O fator que faltava para animar o mercado?O Ibovespa acelerava os ganhos na sessão para mais de 2% nesta sexta-feira, com maiores apostas de um corte na taxa de juros norte-americana no próximo mês após o discurso do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de Jackson Hole.Por volta de 11h50 (horário de Brasília), o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, avançava 2,22%, a 137.503,51 pontos, tendo marcado 134.511,49 pontos na mínima e 137.503,51 pontos na máxima até o momento. Já o dólar caía 1,10%, a R$ 5,417 na compra e R$ 5,418 na venda. Em Wall Street, o Dow Jones subia 1,90%, a 45.638,45 pontos. O S&P 500 tinha alta de 1,56%, a 6.469,85 pontos, enquanto o Nasdaq Composite avançava 1,88%, a 21.497,85 pontos. Todos os 11 subsetores do S&P 500 eram negociados em alta, com o setor imobiliário saltando 1,8%, enquanto o setor de consumo discricionário ganhava quase 2%.Powell disse que a política monetária dos Estados Unidos pode precisar de ajustes, dada a mudança no equilíbrio de riscos.Com isso, os operadores agora precificam uma probabilidade de quase 90% de um corte na taxa de juros pelo Fed em setembro, contra cerca de 75% antes dos comentários de Powell.Leia tambémIbovespa Ao Vivo: Bolsa dispara com exterior e retoma os 137 mil pontos após PowellBolsas dos EUA avançam 1% em meio a discurso de PowellPowell: desaceleração de empregos em julho é bem maior do que se olhava apenas um mêsA criação de vagas nos EUA desacelerou para uma média de apenas 35.000 por mês nos últimos três meses, abaixo dos 168.000 por mês durante 2024, conforme eleApesar de abrirem caminho para um corte de juros na reunião do Fed de 16 a 17 de setembro, as falas do chair também dão grande importância aos relatórios de emprego e inflação que serão divulgados antes disso.Após o discurso, o Ibovespa, que avançava cerca de 0,8%, ganhou força e subiu em torno de 2%, revertendo a trajetória de queda acumulada na semana para um saldo positivo.Agora, o índice caminha para fechar a sexta-feira com ganho semanal de cerca de 0,8%, após uma semana marcada por receios envolvendo movimentos do STF e o impasse entre Brasil e Estados Unidos.Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, reforçou que a fala do dirigente do Fed veio no sentido de sinalizar a possibilidade de corte de juros já em setembro. “Ele justificou essa visão com base na taxa de desemprego, que estaria se distanciando do nível de equilíbrio, o que exige atenção mais imediata. Em seu discurso, destacou que será necessário revisitar a política monetária, mas sem descartar o risco inflacionário”, aponta. Leia tambémDólar cai com aumento das apostas em corte de juros pelo Fed após discurso de PowellComentários de Powell abrem caminho para um corte de juros na reunião do Fed de 16 a 17 de setembroPara o especialista, o ponto central é que, desde março e abril, o Fed tem tratado o impacto das tarifas como algo pontual, buscando afastar a percepção de que haverá consequências inflacionárias duradouras. “No curto prazo, pode haver choques em alguns itens de forma escalonada, em setembro, outubro ou até janeiro, mas a interpretação é de que não haverá uma pressão que desancore as expectativas de inflação”, avalia. Diante disso, o cenário abriu espaço para cortes de juros já na próxima reunião. Vale lembrar que alguns dirigentes defendem dois cortes ainda em 2025, mas a maioria sinaliza pelo menos um movimento. Com apenas três reuniões até o fim do ano, esse posicionamento parece fazer bastante sentido.Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, aponta que o discurso trouxe um novo grau de otimismo para um mercado altamente apoiado na expectativa de uma breve retomada do ciclo de cortes de juros. “Apesar de reconhecer que o ambiente macro continua desafiador, especialmente com as mudanças em imigração e políticas comerciais afetando oferta e demanda com efeitos difíceis de antecipar, o presidente do Fed afirmou que a política monetária está restritiva e sinalizou a proximidade de ajustes, o que resultou em uma resposta imediata dos ativos”, avalia. Além das indicações de cortes de juros, Powell buscou tranquilizar o mercado em relação a interferências políticas nas decisões do banco central, em meio a frequentes ataques do presidente americano, Donald Trump. A sinalização é de que as decisões de política monetária serão tomadas somente em cima de dados e suas implicações para a perspectiva econômica e o balanço de riscos, e que essa abordagem jamais será deixada de lado pelos membros do comitê. “Essa postura firme é essencial para manter o nível de juros de longo prazo controlados, já que uma política monetária pouco confiável aumenta a precificação de risco de uma economia e, consequentemente, as taxas cobradas pelo mercado para investir em seus ativos”, ressalta. Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, avalia que o corte em setembro já era esperado, mas o Powell está sendo um pouco mais dovish, ou seja, um pouco mais leve com relação a manter a atual taxa de juros do que o mercado esperava. “Não se esperava um discurso dele tão inclinado a começar a fazer política monetária expansionista tão rápido. Acredito também que o mercado não estava esperando que ele falasse que o mercado de trabalho nos Estados Unidos já tinha passado por um pico e agora eventualmente esta esfriando”, aponta. Neste cenário, avalia Cruz, para o Brasil, o ambiente é positivo. “Com a taxa de juros doméstica ainda em patamar elevado, a atratividade do diferencial para o investidor internacional aumenta. É claro que, no curto prazo, seguimos acompanhando o cenário político local, mas é inegável que a política monetária americana continua sendo um dos principais vetores para o fluxo de capital estrangeiro”, conclui.(com Reuters)The post Ibovespa salta 2%, dólar cai mais de 1%: como as falas de Powell animaram o mercado? appeared first on InfoMoney.
