Com Selic inalterada, é hora de apostar em small caps e ações mais arriscadas?

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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic inalterada na reunião desta quarta-feira (28) confirmou o cenário amplamente esperado pelo mercado financeiro. Sem surpresas, a manutenção já é página virada para gestores e analistas, que se concentram em identificar ações que ainda podem ser consideradas descontadas, mesmo após recordes do Ibovespa.“Mesmo com alguma reprecificação, os múltiplos continuam abaixo das médias históricas”, pontua Ricardo Campos, CEO e CIO da Reach Capital. Ele lembra que “o que mais estimula a Bolsa hoje é o fluxo gigantesco de estrangeiros, que puxa, principalmente, as blue chips”.Especialistas entrevistados pelo InfoMoney destacam a importância de fugir da tentativa de acertar o momento exato da virada de juros. Antes, é necessário ter empresas que garantem estabilidade em qualquer cenário para ter segurança ao apostar em companhias de qualidade que seguem descontadas. Construção já é compra, varejo exige cautelaNesse contexto, muitos investidores olham para as empresas posicionadas em setores dependentes de uma Selic mais baixa e consumo aquecido. Para analistas, já não é possível tratar os setores cíclicos como um bloco único, já que cada um tem realidades diferentes atualmente. Fabio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, defende que faz sentido montar posições estratégicas no setor de construção civil, mas com foco específico no nicho de baixa renda. A tese se baseia no fato de que empresas como Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) operam com financiamento subsidiado pelo programa Minha Casa Minha Vida, o que as torna “praticamente imunes ao patamar atual da Selic”. Por outro lado, o varejo discricionário ainda exige cautela. Lemos pontua que o endividamento elevado das famílias e o alto custo financeiro continuam a pressionar as margens dessas companhias, sugerindo que entradas agressivas nesse setor devem aguardar sinais mais claros de alívio econômico.Hora de comprar small caps?O investimento em small caps tem aceitação entre os especialistas entrevistados pelo potencial de valorização no médio prazo. Rafael Espinoso, estrategista da Tivio Capital, explica que, historicamente, existe uma rotação de carteira nesses momentos: quando o Ibovespa “corre na frente”, a fase seguinte costuma ser marcada por um desempenho superior das empresas menores. A Tivio recomenda que as empresas menores tenham maior peso nas carteiras agora.A estratégia, no entanto, não é comprar qualquer empresa pequena. A seleção deve ser focada em qualidade e análise de fundamentos. Campos, da Reach Capital, destaca a Randon (RAPT3) como uma aposta de valor. Segundo ele, a empresa está muito barata, “refletindo um mau momento passado”, e deve ter melhoras “importantes” de balanço ao longo do ano.Bruno Corano, CEO da Corano Capital, aponta a Marcopolo (POMO4) como um destaque entre as small caps para os próximos 12 meses. Âncoras de estabilidadePara equilibrar o risco das apostas em small caps e construção, os especialistas sugerem manter uma parcela relevante do portfólio em “âncoras de estabilidade”, como Lemos define as empresas geradoras de caixa e com baixa alavancagem. Essas empresas podem trazer prejuízo temporário, alerta Rhuan Palma, especialista em investimentos. “É natural ver alguma realização nos papéis mais defensivos, parte do capital começa a migrar para ativos de maior risco, mas esse movimento não significa que as empresas geradoras de caixa deixaram de ser boas, apenas que o mercado começa a buscar assimetrias em outros lugares”. Em commodities, Fabio Lemos e Bruno Corano concordam na recomendação da Prio (PRIO3). A petroleira é citada por sua capacidade de crescimento orgânico da produção e pagamento de dividendos, combinando expansão com segurança. Lemos também cita a Vale (VALE3) como forte geradora de caixa e Petrobras (PETR4), com destaque para seus dividendos e baixa dependência do ciclo doméstico. O setor financeiro e de utilities também oferece proteção e ganho real. Para o sócio da Fatorial, o Itaú (ITUB4) tem uma ação sólida para carrego pela capacidade de atravessar “qualquer cenário de juros”. Para quem busca crescimento no setor, Ricardo Campos indica o Nubank (ROXO34).Para completar a carteira com ativos defensivos, Campos ainda sugere atenção a empresas como Orizon (ORVR3) e Eneva (ENEV3), que possuem receitas previsíveis. Corano reforça o coro nas elétricas indicando a Copel (CPLE6), enquanto Lemos lembra da BB Seguridade (BBSE3), que “se beneficia diretamente de juros elevados via resultado financeiro”. The post Com Selic inalterada, é hora de apostar em small caps e ações mais arriscadas? appeared first on InfoMoney.

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