Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais, foi preso na operação deflagrada pela PF nesta quarta-feira, 17, para apurar corrupção em órgãos ambientais. A operação, batizada de Rejeito, cumpre 22 mandados de prisão e outros 79 mandados de busca e apreensão, além do afastamento de servidores públicos.Teixeira foi nomeado no início da gestão do atual diretor-geral Andrei Rodrigues e ocupava a função de diretor de Polícia Administrativa. Era o terceiro nome no nível hierárquico da cúpula da PF. Ele deixou o cargo no final do ano passado.Ele exercia no momento a função de diretor de administração e finanças do Serviço Geológico do Brasil/Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB/CPRM).Leia tambémPF prende diretor da Agência Nacional de Mineração em operação contra corrupção em MGAção cumpre 22 mandados de prisão e investiga esquema de propina para liberar licenças ambientais; apuração começou em 2020Segundo a PF, ele é administrador oculto de uma empresa de mineração e mantinha negócios com os alvos investigados. A investigação aponta que os fatos sob suspeita foram realizados por Rodrigo Teixeira quando ele era diretor da Polícia Federal na gestão de Andrei Rodrigues.A investigação diz ainda que o delegado usava suas funções públicas para favorecer seus interesses. Cita, por exemplo, tentativas de interferência em investigações da própria PF que miravam empresários sob investigação.O inquérito chegou ao nome de Rodrigo Teixeira por causa de seu relacionamento com um dos empresários investigados, João Alberto Lages. A partir disso, a PF identificou uma empresa de mineração ligada a ele e diz que empresários cederam direitos minerários a essa empresa, em troca da influência de Rodrigo Teixeira na administração pública.“Essa cessão, embora documentada como ‘gratuita’, foi possivelmente movida por interesse concreto: contar com a atuação de um Delegado Federal no interior da estrutura empresarial, como forma de obter acesso diferenciado a órgãos públicos, prestígio perante possíveis compradores, garantia de proteção diante de concorrência ou, ainda, investigações em curso. Trata-se de oferta de vantagem indevida por parte de particulares a agente público”, segundo o trecho do pedido de prisão.A PF cita, por exemplo, que quando Teixeira era diretor da corporação em Brasília, ele agendou uma reunião entre o empresário João Lages e um diretor da Agência Nacional de Mineração para conversar sobre uma investigação em andamento. A investigação também aponta que Teixeira pode ter atuado para remover o delegado responsável pelo caso.A investigação aponta ações criminosas que rendiam ao grupo ao menos R$ 1,5 bilhão, mas a PF destaca que foi identificado projetos em andamento vinculados à organização criminosa com potencial econômico superior a R$ 18 bilhões. As suspeitas envolvem servidores públicos da Agência Nacional da Mineração (ANM) e do Iphan, além de órgãos estaduais do governo de Minas Gerais. (com Estadão Conteúdo)The post Ex-diretor da PF é preso em operação sobre corrupção em órgãos ambientais appeared first on InfoMoney.
