Em um ambiente marcado por volatilidade e excesso de informações de curto prazo, a Ágora Investimentos avalia que o verdadeiro diferencial para o investidor está na identificação de vantagens competitivas duráveis, conhecidas no mercado como moats. Segundo a equipe de estratégia do banco, são essas estruturas profundas que permitem que determinadas empresas atravessem ciclos econômicos adversos com maior previsibilidade e resiliência.Em relatório, a Ágora aponta que, na Bolsa brasileira, alguns casos ilustram de forma clara esse tipo de vantagem. No setor de telecomunicações, Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) operam sobre ativos escassos e de difícil replicação, como espectro e redes de infraestrutura intensivas em capital. Já na infraestrutura financeira, a B3 (B3SA3) se beneficia de um efeito de rede que cria barreiras praticamente intransponíveis para novos entrantes.Outros exemplos citados incluem a Rumo (RAIL3), apoiada em concessões ferroviárias de longo prazo, e empresas de serviços essenciais como Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3) e Copel (CPLE3), cujos ativos regulados e escala operacional garantem estabilidade mesmo em cenários mais desafiadores.Leia tambémVisões paralelas? “Gringos” compram e locais vendem ações na B3; BBI vê oportunidadeEnquanto estrangeiros ampliam exposição e enxergam a região como refúgio relativo em meio à volatilidade global, investidores elevam posição em caixaO relatório também destaca uma distorção relevante no mercado acionário. A relação entre o índice de small caps da B3 e o Ibovespa atingiu o menor patamar desde 2009, refletindo a concentração de fluxos estrangeiros e passivos nas ações de maior peso e liquidez. Com isso, parte significativa das empresas menores permanece fora do radar, apesar de fundamentos sólidos.Para a Ágora, essa assimetria tende a se transformar em oportunidade à medida que o ciclo local avance, especialmente em um contexto de queda de juros. Diferentemente do investidor passivo, o institucional doméstico tem capacidade de realizar um trabalho mais artesanal de seleção de ações, capturando valor justamente onde a liquidez e a reprecificação chegam de forma mais gradual.Em estudo recente, o Itaú BBA também apontou os chamados economic moats, conceito popularizado por Warren Buffett, destacando que apenas 24% das empresas listadas em bolsas na América Latina exibem vantagens competitivas realmente sustentáveis. Segundo o documento, 61 companhias passaram pelos filtros de retorno acima do custo de capital e estabilidade de participação de mercado. O Brasil aparece como o país mais representado, com 59% das empresas classificadas.Além disso, trouxe uma lista das dez ações de maior destaque, combinando valuation atrativo e forte momento de resultados: Coca-Cola Femsa, Banorte, Banco de Chile, Credicorp, BTG Pactual (BPAC11), B3 (B3SA3), Cury (CURY3), GPS (GGPS3), Mercado Livre (BDR: MELI34) e Rede D’Or (RDOR3). Seis delas são brasileiras ou com muita participação no Brasil, caso do Mercado Livre. The post Em meio à incerteza, ações com “moat” têm destaque na B3: o que são e quais são elas? appeared first on InfoMoney.
