Com Ronaldo e Neymar na final, Kings League fica perto de recorde no Allianz Parque

Blog

Criada pelo ex-jogador do Barcelona e da seleção espanhola Gerard Piqué, a Kings League se consolidou em pouco tempo como um fenômeno global ao misturar futebol, entretenimento e linguagem digital. Depois de virar febre na Espanha, a liga se expandiu e encontrou terreno fértil em países como Brasil, México, Itália e França, onde passou a atrair um público jovem e altamente conectado.No último sábado (17), a final da Kings World Cup of Nations realizada no Allianz Parque reuniu elementos que ajudam a explicar esse sucesso. Dentro de campo, o Brasil venceu o Chile por 6 a 2 e conquistou o título. Fora dele, a presença de dois dos maiores nomes do futebol brasileiro marcou a decisão. Neymar, atual jogador do Santos e um dos principais incentivadores da Kings League no país, acompanhou de perto a campanha da seleção brasileira. Ronaldo Fenômeno, por sua vez, foi o responsável por entregar a taça aos campeões.Leia Mais: Copa tem 500 mi de pedidos por ingressos, sem Brasil no top 5 de jogos mais buscadosO evento ficou muito próximo de entrar para a história do estádio. De acordo com a organização, 41.316 pessoas estiveram presentes no Allianz Parque, número que deixou a final a apenas 141 torcedores de superar o recorde de público da arena, registrado em abril de 2023, quando 41.457 pessoas acompanharam a vitória do Palmeiras por 3 a 1 sobre o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro.A escolha do Allianz Parque pelo segundo ano consecutivo também reflete uma estratégia da arena em ampliar seu portfólio para além do futebol tradicional e dos shows musicais. Nos últimos anos, o estádio administrado pela WTorre recebeu eventos de agronegócio no gramado, o espetáculo de esportes radicais Nitro Circus, uma partida de rugby e, em dezembro deste ano, sediará um confronto de tênis entre João Fonseca, promessa brasileira, e Carlos Alcaraz, líder do ranking mundial da ATP.Lançada em 2022, a Kings League se diferencia pelo regulamento pouco convencional e pelo foco no entretenimento. As equipes são formadas por sete jogadores, os jogos têm 40 minutos divididos em dois tempos de 20 e contam com cartas secretas que podem alterar o andamento da partida, como pênalti extra ou gol que vale em dobro. Aos 18 minutos do primeiro tempo, um dado gigante é lançado para definir quantos atletas seguirão em campo. Já na segunda etapa, há opções como o gol de ouro ou períodos em que cada gol vale dois.Esse formato tem atraído principalmente crianças, adolescentes e jovens. Dados da Deloitte apontam que 85 por cento do público global da Kings League tem menos de 34 anos. Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM, o modelo reflete uma mudança clara na forma de consumir esporte. “Formatos que misturam esporte e entretenimento através da mescla interessante de atletas, ex atletas e celebridades do mundo das redes sociais têm comprovado audiência, engajamento e consequente sucesso. O que vimos acontecer no boxe agora chega ao futebol, atraindo os mais jovens com um formato mais curto e primariamente idealizado sob a ótica de como entreter o fã”, analisa.Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, também enxerga novas possibilidades no modelo. “Penso que temos torcedores e espectadores, e o que define quem se enquadra em cada um desses grupos mudou ao longo do tempo. Pode gerar oportunidade de experiências diversificadas, antes e após os jogos. Tudo que um jogo ‘que vale três pontos’, ou que é tratado como ‘de vida e morte’, não permite. Além disso, também é uma oportunidade de aproximar os futebolistas, em atividade ou não, de referências de outros esportes. São muitas possibilidades”, afirma.O apelo comercial acompanha o engajamento do público. Patrocinadores representam cerca de 75 por cento das receitas da liga. No Brasil, são parceiros oficiais iFood, Adidas, Superbet, YoPRO Brasil e Mondelez. Já na Kings World Cup of Nations, aparecem marcas como McDonald’s, Red Bull, Spotify, Air Asia, Adidas, Iren, Città di Torino e Floki. Os outros 25 por cento vêm de ingressos, acordos de transmissão e merchandising.Leia Mais: Com CR7 de embaixador, Copa do Mundo de esportes eletrônicos paga prêmio de R$ 400 miA transmissão digital é um dos pilares do projeto. No Brasil, os jogos passam pela Cazé TV, que já registrou pico de quase 800 mil espectadores simultâneos em uma única partida. Em janeiro do ano passado, a final da Kings World Cup of Nations, vencida pelo Brasil sobre a Colômbia, alcançou mais de 3,5 milhões de aparelhos conectados, sendo cerca de 1,2 milhão no Brasil.“Em um cenário onde o engajamento digital se tornou tão valioso quanto a audiência televisiva, a Kings League Brasil se posiciona como um verdadeiro case de marketing esportivo. Sua transmissão via Twitch e YouTube, plataformas onde a interação com os fãs acontece em tempo real, representa uma mudança de paradigma na forma de consumir esporte”, avalia Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo.Para Thales Rangel Mafia, gerente de marketing da Multimarcas Consórcios, o formato cria oportunidades, mas também desafios. “A Kings League pode conectar marcas com a Geração Z, um público de difícil acesso. O desafio de fidelização, no entanto, é enorme. A lealdade é ao entretenimento, não à camisa. É uma audiência baseada em tendência, não em tradição. A Kings é meio, não fim”, aponta.Com planos ambiciosos, a liga anunciou em meados de 2024 uma arrecadação de US$ 65 milhões para acelerar sua expansão global. Em 2026, além do Brasil, haverá etapas na Alemanha, Itália, MENA, México e Espanha, com a presença de nomes como Marcelo, Robert Lewandowski, Christian Vieri, Wesley Sneijder, Lamine Yamal e personalidades do entretenimento e da internet como Fabrizio Romano, Whindersson Nunes e Diletta Leotta. A expansão para a Ásia também está no radar.Hoje, a Kings League soma mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, ultrapassa 85 milhões de visualizações no TikTok e acumula mais de 890 milhões de horas de conteúdo assistidas. Para Bruno Brum, CMO da Agência End to End, o sucesso vai além do jogo. “A Kings League é o exemplo perfeito de como o entretenimento esportivo pode ser reinventado com inteligência de marketing e conexão com o público. A expectativa para a final no Allianz Parque não é apenas pelo espetáculo dentro de campo, mas pela forma como o evento transforma torcedores em fãs engajados e marcas em protagonistas da experiência”, conclui.The post Com Ronaldo e Neymar na final, Kings League fica perto de recorde no Allianz Parque appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *