Em um cenário de “economia internacional bastante turbulenta”, Paulo Leme, chairman do Comitê Global de Alocação da XP Private Bank, revisitou princípios fundamentais de gestão de carteiras, enfatizando a resiliência e a disciplina como chaves para atravessar períodos de alta volatilidade — como o atual. Em painel durante o XP Global Conference, em Miami, Leme analisou o delicado contexto geopolítico envolvendo Irã e Estados Unidos e destacou a importância de uma abordagem estruturada para a proteção e valorização do capital e reforçou o “valor da diversificação” . “A estrutura diversa de correlações que uma carteira diversificada tem tem é o que dá exatamente aquela redução de volatilidade que te permite atravessar esses momentos mais voláteis com a cabeça fria”, afirma. A governança é outro pilar essencial, especialmente em mercados sensíveis. “É preciso ter os princípios muito claros e saber quais são as regras, as metas e os benchmarks que você está seguindo para responder se você pode fazer hedge? De que maneira? Pode usar derivativos? Deveria usar derivativos? Porque quando você chega num momento de estresse, você começa a inventar” , alerta.Essa governança também ajudará o investidor a não cair na armadilha de tentar prever os movimentos de mercado. “Quando você entra nesse jogo de market timing, eu só digo duas palavras: Good luck”, brinca, ressaltando que “o curto prazo é o que ‘mata’” devido a custos de carrego negativo e subperformance. Leia tambémXP Global Conference: internacionalização vira pilar dos portfólios brasileirosCom recorde recente na plataforma offshore, a XP usa a conferência em Miami para acelerar a agenda de diversificação internacional e consolidar a experiência global do cliente brasileiroCenário geopolítico e seus impactosA falta de um “endgame muito claro” por parte do governo americano sobre o conflito com o Irã, adiciona ainda mais incerteza no cenário global. Para Leme, é “Trump quem tem o limite de tempo, ou seja, ele está contra o relógio” devido às eleições de meio de mandato (midterms), enquanto o Irã busca ganhar tempo.Dessa forma, é possível desenhar dois cenários possíveis: 1) otimista, com um acordo de paz rápido, que levaria a uma queda do risco e um “Mega Rally” nos mercados; ou 2) pessimista, com um conflito prolongado que tem “preocupado de forma crescente” e causaria disrupções no fornecimento de petróleo e gás natural. “Se passar mais duas semanas, e chegarmos em abril ainda sem uma resolução, teremos um efeito muito mais grave, no preço do Brent e no preço do gás natural” , o que poderia levar uma estagflação, quando a inflação alta persiste mesmo em um cenário de estagnação econômica ou até de recessão.Estratégias para o “cenário vermelho”Para o cenário mais adverso, Leme sugere uma alocação defensiva. “Reduziria o risco, buscaria mais Treasuries,”, diz, citando os títulos do Tesouro americano. Em renda variável, a recomendação seria “reduzir o beta” e a estratégia incluiria posições “long” em petróleo, inflação, qualidade e volatilidade, e “vendido” em juros, valor e small caps. Já a exposição a “high yield”, para Leme, deveria ser reduzida devido ao aumento do risco de crédito. Ainda, globalmente, seria prudente favorecer exportadores de energia e diminuir a exposição a importadores.Para Leme, a disciplina e uma carteira bem estruturada são mais importantes do que nunca. “Não se afobe em ficar fazendo microgerenciamento da carteira. Se ela está construída, ela vai te levar até o final”, diz. The post Geopolítica e portfólios: como a crise no Oriente Médio redefine a alocação de ativos appeared first on InfoMoney.
