As polícias do Rio explicaram, nesta quarta-feira, os motivos para não terem usado helicópteros durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, na terça-feira, que deixou ao menos 119 mortos — sendo 115 suspeitos de integrarem o tráfico e quatro policiais militares e civis. A ação já é considerada a mais letal da história da capital fluminense.Segundo o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, a decisão foi tomada para “preservar a integridade dos agentes” que atuavam na área de mata, onde se concentrou o confronto. O uso de aeronaves, afirmou ele, poderia expor as equipes a disparos de criminosos posicionados em pontos altos da mata, o que aumentaria o risco de feridos.Leia tambémPF foi avisada sobre operação no Rio, mas recusou participar por “divergência”Declaração de Andrei Rodrigues contradiz fala de Lewandowski; operação deixou ao menos 121 mortosSenado instalará CPI do crime organizado após operação no Rio com mais de 120 mortosComissão deve investigar avanço de facções e possível envolvimento de agentes públicos com o crime— A exposição dos policiais em aeronaves que estivessem sobrevoando a mata poderia causar um risco muito grande de feridos, explicou Santos — Optamos por deslocar o contato com os criminosos para a área de mata, onde eles efetivamente se escondem e atacam os policiais. A opção foi feita para preservar a vida dos moradores — completou.O secretário afirmou ainda que, embora as aeronaves não tenham participado diretamente do combate, elas foram utilizadas para registrar imagens e dar apoio logístico às equipes em solo.— São fartas as imagens feitas que apoiaram a operação — disse Santos.A operação, que durou dois dias e foi planejada durante 60 dias, contou com uma estratégia descrita pelo secretário de Polícia Militar, Marcelo Menezes, como o “muro do Bope” na área de mata anexa às favelas. Outros batalhões se posicionaram nas outras entradas das favelas e foram subindo, “empurrando” os traficantes para a região sem moradias, conhecida como rota de fuga dos criminosos.O comandante da PM ainda disse que quem quis se entregar, foi preso. E ressaltou que os agentes observaram que roupas táticas foram retiradas dos corpos levados para a praça do Complexo da Penha.— Incluímos a incursão de tropas do Bope para a parte mais alta da mata da Misericórdia criando um muro do Bope, fazendo com que os marginais fossem empurrados para a área mais alta pelas outras incursões. Nosso objetivo principal era proteger as pessoas de bem da comunidade. A maioria do confronto se se deu na área de mata, onde a nossa tropa estava disposta, e foi uma opção dos marginais — diz ele.O secretário de Segurança Pública Victor Santos afirmou que levar o confronto para a área de mata da favela foi uma estratégia para preservar vidas inocentes e que o “a alta letalidade era previsível, mas não desejada”. O secretário ainda repetiu a fala do governador Cláudio Castro (PL) e disse que as únicas vítimas foram os policiais mortos na operação.— Optamos por deslocar o contato com os criminosos para a área de mata, onde eles efetivamente se escondem e atacam os policiais. A opção foi feita para preservar a vida dos moradores. Tivemos um dano colateral pequeno, quatro pessoas feridas inocentes feridas, sem gravidade. Não utilizamos aeronave para não expor os policiais que estavam na área de mata. Essa alta letalidade que se verificou durante a operação, ela era previsível, mas, obviamente, não era desejada — disse. The post Entenda por que não foram usados helicópteros na megaoperação do Alemão e da Penha appeared first on InfoMoney.
