua estatal petrolífera subiram em toda a curva. Notas com vencimento em 2034 saltaram 2 centavos para 33 centavos de dólar, o maior valor em seis anos, segundo dados indicativos coletados pela Bloomberg.Petro e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pediram novas eleições na Venezuela após a votação de 2024 ter sido amplamente condenada como fraudulenta. Um plano de saída segura para Maduro poderia agora ser “a opção mais saudável”, mas exigiria apoio da oposição venezuelana, disse Villavicencio.Autoridades na Colômbia, aliada de longa data dos EUA e que compartilha fronteira com a Venezuela, até agora falaram apenas de forma ampla sobre evitar conflito, sem oferecer soluções específicas.No início desta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar alvos suspeitos de cartéis de drogas na Venezuela, Colômbia e México. Desde setembro, forças americanas têm destruído barcos de tráfico no Caribe e Pacífico, matando mais de 80 pessoas.A Colômbia alertou que um ataque dos EUA à Venezuela poderia desencadear outro êxodo de migrantes. Cerca de 8 milhões de venezuelanos fugiram do país na última década, e quase três milhões vivem na Colômbia, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.“Uma intervenção poderia desencadear uma crise humanitária muito difícil de gerir,” disse Villavicencio.Desde agosto, os EUA têm enviado navios de guerra e aeronaves para o sul do Caribe, aumentando o temor de um ataque em solo venezuelano.Bogotá foi até recentemente um forte aliado de Washington, mas as relações azedaram desde o início do segundo mandato de Trump. O líder americano chamou Petro de “lunático” e “líder ilegal de drogas”, cortou ajuda e revogou seu visto. Villavicencio disse que renunciaria ao seu visto em solidariedade a Petro.A tensão entre Colômbia e EUA pode tornar o governo de Petro um interlocutor fraco em nome da Venezuela, disse Sergio Guzman, diretor da Colombia Risk Analysis, em entrevista por telefone.“O apoio do governo a um plano para a saída negociada de Maduro é prova do fracasso de todas as suas ferramentas de política externa,” disse Guzman. “A Colômbia carece de credibilidade, tanto interna quanto internacionalmente, para ser um país garantidor de qualquer processo de transição na Venezuela.”© 2025 Bloomberg L.P.The post Colômbia defende plano de saída negociada de Maduro para evitar intervenção dos EUA appeared first on InfoMoney.
