Entenda o embate entre Marina e a cúpula do partido Rede, ligada a Heloísa Helena

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A disputa entre o diretório nacional da Rede Sustentabilidade e a ala do partido ligada à ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva ganhou novos contornos. Em nota divulgada na noite de terça-feira, a direção da sigla, comandada por Paulo Lamac, aliado da deputada federal Heloísa Helena, disse ter recebido com “indignação e perplexidade” o anúncio de Marina, no fim de semana, de que permanecerá na legenda. O grupo acusa a ambientalista de recusar-se a dialogar com a instância máxima da Rede e alega que, em nenhum momento, sugeriu o desligamento da aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Após meses de indefinição, Marina, que recebeu convites do PT e do PSB, afirma ter optado por permanecer para “retomar valores basilares” do partido. Mesmo com conflitos internos que provocaram a debanda de aliados, a ex-ministra repetia nos bastidores que lutaria “até o fim” para manter-se na sigla que ajudou a fundar, mas o calendário eleitoral poderia ser um obstáculo.Leia tambémRede reage com ‘indignação’ à permanência de Marina e a acusa de não dialogarEm nota divulgada na terça-feira, 7, o partido afirmou ter recebido o anúncio com “indignação e perplexidade”Na nota, o diretório nacional da Rede rebate o argumento do grupo de Marina, que acusa o comando do partido de desrespeitar o “princípio horizontal estruturante” da legenda na tomada de decisões. A cúpula afirma ter sido eleita de “forma democrática”.“A Rede não tem dono. É um partido construído para conviver com divergências, sem submissão a vontades individuais. Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna. Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas”, sustenta a direção do partido.— No fundo, a nota da direção atual da Rede termina por reforçar o que tenta negar. Mas nós seguimos acreditando que a boa política se faz com a pluralidade de pensamentos — disse ao GLOBO na quarta-feira Giovanni Mockus, aliado de Marina derrotado por Lamac na eleição interna.Intenção de se candidatar persisteA Rede, que compõe uma federação com o PSOL, reforçou o apoio à campanha do presidente Lula à reeleição e à do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. Marina se colocou à disposição para ser o segundo nome ao Senado na chapa de Haddad, mas o martelo ainda não foi batido.Em entrevista a Míriam Leitão, na GloboNews, Marinaafirmou que a questão interna da Rede não inviabiliza sua candidatura. A ex-ministra disse que é normal existir discordâncias dentro de partidos, mas não que “alguém queira que uma parte silencie diante das divergências”.— Eu não posso permanecer fazendo de conta que vários diretórios legitimamente eleitos não foram dissolvidos e foram impostas direções provisórias. Eu não posso negar que existem divergências em relação ao programa, ao estatuto, aos princípios fundantes pelos quais milhares e milhares de pessoas se mobilizaram para coletar assinaturas — argumentou Marina.A ex-ministra chegou a se reunir com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em janeiro, quando foi convidada a retornar à legenda, que deixou em 2009.Rompimento em 2022O tensionamento da relação de Marina com lideranças da Rede se aprofundou em abril do ano passado, após a eleição para a presidência nacional do partido, vencida pelo grupo de Heloísa Helena. A deputada está rompida com a ex-ministra desde 2022 e, atualmente, faz oposição ao governo Lula no Congresso.Aliados de Marina publicaram, em dezembro, um manifesto no qual criticam a direção nacional da sigla por mudanças no estatuto partidário. No documento, também afirmavam haver perseguição interna contra a ambientalista.Nomes próximos da ex-ministra optaram por deixar a sigla na janela partidária. Em São Paulo, a deputada estadual Marina Helou, por exemplo, migrou para o PSB, assim como o deputado federal Ricardo Galvão. Por outro lado, o partido comandado por Lamac anunciou nos últimos dias a chegada de novos quadros, como os deputados federais André Janones (MG) e Luizianne Lins (CE), que estavam filiados ao Avante e PT, respectivamente.A disputa interna teve desdobramentos jurídicos, até agora, favoráveis a ala de Marina. Em janeiro, a Justiça do Rio anulou o congresso nacional da Rede que culminou na vitória de Lamac. O juiz Marco Antônio Ribeiro de Moura Brito reconheceu a existência de irregularidades graves no processo de convocação, credenciamento e votação em um encontro municipal da legenda. A decisão também declarou nulos, por consequência, outros encontros no estado do Rio, em outros entes federativos e em escala nacional, incluindo o que determinou a vitória do aliado de Heloísa Helena.The post Entenda o embate entre Marina e a cúpula do partido Rede, ligada a Heloísa Helena appeared first on InfoMoney.

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