No 27º dia de conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, os principais desdobramentos seguem concentrados na possibilidade de negociações para um cessar-fogo ou suspensão dos ataques, ainda que o tom público das declarações tenha mudado em relação aos últimos dias.Nesta quinta-feira (26), o Irã se mostrou mais aberto do que antes a negociar, embora continue rejeitando a proposta inicial apresentada pelos EUA, que Teerã classifica como “unilateral e injusta”.Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu o discurso e afirmou agora que “não tem certeza” se está disposto a fazer um acordo com o Irã, apesar de seguir dizendo que deseja um “fim rápido” para a guerra.Leia tambémTrump diz que presente do Irã para EUA foi permitir 10 petroleiros passando por OrmuzTrump fez os comentários em uma reunião de gabinete na Casa BrancaIrã diz que Mauro Vieira condenou ataques e prestou solidariedade a TeerãEm diálogo com o chanceler iraniano, governo brasileiro critica agressão militar de EUA e Israel e reforça defesa da soberania e do direito internacionalO chanceler do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que seu país está atuando como canal entre Washington e Teerã. “Negociações indiretas estão ocorrendo entre as partes em conflito”, disse o ministro.“Força total”Enquanto não há avanço concreto nas tratativas, Washington estendeu por mais 10 dias a trégua em ataques à infraestrutura de energia iraniana, numa tentativa de manter aberto o espaço para o diálogo.Os EUA também confirmaram a morte do almirante Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em ataque aéreo israelense. Trump voltou ainda a criticar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por não se envolver no conflito.O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país continuará atacando o Irã “com força total”. Paralelamente, Israel amplia sua incursão no sul do Líbano, o que levou o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, a alertar o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre risco de anexação de território libanês.“Mais vivo do que nunca”Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o grupo extremista Hezbollah, alvo de ataques de Israel, está “mais vivo do que nunca” e é “o orgulho do Islã”.A embaixada do Irã na Espanha também declarou que Teerã será receptivo a qualquer pedido de Madri relacionado ao Estreito de Ormuz. A Espanha não tem grande frota de navios, mas o premiê Pedro Sánchez criticou duramente os ataques ao Irã desde o início do conflito.NúmerosPelo menos 1.900 pessoas morreram no Irã desde o início da guerra, segundo o vice-ministro da Saúde, Ali Jafarian, à Al Jazeera;18 pessoas morreram em Israel;13 soldados americanos foram mortos;No Líbano, o número de mortes é de 1.116.“Catástrofe econômica”O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que as consequências da guerra no Irã podem ser tão graves quanto as da pandemia de Covid-19. Segundo ele, o conflito está causando danos significativos à logística internacional, à produção e às cadeias de suprimentos, além de pressionar fortemente empresas de hidrocarbonetos, metais e fertilizantes.O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, classificou o conflito no Oriente Médio como uma “catástrofe econômica” e reforçou que o país não pretende se envolver militarmente.E analistas apontam que os danos à infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL) no Catar, bem como o fechamento do Estreito de Ormuz, têm impacto no cenário mundial, colocando em dúvida a compra por países asiáticos, que podem ser forçados a racionar energia por não poderem arcar com os altos custos.Analistas ressaltam ainda que os danos à infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL) no Catar e o fechamento do Estreito de Ormuz afetam o quadro global de energia. Países asiáticos podem ser forçados a racionar consumo, por não conseguirem absorver os preços mais altos.The post EUA x Irã: o que marcou o 27º dia de guerra no Oriente Médio appeared first on InfoMoney.
