O Ministério da Educação (MEC) publicou, na terça-feira (17), medidas contra 57 cursos de medicina — sendo 53 privados — que obtiveram notas 1 ou 2 (insatisfatórias) no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). As sanções variam de acordo com o desempenho dos cursos, medido pela proporção de alunos concluintes considerados proficientes.Cursos com nota 1 e menos de 30% de alunos proficientes estão proibidos de abrir novas vagas imediatamente. Já aqueles com desempenho entre 30% e 40% deverão reduzir em 50% o número de vagas autorizadas. Para cursos com nota 2, a redução obrigatória é de 25% quando a taxa de proficiência fica entre 40% e 50%, enquanto aqueles entre 50% e 60% não poderão solicitar aumento de vagas.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai na abertura com decisões sobre juros em focoÍndices futuros dos EUA avançam à espera de decisão do FED Além disso, todos os cursos privados com notas 1 e 2 ficarão sob supervisão e não poderão expandir vagas nem firmar novos contratos em programas federais como Fies e Prouni.O Goldman Sachs avaliou que as sanções aplicadas pelo Ministério da Educação ao ensino médico no Brasil têm impacto levemente negativo para o setor. Embora as sanções já fossem esperadas após a divulgação dos resultados do Enamed em janeiro, a implementação imediata surpreendeu o mercado, que esperava efeitos apenas no próximo ciclo de ingressos.O banco estima impacto nas empresas sob cobertura, com redução de cerca de 3% das vagas da Cogna (COGN3), 5% da Ânima (ANIM3), 5% da Afya e 15% da Yduqs (YDUQ3), o que deve afetar ao menos o ciclo de ingressos do segundo semestre de 2026. O primeiro semestre já está praticamente concluído.Além disso, o Goldman Sachs destaca que seguirá monitorando possíveis efeitos indiretos, como o impacto negativo da repercussão do tema na mídia sobre a demanda futura por cursos de medicina.O Morgan Stanley, por sua vez, avalia que as sanções impostas ao setor de educação médica já estavam em linha com anúncios anteriores e, portanto, com suas projeções para 2026.O banco estima um impacto de 0% a 1% na receita no primeiro ano, considerando que as penalidades permaneçam por um ano completo, o equivalente a dois ciclos de captação. As companhias mais expostas seriam Afya (1,0%), Yduqs (0,8%) e Ser Educacional (SEER3; 0,8%), enquanto a Anima Educação (0,4%) deve ter impacto moderado. Para Cogna, Cruzeiro e Vitru (VTRU3), o efeito tende a ser próximo de zero.Como o ciclo de captação do primeiro semestre de 2026 já foi concluído — e representa a maior parte das vagas do ano — o impacto em 2026 deve ser limitado. Ainda assim, o Morgan Stanley alerta que efeitos acumulados no longo prazo podem ser relevantes caso as instituições não consigam reverter as penalidades nos anos seguintes.Além disso, o Morgan Stanley destaca que cursos de medicina geralmente têm margens mais elevadas, o que implica que o impacto sobre EBITDA e lucro pode ser maior do que o efeito estimado de 0% a 1% sobre a receita no primeiro ano.CognaO Goldman Sachs tem recomendação de compra para Cogna, com preço-alvo de R$ 5, baseado em modelo de fluxo de caixa livre para a firma (FCFF) em 10 anos, considerando custo médio ponderado de capital (WACC) de 12,7% e crescimento na perpetuidade de 4,5%.Entre os riscos de queda, o Goldman Sachs destaca a geração de caixa operacional abaixo do esperado, devido a menor eficiência na cobrança em programas de educação profissional e alunos pagantes, maior evasão ou menor captação no ensino a distância, deterioração inesperada da inadimplência e possíveis impactos negativos de um novo marco regulatório para o ensino digital.ÂnimaPara a Anima Educação, a recomendação do Goldman também é de compra, com preço-alvo de R$ 5,50, baseado em FCFF de 10 anos, WACC de 15% e crescimento na perpetuidade de 3%.Apesar da perspectiva de geração de caixa, o banco ressalta que a alavancagem ainda é elevada frente aos pares, o que torna os juros altos um risco relevante. No operacional, o principal risco é uma captação mais fraca que o esperado, o que pode aumentar a volatilidade das ações e pressionar a rentabilidade.YduqsO Goldman Sachs manteve recomendação neutra para Yduqs, com preço-alvo de R$ 15, também com base em FCFF de 10 anos, WACC de 11% e crescimento na perpetuidade de 3,5%.Entre os potenciais de alta, estão uma captação ou ticket médio acima do esperado nos segmentos presencial e EAD, além de melhor geração de caixa operacional. Já os riscos incluem aumento da inadimplência, maiores gastos com marketing, geração de caixa abaixo do esperado e cortes de juros mais lentos, o que pode pressionar as estimativas de lucro.AfyaPara a Afya, a recomendação do Goldman é de venda, com preço-alvo de US$ 16, baseado em FCFF de 10 anos, WACC de 12% e crescimento na perpetuidade de 4%.O principal potencial de alta estaria ligado a eventuais aquisições (M&A), que poderiam acelerar o crescimento da receita e expandir a rentabilidade por meio de ganhos de sinergia, embora esse cenário ainda não esteja incorporado nas estimativas do banco.The post Enamed: punições a cursos com notas baixas têm impacto limitado nas ações de educação appeared first on InfoMoney.
