Europa em choque, Oriente Médio em chamas: Brasil pode ser o fiel da balança?

Blog

O cenário geopolítico mundial se encontra em um ponto de inflexão, com a Europa pressionada por desafios internos e externos, e o Oriente Médio emergindo como o principal foco de risco de curto prazo. A fragilidade da ordem multilateral e a ascensão de potências regionais redefinem as dinâmicas de poder, exigindo uma reavaliação das estratégias globais e locais.Diretor executivo para as Américas da Eurasia Group, Christopher Garman aponta que a defesa da Ucrânia, embora tenha fortalecido a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – um resultado não desejado por Putin –, serviu como um “wake-up call” para a Europa, ou seja, um chamado a despertar. Veja mais: Ouro e prata disparam: descubra se é hora de colocar seu dinheiro nelesE também: CEO da Itaú Asset revela estratégias para lucros em ETFs e fundos multimercadosDe acordo com o executivo, a percepção de que os Estados Unidos não podem mais garantir sozinhos a segurança europeia, impulsionada por políticas domésticas americanas e o “desprezo” de Donald Trump pela Europa, levou a um consenso entre a elite política do continente. Há uma necessidade urgente de investimento maciço na indústria bélica para desenvolver capacidades de defesa autônomas e reduzir a dependência do “arco de defesa americano”.Além da segurança, diz, a Europa enfrenta desafios econômicos significativos. A busca por maior competitividade e reformas estruturais é crucial, mas a opinião pública, cada vez mais polarizada e inclinada a partidos populistas, representa um obstáculo. Garman destaca que a média de aprovação popular nos três principais países europeus – Reino Unido, França e Alemanha – é de apenas 21%, com o apoio a partidos populistas crescendo de 10% para 40-50% em 20 anos. Essa “reviravolta importante da opinião pública” pode impedir a execução de planos econômicos e de segurança, apesar de a elite “mais centrista” ter “acordado” para os desafios.O especialista participou do podcast Outliers InfoMoney, apresentado por Clara Sodré e Fabiano Cintra.UE espera alívio das tarifas dos EUA sobre aço e alumínio nas próximas semanasO que diz o “relatório de IA do fim do mundo” que fez Wall Street afundar de novoRússia e Oriente Médio: Cenários de RiscoSobre a Rússia, a avaliação é de um país “enfraquecido e perigoso”. Embora as sanções não tenham levado ao “desastre econômico” previsto por alguns analistas, a economia russa se tornou “muito mais como uma economia voltada para a guerra”. O apoio doméstico a Putin permanece forte, e o regime está consolidado. No entanto, a economia começa a mostrar “sinais de fragilidade”, apesar de ter refeito laços com a China e outros parceiros. “Garman enfatiza que Putin “não vai desistir tão cedo dessa guerra”, e a Eurasia Group não está otimista com o fim do conflito na Ucrânia, dada a intransigência de ambos os lados.”Enquanto isso, o Oriente Médio é apontado como o “principal risco de cauda geopolítico nesse próximo mês, dois meses”. A grande questão a curto prazo é a possibilidade de uma ação militar “maior dos Estados Unidos e Israel contra o Irã”. A Eurasia Group acredita que a resposta é “sim”, com a Casa Branca inclinada a uma ação militar para “decapitar o regime” iraniano. A aposta é que este é o momento de “reduzir e fazer uma mudança do regime” no Irã, que estaria “fragilizado depois da guerra do ano passado”, com sua capacidade bélica “severamente destruída”.O risco de uma retaliação iraniana, caso se sinta “encurralado sem nada a perder”, é a tentativa de fechamento do Estreito de Hormuz ou ataques a instalações na Arábia Saudita, o que poderia impactar o preço global do petróleo. No entanto, Garman ressalta que a capacidade do Irã de sustentar um bloqueio é limitada, e um eventual fechamento seria “temporário”. A longo prazo, o risco no Oriente Médio “estruturalmente caiu” devido ao enfraquecimento do Irã e sua menor capacidade de financiar aliados como Hezbollah e Hamas, gerando um novo “equilíbrio de poder” na região.Leia tambémTerras raras: quais as melhores oportunidades para investir no tema? XP aponta ativosXP vê oportunidades via ETFs e alerta para desafios de oferta, geopolitização e maturidade limitada de projetos no BrasilEUA impõem mais sanções ao Irã em meio a nova onda de protestosAs últimas sanções afetam mais de 30 indivíduos, entidades e embarcações que facilitam a “venda ilícita de petróleo iraniano” e a produção de armas no paísBrasil: Oportunidades em um Mundo FragmentadoEm um mundo cada vez mais fragmentado, a pergunta é como o Brasil se posiciona. Garman argumenta que, embora “todo mundo perca com esse novo mundo” devido à incerteza e ao uso de “armas econômicas”, o Brasil está “muito bem posicionado perante os seus pares com essas potências médias”. O país é uma “potência no agronegócio”, com grande área cultivável, e uma “potência energética”, com a produção de petróleo em ascensão. Além disso, possui a segunda maior reserva de terras raras globais, ativos que “vão crescer em valor ao longo do tempo” em um cenário de preocupação com segurança alimentar, energética e de minerais críticos.A vulnerabilidade chinesa e a quebra da aliança transatlântica com os Estados Unidos têm levado a uma maior busca por diversificação de parcerias. A União Europeia, a China e até mesmo a Índia e o Canadá estão buscando estreitar laços com o Brasil. O país, por não depender “exclusivamente da China ou dos Estados Unidos”, possui um “grau de liberdade” que o torna atraente para investimentos. O forte fluxo de capital estrangeiro, com mais de R$ 26 bilhões em janeiro, e a valorização da bolsa brasileira são reflexos desse cenário positivo.Desafios Internos e o Futuro FiscalNo entanto, o “grande calcanhar de Aquiles” do Brasil é o lado fiscal. A preocupação do investidor, tanto estrangeiro quanto doméstico, é se o próximo governo “vai atacar o grande calcanhar de Aquiles fiscal que a economia brasileira tem”. Uma expansão fiscal descontrolada dificulta a capacidade do Banco Central de reduzir juros, tornando a trajetória da dívida insustentável. Garman prevê que, caso o atual presidente seja reeleito, um “ajuste fiscal xoxo” é mais provável, o que pode reduzir o senso de urgência para reformas mais profundas. A eleição de um candidato da oposição, por outro lado, tenderia a um ajuste fiscal mais robusto.O especialista alerta para o risco de um “equilíbrio de complacência”, onde um ajuste fiscal mínimo, combinado com um cenário externo benigno, pode ancorar expectativas e fortalecer o câmbio, mas sem resolver os problemas estruturais. A degradação institucional e a instabilidade da segurança jurídica, exemplificadas pela “crise do Banco Master”, também são fatores de preocupação para os investidores locais, que enfrentam um “altíssimo custo de capital” com a taxa Selic a 15%.The post Europa em choque, Oriente Médio em chamas: Brasil pode ser o fiel da balança? appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *