Do papel milimetrado à IA: a evolução técnica do trader Flávio Lemos

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Conteúdo XPA trajetória de um dos nomes mais influentes da análise técnica no Brasil começou longe dos gráficos modernos e dos algoritmos que hoje dominam o mercado.Formado em engenharia pela UFRJ, Flávio Lemos iniciou a carreira mergulhado em balanços, fundamentos e relatórios físicos — e foi justamente uma operação frustrada que o empurrou para o mundo dos gráficos. “A ação da empresa custava por volta de 50 centavos. Ela ficou meses parada, oscilava em 50, 48, 45, 51, não saía daquilo”, relata.Essa experiência marcou o início de uma nova fase. Convidado do episódio 11 da 3° temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Lemos explicou como a busca por precisão, timing e leitura ampla do mercado o levou do papel milimetrado a abraçar a evolução das tecnologias que vão das médias móveis à inteligência artificial.As raízes da análise técnicaAntes de se tornar referência internacional, Lemos viveu a transição entre a era analógica e os primeiros sinais da digitalização no mercado. Ele relembra que, no início, todo cálculo era manual: estocástico, força relativa, MACD — tudo feito à mão, sem atalhos. “Antigamente os primeiros indicadores eram todos calculados na mão. Era uma trabalheira incrível”, afirma.O ambiente também era outro. Analistas desenhavam gráficos em papel milimetrado dentro do pregão, acompanhando ponto a ponto o comportamento de preços. “O pessoal ficava no pregão fazendo gráficos com papel milimetrado”, relembra.Esse contato com a base estrutural da análise técnica moldou o olhar que ele levaria para as décadas seguintes, unindo fundamentos, padrões gráficos e psicologia de mercado.Da frustração ao CMT: o caminho para o padrão globalA virada ocorreu quando percebeu que só o fundamento não respondia à pergunta essencial: quando agir. A busca pelo timing perfeito — ausente na experiência com as ações da Embraco — o levou a estudar gráficos obsessivamente e, mais tarde, trabalhar nos Estados Unidos. Lá, aprofundou-se até obter a certificação CMT, uma das mais respeitadas do mundo. “Fiz o CMT, que eu acho que é uma coisa que todo mundo deveria fazer”, afirma.De volta ao Brasil, o conhecimento internacional abriu espaço para iniciativas pioneiras. Em 2004, Lemos criou o Expo Trader Brasil, trazendo nomes como John Bollinger, Steve Nison.A partir desses eventos, nasceu também a Trader Brasil, escola que soma 24 anos formando analistas, traders de bancos e investidores. “Hoje a gente já tem 24 anos de estrada na Trader do Brasil. É o meu filho mais velho né”, explica.Leia mais: Eduardo Custódio, único brasileiro do Wyckoff SMI, explica como lê o mercadoO impacto dos livros técnicosOutra contribuição marcante veio da literatura. Após firmar acordo com a APIMEC e participar da formulação da primeira prova para analista técnico no Brasil, Lemos escreveu o primeiro livro nacional oficialmente recomendado para candidatos ao CNPI. A obra se tornou referência para estudantes, profissionais e casas de análise. “Eu fiz o primeiro livro brasileiro voltado para a prova. O livro já está na quarta edição”, observa.Esse trabalho consolidou sua posição como um dos principais responsáveis por trazer padronização, formação estruturada e rigor técnico ao mercado brasileiro, estabelecendo uma base oficial de estudo para certificações e fortalecendo a profissionalização da análise técnica no país.Publicado em 2008, o livro ganhou novas edições à medida que o exame evoluiu, tornando-se um marco na consolidação do ensino formal da análise técnica no Brasil. A atualização contínua da obra reforça o compromisso de Lemos com a profissionalização do mercado e com a formação de novos analistas. “Os livros surgiram em 2008”, observa.A evolução dos gráficos no BrasilCom décadas de atuação, Lemos viu a análise técnica dar saltos significativos. Do gráfico de candles — cujo primeiro registro remonta ao século XVIII (por Munehisa Honma) — até perfis mais sofisticados como Renko e Market Profile, a leitura visual do mercado mudou radicalmente.Para ele, mais importante que o tipo de gráfico é compreender a lógica que movimenta o preço, observando como investidores reagem coletivamente a estímulos do mercado e como essas decisões moldam padrões ao longo do tempo. “O gráfico funciona porque retrata a psicologia das massas refletida nos preços”, afirma.Ele também destaca a diferença entre operar nos anos 1990 e atuar hoje, em um ambiente com softwares robustos, dados em tempo real e ferramentas acessíveis. “Hoje em dia a gente tem computador quântico, computador rodando em nuvem, você tem um acesso às informações muito mais rápidas, cotações de vários ativos, tudo online, tudo fácil, até gratuito”, explica.Leia também: Minério, petróleo e VIX: o trio que pode definir o trade de abertura da bolsaQuando a IA entra em cenaO passo mais recente da evolução técnica veio com a ascensão da inteligência artificial. Lemos conta que passou a programar em Python depois de assistir a uma palestra de John Bollinger, criador das Bandas de Bollinger. O impacto foi imediato e mudou sua forma de operar. “Ele falou: ‘Just ask ChatGPT’. Aquilo me deu um estalo”, relata.Impulsionado por esse insight, passou a implementar rotinas automatizadas, ajustes dinâmicos de indicadores e sistemas quantitativos que analisam simultaneamente milhares de ativos, ampliando a precisão e eliminando vieses emocionais.Para ele, a IA funciona como um auxiliar poderoso na captura de padrões e no teste de novas hipóteses. “Eu rodo uma opção de coisa em Python, inteligência artificial, que me ajuda bastante, é o meu estagiário”, conclui.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Do papel milimetrado à IA: a evolução técnica do trader Flávio Lemos appeared first on InfoMoney.

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