Fictor, que tentou comprar o Master, tem 13 mil credores, próximo da Americanas na RJ

Blog

A Fictor terá de ressarcir ao menos 13.041 credores, a maior parte pessoas físicas com recursos aplicados na empresa, se conseguir se reestruturar financeiramente na recuperação judicial. O número chama a atenção. Apesar de a Fictor, até pouco tempo atrás, ser uma financeira pouco conhecida, o total de credores já se aproxima do patamar da recuperação judicial da Americanas, uma das maiores do país, processo no qual 16.300 clientes e fornecedores tinham dívidas a receber. Mas ainda longe do processo da Oi, que contou com 66.705 credores.Em 17 novembro do ano passado, na véspera da liquidação do Master, a financeira fez uma proposta de compra do banco. Desde então, sofreu uma crise de reputação e seus clientes sacaram R$ 2,1 bilhões em investimentos na empresa até 31 de janeiro. Esse valor representa 71,38% do total que estava aportadoEntre os credores da Fictor estão o time do Palmeiras, que era patrocinado pela empresa até segunda-feira, quando o clube rescindiu o contrato. A lista consta em 122 páginas no pedido de recuperação judicial enviado à Justiça, com dívida de R$ 4,2 bilhões. Mas já motiva contestação.Na decisão, o juiz afirma que a empresa deve apresentar dentro de cinco dias a relação nominal dos credores, o valor atualizado e a classificação de cada crédito. Na relação original apresentada pelos advogados da Fictor constam a Sefer Investimentos DTVM, administradora de fundos, com R$ 430 milhões a receber, e a American Express, mas as duas negaram serem credoras.A Sefer, porém, informou em nota que não é credora, atuando exclusivamente como gestora/administradora de clientes terceiros e que não faz concessão de crédito com recursos próprios.A Sefer foi alvo de investigações na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes financeiras. A Polícia Federal descobriu que uma offshore ligada à Sefer, Faex Fund, sediada em Nassau, registrou CNPJ junto à Receita Federal nove dias após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. No cadastro da Receita, a empresa informa o mesmo e-mail e telefone da Sefer.Maioria em SP, minas e RioA empresa com maior valor a receber, a Amex, com R$ 893 milhões segundo a petição da Fictor, também informou ao jornal Valor que não é credora do grupo.Procurada, a Fictor informou que a discordância em relação aos créditos apresentados, seja por montante, titularidade ou qualquer outro fator, deverá ser apresentada ao administrador judicial que ainda será nomeado.Palmeiras rompe contratoO Palmeiras, time que a Fictor patrocinava até segunda-feira, aparece com R$ 2,6 milhões a receber. A Fictor havia fechado contrato com o time para pagar R$ 25 milhões por ano em patrocínio. Até recentemente, não havia notícia de que os pagamentos estavam em atraso. Mas o Palmeiras anunciou ontem o rompimento do contrato após a Fictor entrar com pedido de recuperação.Levantamento feito por Júlio Moretti, CEO da Neot, plataforma especializada em dados e inteligência analítica para processos de recuperação judicial e insolvência, mostra que São Paulo tem 8.921 credores, o maior contingente, seguido de Minas Gerais, com 1.136, e Rio de Janeiro, com 950. Os estados com menor número de credores são Acre (4) e Roraima (1).Do total, 11.549 credores são pessoas físicas, que totalizam R$ 2,54 bilhões em créditos a receber. Eles foram atraídos pela promessa de rendimentos fixos que poderiam chegar a 2% ao mês. Um CDB de um grande banco está pagando 1% ao mês, enquanto a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano.Essa lista de credores em quase todos os estados revela que o produto financeiro da Fictor ganhou divulgação em escala, inclusive com a ajuda de assessores de investimento, que recebiam comissões acima da média do mercado para oferecer esses papéis.A Fictor aplicava recursos em contratos de commodities agrícolas, como milho e soja. A Associação Brasileira dos Assessores de Investimento (Abia) comunicou esse fato à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza o mercado de capitais.Advogados consultados pelo GLOBO afirmaram que a Sociedade de Crédito em Participação (SCP) é um contrato particular, assinado, por exemplo, por um grupo interessado na construção de um prédio, que depois dividem o lucro da venda dos apartamentos.Esses papéis não são fiscalizados pelo Banco Central ou pela CVM, sendo regidos pelo Código Civil. Quando esse contrato ganha escala e adesão de “muitos sócios”, ele se caracteriza como um Contrato de Investimento Coletivo (CIC), ativo que está sob a supervisão da CVM.Os investidores serão os últimos a receber esses valores, em casos de reestruturação da Fictor, que promete restituir os recursos sem desconto. Eles são chamados de credores quirografários, ou seja, que não têm garantia real.De sócios a credoresOs credores trabalhistas, funcionários da Fictor, são os primeiros a receber, segundo advogados. A dívida da Fictor com esse grupo de credores é de apenas R$ 43 mil, segundo consta na petição enviada à Justiça. Somente a Fictor Alimentos, que reúne unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro, tem 3.500 empregos diretos, informou a empresa em nota.Antes de entrar com pedido de recuperação judicial, a Fictor comunicou aos investidores que tinham aportado recursos nas Sociedades de Crédito em Participação (SCPs) que estava promovendo o distrato desse contrato unilateralmente. Na prática, a empresa transformou os ‘sócios’ em credores.“A Fictor Invest, na qualidade de sócia ostensiva, vem formalmente comunicar a decisão de promover o distrato da sociedade em conta de participação da qual os investidores integram o quadro societário”, diz o comunicado enviado pela empresa, que surpreendeu muita gente.Com essa mudança de classificação, se a recuperação judicial for ratificada pela Justiça, toda a discussão em torno do recebimento dos recursos passará a ser feita no âmbito da recuperação judicial. Ou seja, nenhuma cobrança poderá ser feita individualmente, a suspensão de cobranças se dará em até 180 dias e a negociação dos valores terá que ser feita dentro do plano apresentado pela empresa. A Fictor confirma a dissolução dos contratos.Arthur de Paula, sócio de resolução de conflitos e arbitragem do Candido Martins Cukier, avalia que há problemas técnics nessa decisão unilateral da Fictor. Para haver o distrato de um contrato, afirma o advogado, é preciso que todas as partes envolvidas concordem.“As pessoas que têm esses contratos e recursos a receber do grupo Fictor ficam na incerteza. Só depois que a Justiça aprovar a recuperação judicial, após o laudo indicar que as empresas são passíveis de recuperação, é que elas vão saber quando, quanto e em que momento vão receber. Todos os detalhes estarão no plano de recuperação judicial”, explica. The post Fictor, que tentou comprar o Master, tem 13 mil credores, próximo da Americanas na RJ appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *