Herdeiros de Tarsila do Amaral questionam autentificação das obras da artista

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A disputa pelo controle do legado de Tarsila do Amaral, um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, ganhou um novo capítulo. Um grupo de herdeiros da artista prepara a divulgação de uma carta pública que expõe divergências internas sobre a gestão dos direitos autorais e o comando da marca que representa a pintora. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo.O documento, assinado por um conjunto relevante entre os 56 herdeiros da artista, manifesta “preocupação extrema” com os rumos da administração dos direitos de imagem e das autenticações de suas obras. Leia tambémBrasileiros criam método para entender como galáxia “liga e desliga” buracos negrosPesquisa liderada por doutorando da Unicid e publicada em revista britânica ajuda a decifrar a evolução das galáxias ativasFrança prende suspeitos de roubo milionário de joias da Coroa no Museu do LouvreDois homens foram detidos em Paris, um deles tentava embarcar para a Argélia após o assalto à Galeria ApolloO texto marca uma ruptura aberta entre descendentes que disputam quem deve controlar o patrimônio simbólico e financeiro de Tarsila, e, sobretudo, quem se beneficia das operações comerciais ligadas ao seu nome.Polêmica sobre tela milionáriaA nova tensão surgiu após uma conferência na Casa das Rosas, em São Paulo, onde representantes da atual empresa que administra a marca Tarsila do Amaral apresentaram o novo processo de autenticação de obras. O procedimento agora passa pelas mãos do perito Douglas Quintale, contratado por um grupo de herdeiros que rompeu com a antiga gestão.Quintale é o mesmo especialista que atestou como autêntica uma pintura polêmica atribuída a Tarsila, exibida na feira SP-Arte de 2023. A obra, inicialmente ofertada por R$ 16 milhões, hoje é negociada por cerca de R$ 60 milhões, mas sua autenticidade foi contestada por boa parte do meio artístico brasileiro, que considera o quadro incompatível com o traço e o histórico da artista.Segundo críticos, o fato de a obra ter supostamente permanecido “desaparecida” por décadas no Líbano e reaparecido subitamente no mercado de arte levantou desconfianças sobre sua origem. Para os herdeiros favoráveis à autenticação, no entanto, o reconhecimento da pintura pode render valores expressivos via direito de sequência, percentual de revenda a que o artista, ou seus sucessores, têm direito.Controle do espólioO embate gira em torno da Tarsila do Amaral Empreendimentos e Licenciamentos (Tale), empresa familiar responsável pela gestão da imagem e dos direitos autorais da pintora.Um grupo de descendentes, liderado por Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta da artista e antiga responsável pela administração do espólio, tenta retomar o controle das decisões e afastar a atual diretoria da Tale.Na carta, os herdeiros afirmam não reconhecer a empresa como legítima controladora dos direitos da modernista. O grupo critica ainda a substituição de pesquisadores que trabalhavam na elaboração do catálogo raisonné de Tarsila — o registro oficial e definitivo de todas as suas obras conhecidas —, entre eles a historiadora Aracy Amaral, considerada a maior especialista na obra da artista.Os signatários acusam a atual direção da Tale de ter silenciado vozes críticas e promovido uma guinada na política de autenticação das obras, com impacto direto no mercado de arte e no valor das peças associadas a Tarsila.Atual gestãoProcurada pela Folha, Paola Montenegro, sobrinha-bisneta da artista e atual diretora da Tale, afirmou que a empresa não comentará opiniões individuais. “O trabalho que foi realizado envolve competências técnicas de especialistas e peritos”, disse, em nota.A Tale tem sido responsável, nos últimos anos, por licenciamentos comerciais, exposições e parcerias institucionais com museus e marcas. A empresa também vem conduzindo a revisão dos critérios de autenticação das obras, um processo que agora se tornou o centro da disputa familiar.The post Herdeiros de Tarsila do Amaral questionam autentificação das obras da artista appeared first on InfoMoney.

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