As compras estrangeiras de ativos financeiros dos EUA aceleraram em 2025, lideradas pela demanda por ações e Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA), mostraram dados divulgados na quarta-feira — marcando uma forte refutação à narrativa “venda América” (“Sell America”), que se tornou presença constante nas discussões entre participantes de mercado.Investidores estrangeiros compraram, em termos líquidos, US$ 1,55 trilhão em ativos financeiros de longo prazo dos EUA em 2025, de acordo com dados divulgados pelo Departamento do Tesouro na quarta-feira. Isso representa uma alta frente aos US$ 1,18 trilhão líquidos de compras no ano anterior. Desse total, US$ 658,5 bilhões foram para ações e US$ 442,7 bilhões para notas e bonds (títulos) do Tesouro.As ameaças recorrentes do presidente Donald Trump de fortes aumentos tarifários — usadas por motivos que vão do econômico ao geopolítico e de segurança nacional — despertaram preocupações de que investidores estrangeiros abandonariam os mercados americanos e o dólar. Em meio à pressão de Trump sobre a Dinamarca por causa de sua ilha da Groenlândia, um fundo de pensão dinamarquês alertou no mês passado que planejava zerar sua posição em Treasuries. O fundo holandês Stichting Pensioenfonds ABP, o maior da Europa, reduziu de forma drástica sua exposição no ano passado.Mas o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tem rebatido regularmente a retórica de “vender a América”, argumentando que as políticas econômicas do governo reforçam a posição dos EUA como principal destino do capital global.“Sim, houve instabilidade geopolítica recentemente, e a operação de vender o dólar (‘sell-the-dollar trade’) tem sido popular por causa disso”, disse Andrew Hazlett, operador de câmbio na Monex Inc. Mas, no fim das contas, Treasuries representam uma grande parcela das posições em dívida soberana, observou ele. “Eu realmente não consigo enxergar um mundo em que isso mude.”Papel do DólarA depreciação do dólar no ano passado pode até ter incentivado alguns gestores estrangeiros a ampliar suas posições em ativos dos EUA. Geoff Yu, estrategista macro sênior no BNY — um dos maiores custodiante do mundo — disse, no início deste mês, que foi isso o que ocorreu após as oscilações de mercado provocadas pelo anúncio das tarifas do “Dia da Libertação” (“Liberation Day”) de Trump em abril passado.“Nossos dados mostram que investidores transfronteiriços aproveitaram ao máximo o ajuste na avaliação do dólar para ampliar a exposição a ações dos EUA”, escreveu Yu em nota na semana passada. “Embora as alocações não sejam tão fortes quanto no período de ‘excepcionalismo americano’ de 2023 a 2024, o ‘prêmio’ transfronteiriço permanece intacto.”Os números do Tesouro sugerem que muitos gestores estrangeiros estiveram dispostos a aumentar posições nos EUA no ano passado. Além de ações e Treasuries, as compras líquidas de bonds corporativos somaram US$ 327,8 bilhões em 2025. Títulos emitidos pela Fannie Mae, Freddie Mac e outras chamadas “agências” totalizaram um valor líquido de US$ 112,9 bilhões.Por região, a Europa respondeu por US$ 872,8 bilhões da entrada líquida de recursos em ativos financeiros de longo prazo — definidos como aqueles com prazo superior a um ano. As Ilhas Cayman compraram um valor líquido de US$ 277,2 bilhões, enquanto o Japão adquiriu US$ 56 bilhões líquidos. O Canadá somou US$ 84,4 bilhões.China vendeO Tesouro alerta, no entanto, que pode ser desafiador identificar a origem final da propriedade dos ativos. Parte relevante das maiores compras líquidas veio de localidades conhecidas por suas vantagens tributárias, como Ilhas Cayman e Guernsey, e por seus papéis de custódia nas finanças globais, como Reino Unido e Bélgica.A China foi um vendedor líquido notável de ativos financeiros de longo prazo dos EUA, no montante de US$ 208,6 bilhões. Suas participações em Treasuries terminaram o ano em US$ 683,5 bilhões, o nível mais baixo desde 2008.As posições chinesas podem atrair escrutínio adicional depois que uma reportagem da Bloomberg no início deste mês mostrou que reguladores em Pequim orientaram instituições financeiras a conter suas posições em Treasuries dos EUA, citando preocupações com riscos de concentração e volatilidade de mercado.Leia mais: China Exorta Bancos a Reduzir Exposição a Treasuries dos EUA por Risco de MercadoSomente no mês de dezembro, as posições estrangeiras em Treasuries caíram em US$ 88,4 bilhões, para US$ 9,27 trilhões — o menor nível desde outubro. O Japão, maior detentor estrangeiro de dívida pública americana, viu sua posição recuar em US$ 17,2 bilhões, para US$ 1,19 trilhão. As posições do Reino Unido caíram em US$ 23 bilhões, para US$ 866 bilhões.© 2026 Bloomberg L.P.The post EUA: estrangeiros rebatem a tese de “Venda América” e compram US$ 1,6 tri em ativos appeared first on InfoMoney.
