“Estímulos como isenção de IR desafiam corte da Selic”, diz economista do Barclays

Blog

Além do mercado de trabalho aquecido e da inflação de serviços resistente, uma série de medidas governamentais darão fôlego extra à atividade em 2026 e impõem um desafio adicional para o Banco Central iniciar o ciclo de afrouxamento da Selic, a taxa básica de juros. A avaliação é de Roberto Secemski, economista-chefe para o Brasil do Barclays, que continua a esperar o primeiro corte a partir de março.Leia tambémBoletim Focus: inflação esperada para 2025 para de cair e fica em 4,55%Projeções para câmbio, PIB e Selic para 2025 também ficaram estáveisA seguir, os principais trechos da entrevista:O sr. elevou a estimativa para alta do PIB em 2026, de 1,7% a 2%, devido principalmente a políticas fiscais expansionistas. Como o quadro de atividade mais resiliente e política fiscal mais frouxa afeta os próximos passos para a política monetária?O principal ponto é que não são apenas medidas fiscais, é uma combinação de programas de caráter mais expansionista que se materializam ao longo dos próximos trimestres. Levantamos ao todo R$ 225 bilhões no ano que vem que poderiam de alguma forma adentrar a economia: um impulso relevante de crédito habitacional, seja via Minha Casa, Minha Vida ou Sistema Financeiro Habitacional (SFH), inclusive agora com o programa Reforma Casa Brasil, com linhas subsidiadas, e a isenção do Imposto de Renda (IR) para salários de até R$ 5 mil – que, ainda que seja fiscalmente neutra, não é neutra do ponto de vista de consumo -, entre outras iniciativas do governo. Tudo isso sugere uma sustentação da economia que pode ser relevante e mantém o PIB rodando acima de seu potencial por mais algum tempo. Esse número de R$ 225 bilhões impressiona, e há uma dificuldade em medir quanto se traduz em impulso à atividade, mas tudo isso sugere um ambiente em que parte do esforço da política monetária seguirá neutralizado, de certa forma, por iniciativas de cunho expansionista, o que enseja espaço relativamente pequeno para redução dos juros.Quão pequeno é esse espaço que o sr. menciona?Eu projeto 2,25 pontos porcentuais de corte da Selic no ano que vem, começando em março e indo até setembro, o que considero um ciclo de afrouxamento restrito. As condições monetárias em geral seguirão apertadas, com transmissão para a atividade nos próximos trimestres, então há fatores que apontam em direções diferentes atuando sobre a atividade econômica.Além destas medidas com efeito positivo na atividade, há outros fatores que impedem um corte antes de março e redução maior da Selic?É incontestável que a atividade econômica e a inflação têm evoluído na direção esperada da política monetária. A questão é se estão enfraquecendo mais rápido do que o esperado. Acho que, para justificar um adiantamento de planos de corte, não. Quando olhamos a atividade em detalhes, a desaceleração não está sendo acompanhada de enfraquecimento do mercado de trabalho. Há sinais tênues de que um ponto de inflexão está próximo: a taxa de desemprego deixou de cair, mas não está subindo.The post “Estímulos como isenção de IR desafiam corte da Selic”, diz economista do Barclays appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *