À medida que a temperatura continua a subir entre a Enel, a sociedade, os governos locais e o governo federal, a XP Investimentos avalia que a pressão sobre a companhia não é apenas social, mas também política.Com deterioração relevante na percepção de qualidade por parte dos consumidores, mensurada por indicadores como DEC/FEC e NPS da concessão (IASC), a companhia corre o risco de ter os processos de renovação em São Paulo e no Ceará revogados. Esse cenário poderia acelerar um cronograma de desinvestimento como alternativa para maximizar a geração de caixa.Leia tambémBBI projeta 4T de ações de saúde, eleva Mater Dei à compra e Rede D’Or é a preferidaBBI espera que Rede D’Or (RDOR3) e Mater Dei (MATD3) sejam os destaques do trimestreGrupo Ultra (UGPA3) contrata assessor para vender rede de postos Ipiranga, diz jornalTotalEnergies, Saudi Aramco e a J&F Investimentos estariam em conversas com o Grupo UltraO custo de permanecer versus o custo de sairNesse contexto, a XP entende que as opções da Enel estão cada vez mais restritas e que o desinvestimento tende a ser a alternativa mais provável, à semelhança do que ocorreu com a CELG. Partindo da premissa de que a venda é praticamente inevitável, a questão central passa a ser como maximizar o valor dos ativos. A Enel SP é vista como a joia da coroa, Ceará como ativo potencialmente atrativo e Rio de Janeiro como operação com menor apelo. O relatório busca avaliar como a companhia poderia estruturar o portfólio para extrair maior valor.Potencial transformacional para compradoresConsiderando os ativos em um cenário “as is” (“como está”), a XP estima EV (Valor da Firma) total das distribuidoras em torno de R$ 40 bilhões, equivalente a 1,0 vez EV/RAB (Valor da Firma sobre Base de Ativos Regulatória) em 2026.Em um cenário alternativo, com melhorias operacionais e compressão do custo de capital, o valor poderia alcançar R$ 64 bilhões em EV, ou 1,6 vez EV/RAB em 2026, implicando potencial adicional de criação de valor de R$ 24 bilhões.Leia tambémEnel: Só ‘Jesus Cristo’ resolverá apagões em SP se quedas de árvores persistiremFlavio Cattaneo, CEO da empresa, afirmu que empresa tem feito tudo que é ‘humanemente’ possível para restabelecer energia após tempestadesEnel não tem interesse em vender distribuidora de energia de São Paulo, diz CEOCEO da companhia afirma que grupo não teme ação da Aneel e defende ser ilegal inclusão de apagão recente em análise jurídica sobre perda de contratoOs VPLs (valor presente líquido) estimados variam de 6% a 36% do valor de mercado das empresas, a depender dos preços de aquisição.Potenciais compradores e capacidade de balançoEntre as empresas listadas sob cobertura da XP Investimentos, Equatorial Energia (EQTL3), CPFL Energia (CPFE3), Energisa (ENGI11) e Copel (CPLE3) são vistas como candidatas naturais aos ativos.Com exceção da Copel, a XP avalia que as demais poderiam realizar uma aquisição 100% em caixa da Enel SP até múltiplos entre 1,4 vez e 1,5 vez EV/RAB.Segundo relatório, apenas a CPFL Energia teria espaço para ir além desse patamar sem necessidade de aumento de capital, considerando diferentes níveis de alavancagem-alvo e o grau de conforto de cada administração com o nível de endividamento.Caso a Enel optasse por empacotar RJ com SP em eventual venda, a XP não vê, isoladamente, capacidade de balanço suficiente em nenhuma companhia para absorver o conjunto. Além disso, a maior parte das empresas dispõe de caixa limitado para aportar equity, o que exigiria rapidez na captação de volumes relevantes de dívida em um curto espaço de tempo.The post E se a Enel deixar suas concessões pelo Brasil? XP traça cenários para setor elétrico appeared first on InfoMoney.
