As crises do petróleo da década de 1970 levaram a uma série de mudanças de políticas que ainda existem hoje. Por exemplo, foram criadas as faixas para veículos com múltiplos ocupantes para incentivar trabalhadores a compartilhar caronas. Um limite nacional de velocidade de 55 milhas por hora (88,5 km/h) garantiu que essas caronas não consumissem combustível em excesso. Os carros se tornaram mais eficientes em termos de combustível; passamos (temporariamente) a dirigir menos. Mas alguns especialistas dizem que essas medidas, somadas às adotadas durante o choque energético de 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, empalidecem diante do que estamos prestes a ver agora por causa da guerra no Irã.Leia também: Para CEO do JPMorgan, guerra no Irã é arriscada, mas pode estabilizar Oriente MédioNo início deste mês, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), organização intergovernamental com sede em Paris, liberou um volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo para conter a alta dos preços. O diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, que coordenou a liberação, finalmente rompeu seu silêncio de três semanas e fez um alerta sobre a magnitude dos danos causados pela guerra. Em uma entrevista na segunda-feira no National Press Club da Austrália, Birol disse que os líderes mundiais estão subestimando a crise energética, afirmando que o choque atual é pior do que os anteriores.“A gravidade do problema não foi devidamente compreendida pelos tomadores de decisão ao redor do mundo”, disse. “Para colocar em perspectiva, esta crise, como está agora: são duas crises do petróleo e uma crise do gás somadas.”Mesmo com o presidente Donald Trump dizendo no início da segunda-feira que os EUA estavam em negociações com o Irã — e que, portanto, evitariam atacar fontes críticas de energia pelos próximos cinco dias —, os preços do petróleo Brent na semana passada dispararam para acima de US$ 110 por barril. Após o anúncio do presidente, os preços do petróleo caíram cerca de 10%, mas permanecem teimosamente elevados. Economistas esperam que o choque do petróleo reverbere por toda a economia americana, podendo elevar os preços dos alimentos, comprometer a possibilidade de um corte de juros pelo Fed neste ano (enquanto aumenta a chance de alta), e até ameaçar paralisar a economia caso os preços cheguem a US$ 140 por barril.A década de 1970 mais a guerra na UcrâniaBirol detalhou os números por trás de sua afirmação, dizendo que as perdas já acumuladas são muito maiores do que as das crises do petróleo dos anos 1970 e da guerra na Ucrânia.“Muitos de nós lembramos das duas crises consecutivas do petróleo na década de 1970: 1973 e 1979”, disse. “Em cada uma delas, o mundo perdeu cerca de 5 milhões de barris por dia; somadas, são 10 milhões de barris por dia.”“E hoje, apenas até agora, já perdemos 11 milhões de barris por dia, ou seja, mais do que dois grandes choques do petróleo juntos.”Ele acrescentou que, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, os mercados de gás, especialmente na Europa, “perderam cerca de 75 bilhões de metros cúbicos (BMC). E agora, como resultado desta crise, perdemos cerca de 140 BMC, quase o dobro”.Além dos choques energéticos, Birol afirmou que a guerra está rompendo conexões com algumas das artérias vitais da economia global ao interromper outras cadeias de suprimentos críticas. Segundo ele, o conflito afetou o comércio de petroquímicos, fertilizantes, enxofre e hélio, alguns dos principais insumos da economia mundial. Por exemplo, cerca de metade do fornecimento global de ureia, um composto essencial para fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz, o que pode impactar os preços dos alimentos nos EUA nos próximos meses.“Se a interrupção ou a inflação dos fertilizantes elevar os preços do milho, isso será sentido em toda a cadeia de abastecimento de alimentos”, disse Ricky Volpe, economista agrícola e professor de agronegócio na Cal Poly, em entrevista recente à Fortune.Mesmo com Trump prometendo evitar ataques a fontes de energia por vários dias, Birol disse que já há muitas refinarias de petróleo, campos de gás e oleodutos danificados em nove países, o que significa que, mesmo quando a guerra terminar, pode levar algum tempo para que os preços do petróleo retornem aos níveis anteriores ao conflito.“Quarenta ativos de energia na região estão gravemente ou muito gravemente danificados”, disse. “Levará algum tempo para que esses ativos — esses campos de petróleo, campos de gás, refinarias e oleodutos — voltem à capacidade normal em que operavam antes da guerra.”2026 Fortune Media IP LimitedThe post Crise do petróleo é a pior, e líderes não estão preparados, diz agência global appeared first on InfoMoney.
