A inteligência artificial (IA) alterou o cotidiano de muitas pessoas, e o trader não pode ser excluído desse grupo. Em uma das palestras da Expert Trader XP, os especialistas Caio Scotte (XP Investimentos), Bruno Ramos (Trade2Go) e Sérgio Gargantini (ASG) discutiram qual é o novo papel do trader sob a asa da IA e do machine learning, e como o acesso a essas ferramentas foram democratizadas entre os traders.Para começar a conversa, Ramos fez uma breve analogia: “A IA hoje chega para complementar e aprimorar as automações. Era como o GPS: antigamente ele era engessado e não atualizava o trânsito. A IA é um aplicativo moderno que tem rotas atualizadas e, mais do que isso, a predição”, disse. Por isso, a tecnologia é considerada auxiliar ao trader.Leia também: Expert Trader XP começa hoje com imersão, palestrantes internacionais e campeonatoEle ainda explica que as bases de dados são tão grandes que é possível antecipar um problema potencial em uma determinada “via”. “Quando colocamos essa camada no trade, o jogo muda, porque a automação consegue ir se ajustando com o tempo”, destacou.Caio Scotte, mediador do debate, provocou os palestrantes sobre a velocidade necessária para sobreviver nesse novo cenário. Ele defendeu que, para operar com maestria, o trader precisa ser capaz de descrever seu operacional em menos de 30 segundos.“A IA não prevê, ela não consegue prever o que acontece na nossa rotina. Nós, como traders, temos a arte de interpretar a esquerda do gráfico para projetar a direita, o futuro. Ela não prevê o mercado; ela, de fato, organiza a informação”, pontuou Scotte, que compartilhou como usou a IA para criar indicadores híbridos que simplificam a tomada de decisão.Para Gargantini, a tecnologia é poderosa, mas o fator humano continua sendo o filtro final, pois “tudo virá da base do conhecimento de quem vai usá-la”. Porém, ele afirma que vê atualmente um fluxo de ordens dominado por algoritmos de alta frequência (HFT). “Diferentemente de alguns anos atrás, onde olhávamos a ‘escola de book’ com uma lógica, ultimamente percebo mais um comportamento algorítmico”, explicou.Democratização das informaçõesNo tópico seguinte, Gargantini relatou que, em sua própria experiência pessoal, rastrear nomes de corretoras como UBS ou JP Morgan perdeu o sentido, já que grandes players fragmentam suas ordens em diversas casas. Leia também: Expert Trader XP: Por que Tom Hougaard é figura diferenciada no universo do tradingPor conta disso, ele prefere muito mais focar no padrão de comportamento. “O algoritmo que desenvolvi foi uma leitura perceptiva de movimentos baseados em comportamentos específicos”, disse. “A análise é puramente baseada no comportamento do algoritmo HFT que eles calibram. A leitura mais legal é entender a intenção por trás do movimento”.Além disso, há um ponto importante em relação a acompanhar grandes players do mercado: a democratização do machine learning (aprendizado de máquina). Ramos ressalta que antes, essa tecnologia era restrita para bancos, e agora já é acessível para quem opera de casa. “Quando falamos de IA para mercado financeiro, não é um tema tão novo como é hoje a IA generativa. O que acontece é que, com essa popularização, chega ao nível do trader pessoa física. Isso aumenta a competição e reduz os custos. Conseguimos colocar mais configurações (o que chamamos de features) para que o modelo fique mais inteligente”, disse.Ele ainda reforça a ideia, lembrando que antes o processo para criar uma estratégia demorava duas semanas e hoje é possível realizar 100 em apenas um dia. Ele ressaltou que a IA permite testar milhares de parâmetros antes do mercado abrir, o que leva o trader a entrar no pregão com um plano validado e livre de impulsividade.Papel do traderMesmo com o avanço tecnológico, os palestrantes concordaram que o trader discricionário ainda tem seu espaço, desde que utilize a tecnologia a seu favor. Ramos trouxe uma reflexão prática sobre a eficiência do tempo: “Se você opera na mão, uma pergunta importante é: quanto custa a sua hora? Quanto custa cada hora que você fica na tela para fazer uma operação que, na automação, seria muito parecida?”. Segundo o especialista, a automação serve para garantir que o plano seja executado sem a hesitação causada pelo impacto emocional.Leia mais: RLP na prática: como funciona e qual impacto na execução das ordens dos investidoresGargantini concluiu o debate com um alerta sobre a competição desigual para quem ignora o progresso tecnológico. “Se nós, pessoas físicas, temos acesso a isso, os fundos quânticos também têm. Se você não se atentar, a falta de apoio de tecnologia operacional pode te deixar para trás”, afirmou. Para Gargantini, a tecnologia não é uma escolha, mas uma necessidade: “IA não é frescura, não é coisa de ‘trader raiz’. Esqueçam isso e não ignorem a inteligência artificial”.Scotte encerrou o painel com uma visão otimista, mas realista, sobre o futuro da profissão. Ele afirmou que acredita que o trade manual sempre terá espaço para quem busca a subjetividade do mercado, ele reforçou a importância de não ignorar o progresso.“O papel do trader no mercado é este: quais perguntas você quer responder? O que está te indagando?”, questionou Scotte, incentivando os presentes a usarem ferramentas já conhecidas do mercado para testar hipóteses e automatizar rotinas.The post IA e traders: ameaça ou aliada? Veja como aproveitar na prática a tecnologia appeared first on InfoMoney.
