Apesar da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional após o início do conflito entre o Irã e os EUA, a Petrobras (PETR4) está atualmente cobrando um preço de diesel cerca de 35% abaixo da referência internacional, o maior desconto pelo menos desde 2022. Diante disso, investidores têm questionado se a estatal vai reajustar os preços domésticos do combustível e, em caso positivo, quando esse aumento poderia ocorrer. Embora o Goldman Sachs reconheça que há baixa visibilidade para a trajetória dos preços internacionais do diesel, especialmente diante das incertezas provocadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio, o banco analisa a questão à luz da governança corporativa e do histórico de reação da Petrobras em períodos anteriores de alta do preço internacional.Leia tambémTrack&Field (TFCO4) X Grupo SBF (SBFG3): qual se saiu melhor no 4T?Resultados mostram crescimento de receita nas duas varejistas, mas com desempenho diferente em margens e lucroPetrobras, PRIO, Brava: ações caem seguindo petróleo após novas sinalizações de TrumpNa véspera, as cotações do petróleo tiveram uma virada após o fechamento dos mercados após Donald Trump, presidente dos EUA, ter sinalizado que o conflito com o Irã poderia terminar em breveDe forma geral, o banco avalia que, se os preços internacionais permanecerem nos níveis atuais, um aumento no preço do diesel no Brasil deve ocorrer nos próximos dias ou semanas. “Desde que a atual administração federal assumiu em 2023, a Petrobras não tem repassado imediatamente a volatilidade dos preços internacionais para os preços domésticos, o que na prática gera um atraso nos ajustes”, lembra.O Goldman Sachs observa que, desde 2023, a Petrobras manteve o preço do diesel mais de 20% abaixo da paridade internacional apenas uma vez. Em agosto de 2023, a companhia chegou a praticar preços cerca de 30% abaixo da referência internacional. Ainda desde 2023, a estatal aumentou o preço do diesel apenas três vezes, quando o desconto médio do preço doméstico em relação ao internacional era de cerca de 15%.O banco também destaca notícias recentes sobre possível escassez de diesel no Brasil, lembrando que cerca de 25% da oferta de diesel no país depende de importações, enquanto aproximadamente 75% é fornecido por refinarias locais. Caso o desconto entre o preço doméstico e o internacional permaneça elevado por muito tempo, importadores independentes podem deixar de trazer produto ao país por falta de rentabilidade, o que pode gerar riscos para o abastecimento, segundo relatório. Em 2022, dinâmica semelhante ocorreu após a disparada dos preços internacionais, levando a Petrobras a ajustar os preços locais após surgirem notícias sobre risco de escassez.O Goldman Sachs acrescenta que a estrutura de governança da Petrobras tende a evitar um cenário de ausência prolongada de reajustes. Pelas regras da companhia, caso sejam adotadas práticas comerciais diferentes das que uma empresa privada adotaria — como vender combustíveis significativamente abaixo da paridade internacional — isso precisaria ser respaldado por lei ou regulamentação. Além disso, o estatuto da Petrobras prevê que eventuais subsídios aos preços dos combustíveis devem ser compensados pelo governo.O banco ressalta ainda que, se a Petrobras mantiver os preços muito abaixo da paridade por um período prolongado, a companhia precisaria posteriormente praticar preços acima da paridade por algum tempo para equilibrar a média ao longo do período de referência definido pelos reguladores.Por fim, o Goldman Sachs reiterou recomendação de compra para as ações da Petrobras, com preço-alvo de R$ 39,40 por ação ordinária e de R$ 36,60 por papel preferencial, citando a expectativa de dividend yield (dividendo sobre preço da ação) de dois dígitos baixos na curva projetada para 2027.The post Diesel da Petrobras está 35% abaixo do preço internacional – Goldman vê alta em breve appeared first on InfoMoney.
