Os Estados Unidos alertaram formalmente a África do Sul para não pressionar pela emissão de uma declaração conjunta na cúpula do Grupo dos 20 (G-20) neste fim de semana em Joanesburgo, que o governo Trump está boicotando, segundo um documento visto pela Bloomberg.O impasse diplomático é particularmente constrangedor, já que é a primeira vez que o continente africano sedia um G-20, e o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa passará o bastão para o presidente dos EUA, Donald Trump, no final deste ano.As tensões entre os dois líderes chegaram ao ápice em uma reunião no Salão Oval em maio, quando Ramaphosa teve que suportar uma repreensão diante das câmeras. Trump intensificou a disputa ao anunciar que não participaria da cúpula e seguiu com um boicote completo ao evento.Os EUA se opõem abertamente à presidência da África do Sul no G-20 e à sua agenda central de solidariedade, igualdade e sustentabilidade — parte do esforço de Ramaphosa por uma ordem mundial mais inclusiva. Isso se soma às falsas acusações de Trump de que Pretória estaria cometendo genocídio contra os Afrikaners brancos e expropriando terras.“A ausência de Washington nega seu papel nas conclusões do G20”, disse por telefone na quarta-feira o porta-voz do ministério das Relações Exteriores da África do Sul, Chrispin Phiri. “Não podemos permitir que a coerção por ausência se torne uma tática viável. Isso é uma receita para a paralisia institucional e o colapso da ação coletiva.”Na comunicação diplomática entregue em 15 de novembro, os EUA afirmaram que não participariam das negociações preparatórias antes da cúpula, nem do encontro dos líderes mundiais neste fim de semana. Bloquearão qualquer resultado apresentado como uma posição consensual do G-20 porque as prioridades da África do Sul “contrariam as visões políticas dos EUA”, segundo uma cópia do documento.“Os EUA se opõem à emissão de qualquer documento de resultado da cúpula do G-20 sob a premissa de uma posição consensual do G-20, sem o acordo dos EUA”, afirmou o texto. “Se um resultado for emitido sob sua presidência, será apresentado exclusivamente como uma declaração do presidente para refletir com precisão a ausência de consenso.”A Casa Branca e o Departamento de Estado não responderam imediatamente às mensagens enviadas para comentário antes do horário comercial dos EUA.Apesar da oposição dos EUA, a África do Sul segue empenhada em obter uma declaração conjunta na cúpula que termina no domingo.Garantir uma declaração é prioridade para a África do Sul. O país tem buscado ampliar a agenda promovida por recentes presidentes do G-20 do chamado Sul Global — Indonésia, Índia e Brasil. Os EUA assumem a presidência do G20 em dezembro.“A posição do Brasil é que devemos ter uma declaração, então estamos discutindo isso com os países que estão aqui”, disse o embaixador Philip Gough, secretário de assuntos econômicos e financeiros do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a jornalistas na quarta-feira. “A posição da presidência sul-africana é que deve haver uma declaração, e a posição do Brasil é apoiar fortemente a sua existência.”Um funcionário europeu do G-20 disse que seu país apoiaria tanto uma declaração conjunta quanto um resumo menor do presidente. O funcionário está envolvido nas negociações preparatórias em andamento e pediu para não ser identificado, pois são privadas.O governo da Alemanha afirmou que “apoia totalmente” a presidência da África do Sul no G-20 em comunicado na segunda-feira.A maioria dos países tem negociadores principais, conhecidos como sherpas, envolvidos nas negociações que acontecem na África do Sul esta semana. Cerca de 15 chefes de Estado são esperados em Joanesburgo neste fim de semana, incluindo os do Brasil, Índia e Turquia. Vários presidentes ou primeiros-ministros europeus também devem comparecer, assim como a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.O presidente da China, Xi Jinping, não participará e enviará o premier Li Qiang em seu lugar.Os pontos de divergência nas negociações incluem a redação sobre questões de gênero e clima, segundo pessoas familiarizadas com as discussões. A Argentina, aliada próxima dos EUA, tem resistido a referências tanto ao financiamento climático quanto aos acordos climáticos globais, disseram as fontes.Em meio às crescentes tensões entre Pretória e Washington, a administração Trump impôs tarifas de 30% sobre exportações sul-africanas — as mais altas do continente — azedando ainda mais as relações entre os dois países.O ministro das Relações Exteriores da África do Sul, Ronald Lamola, disse na Bloomberg Africa Business Summit na terça-feira que Pretória tem buscado repetidamente reparar o relacionamento.“Sempre fomos abertos — a agressão está do lado dos EUA”, afirmou.© 2025 Bloomberg L.P.The post EUA alertam África do Sul para não emitir declaração conjunta no G-20 durante cúpula appeared first on InfoMoney.
