O dia seguinte ao voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux foi o momento de os colegas darem o troco. Após expor um acordo de bastidor e avisar em tom pouco amistoso aos colegas que não desejaria ser interrompido em seu voto de mais de 12 horas, o magistrado se viu obrigado a manter a posição exigida dos demais nesta quarta-feira, 11, numa sessão permeada por piadas e recados a ele.Único a não pedir a palavra à ministra Cármen Lúcia para discutir aspectos técnicos do seu voto e da denúncia, Fux ficou calado e passou a maior parte do tempo olhando para baixo, manuseando papéis e com o rosto demonstrando seriedade. A postura expressava o seu isolamento no colegiado.Os demais ministros, além de fazer “bate bola” com Cármen, mantiveram os olhos atentos na ministra e demonstravam postura corporal mais leve do que Fux. Às 15h42 desta quinta-feira, o ministrou deixou o plenário por cerca de cinco minutos. Naquele momento, a decana da Primeira Turma sustentava que houve violência na tentativa de golpe de Estado e que foi constituída organização criminosa para atentar contra a democracia.Leia tambémMoraes rebate Fux e diz que 8/1 foi “organização criminosa, não passeio na Disney”Ministro pediu aparte no voto de Cármen Lúcia para reforçar que atos golpistas foram coordenados e visavam perpetuar Bolsonaro no poderFux ajuda a mostrar imparcialidade do STF e pode aliviar tarifa, diz ministro de LulaPara Paulo Teixeira, divergência no julgamento de Bolsonaro enfraquece discurso de perseguição e cria caminho para rever sobretaxa imposta por TrumpFux retornou ao plenário e puxou assunto com Dino, mas a expressão corporal de ambos demonstrava que havia discordância a respeito do assunto. Dino se arrumou na cadeira e balançou a cabeça em resposta ao colega. Esse foi o único momento de interação com algum dos colegas.O único momento em que Fux alterou a postura corporal foi quando o ministro Alexandre de Moraes pediu a palavra para reforçar o argumento de Cármen de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liderou organização criminosa. Quando o relator da ação penal exibiu vídeos que exemplificavam o golpismo, Fux se colocou atento ao que passava no telão da Primeira Turma e, logo que a transmissão foi encerrado, voltou a abaixar a cabeça e manusear documentos na sua baia.Como antecipou o Estadão, havia a expectativa entre pessoas com trânsito no STF que os demais ministros da Primeira Turma usassem a sessão de hoje para rebater o voto de Fux, uma vez que o magistrado vetou a discussão colegiada no dia anterior. Fux, no entanto, foi compelido por sua própria exigência a manter o silêncio enquanto os colegas discutiam o processo e faziam piadas entre si.Leia tambémCármen Lúcia diz que PGR apresentou “prova cabal” de ataque às instituiçõesMinistra afirma que ex-presidente liderou organização criminosa voltada a minar a democracia; julgamento da trama golpista entra em fase decisiva na 1ª TurmaCármen Lúcia ironiza pedido de Fux para não ser interrompido e Dino critica anistiaMinistros aproveitaram retomada do julgamento para rebater postura de Fux e discutir efeitos da anistia nos EUALogo no início da sessão, Cármen e Dino arrancaram risadas da plateia presente na Primeira Turma com uma interação cujo subtexto mandava recados a Fux. Dino pediu a palavra para a colega e disse que adota a estratégia do “banco de horas” em seus votos – ou seja, vota rápido para fazer diversos “apartes” nos votos dos colegas.“Mas vai usar tudo no meu?”, questionou Cármen, provocando risos. “Não, ainda tem o do ministro Zanin”, respondeu Dino mantendo o clima descontraído a Primeira Turma.A leveza na interação dos dois ministros contrastou com a tensão da última sessão, quando Fux fez um voto de mais de 12 horas com críticas às posições já manifestadas.The post Fux fica imóvel e calado em sessão permeada por piadas e recados sobre seu voto appeared first on InfoMoney.
