As ações da Embraer (EMBJ3) desabaram 11,01% na última quinta-feira (12), acumulando perdas de 19,56% em março e 15,65% no acumulado do ano. Já os ADRs (recibo de ações negociado na Bolsa de Nova York) ERJ fecharam em queda de 12,92% na véspera, representando o nono pior desempenho dos últimos 10 anos.Analisando os 10 piores dias de desempenho das ações da Embraer nos últimos 10 anos, 7 ocorreram durante a COVID-19 (os 3 piores em março de 2020, após os lockdowns). O preço das ações superou a correção após 30 dias em 3 das 10 maiores correções, com uma média de alta de 4%, e também 3 vezes nos 90 dias seguintes, com uma média de alta de 6%.Na visão do JPMorgan, o movimento de queda da véspera foi exagerado e segue com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 109 para EMBR3 e US$ 84 para o ADR EMBJ.Os analistas do banco americano apontam que a principal preocupação dos investidores reside no potencial atraso ou cancelamento da carteira de pedidos da empresa, atualmente em US$ 31,6 bilhões, sendo US$ 14,5 bilhões ou 459 aeronaves na categoria de aviação comercial. Isso em função da alta dos preços do petróleo em meio ao conflito no Irã e de uma possível crise no segmento aeroespacial. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa abre em alta, com exterior, inflação nos EUA e serviçosPrincipais índices nos EUA abrem com altas, com petróleo recuando“De acordo com nossos cálculos, uma contração de aproximadamente 11% no valor patrimonial da empresa implica um corte de cerca de 25% em sua carteira de pedidos de aviação comercial”, aponta a equipe de analistas.Além disso, para uma revisão para baixo de 12% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) deste ano e do próximo, precisaria observar uma redução de 20% nas entregas, tanto para aviação comercial quanto executiva. O banco vê a Embraer negociando a 8,9 vezes o múltiplo de EV (valor da firma)/Ebitda esperado para 2026, contra 11,2 vezes da Air France, 36,1 vezes da Boeing e 12,8 vezes da Bombardier.Os analistas do JPMorgan apontam que, cada redução de 5% nas entregas de aeronaves comerciais em relação às suas estimativas atuais representa uma contração de aproximadamente 1% no Ebitda deste ano. O cenário base é a entrega de 83 aeronaves em 2026 e 90 em 2027.Cada redução de 5% nas entregas de aeronaves executivas em relação às suas estimativas atuais representa uma contração de aproximadamente 5% no Ebitda deste ano. “Nosso cenário base é a entrega de 165 aeronaves este ano e 175 em 2027”.Sobre a carteira de pedidos de aeronaves comerciais apontam que cada baixa de 5% na carteira de pedidos de aeronaves comerciais representa uma contração de 2% no valor patrimonial da empresa (considerando uma dívida líquida de US$ 109 milhões no final de 2025, excluindo a Eve). Atualmente, a empresa possui uma carteira de encomendas de 7 jatos relacionados a companhias aéreas do Oriente Médio (Salam Air e Royal Jordanian) e 50 jatos relacionados a novas companhias aéreas (Avelo), cujas operações podem ser atrasadas ou impactadas por preços mais altos do petróleo. Esses cerca de 57 jatos, a preços de tabela, totalizam cerca de US$ 4,8 bilhões em carteira de encomendas, mas provavelmente representam US$ 3 bilhões em receitas potenciais (considerando um desconto de cerca de 40%).The post Embraer: faz sentido ação ter desabado 11% na 5ª? JPMorgan vê movimento exagerado appeared first on InfoMoney.
