Inflação “transitória” dos EUA completa cinco anos e ainda incomoda

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WASHINGTON, 17 Mar (Reuters) – O pior surto inflacionário dos EUA em uma geração completa ⁠cinco anos este mês, um choque econômico que ainda gera debates de toda ordem, influencia a política nacional ⁠e frustra autoridades do Federal Reserve que tentam trazer o ritmo de aumento de preços de volta à sua meta de 2%.Quando a ‌queda vertiginosa da inflação no início da pandemia da Covid-19 gerou preocupações com uma perigosa espiral descendente de salários e preços, foi considerado um bom sinal quando os preços começaram a subir mais de 2% ao ano em março de 2021. Autoridades do Fed até planejaram incentivar a tendência emergente com a manutenção ‌das taxas de juros baixas.‘Queremos uma inflação de 2%, e não em uma base transitória’, disse o presidente do Fed, Jerome Powell, em uma coletiva de imprensa naquele mês, em uma declaração do tipo ‘cuidado com o que você deseja’ que assombraria o banco central. Os banqueiros centrais disseram esperar que a inflação ficaria acima de meta naquele ano, mas não muito, e que segurariam qualquer esforço para desacelerar a economia com alta de juros até que o aumento da inflação se mostrasse duradouro.Leia tambémNovo líder supremo do Irã rejeita propostas para reduzir tensões com EUAA posição de Mojtaba Khamenei em relação à vingança contra os EUA ⁠e ‌Israel foi ‘muito dura e séria’ ⁠em sua primeira sessão de política externa, disse a autoridade graduadaMas o ritmo continuou a se acelerar. No final do ano, o índice de preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), que o Fed usa para definir ⁠sua meta, ‌estava aumentando a uma taxa anual de mais de 6%, o triplo do seu alvo. O pico só foi atingido depois de passar de 7% em junho de ⁠2022, com o Fed, naquele momento, se esforçando para recuperar o atraso com aumentos acentuados e rápidos das taxas. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) chegou a 9% naquele mês, maior alta desde 1981, quando o Fed estava no processo de domar um descontrole ainda pior dos preços.As cicatrizes — políticas, financeiras e econômicas — não desaparecerão rapidamente.Veja o que aconteceu com a inflação nos últimos cinco anos:PRODUTOS ESSENCIAIS X SALÁRIOS‘As pessoas odeiam a inflação’ era um mantra popular entre as autoridades do Fed quando elas adotaram uma série historicamente rápida de aumentos de juros em 2022 para controlar ​a alta de preços, embora soubessem que o crédito mais restrito causaria dificuldades ao tornar casas ou carros novos inacessíveis para alguns consumidores devido ao custo de financiamento. A política monetária funciona, em parte, desestimulando a demanda por meio do aumento do custo do crédito, com a demanda mais fraca aliviando ​a pressão para aumentar preços.Um risco ainda maior era um ‘pouso forçado’ da inflação na forma de aumento do desemprego ou até mesmo de uma recessão. Isso não aconteceu dessa vez, apesar de muitos economistas importantes acharem que era inevitável.No entanto, é fácil entender por que as autoridades do Fed estavam dispostas a correr esse tipo de risco. A inflação funciona como um imposto e deixa todos em situação pior. Nos últimos seis anos, de fato, a inflação anulou a maior parte dos aumentos na renda pessoal, atingindo mais fortemente os menos favorecidos. Um dólar hoje equivale a cerca de 79 centavos de dólar em janeiro de 2020.PARA ‌COMPRADORES DE IMÓVEIS, UMA CURA DOLOROSAOs economistas às vezes dizem que a solução para a inflação é mais inflação, ​já que os preços altos acabarão matando a demanda. Mas, para o Fed, a solução para a inflação são taxas de juros mais altas. Com a elevação da taxa básica de juros, uma série de outros custos de empréstimos aumenta, especialmente o de financiamento de imóveis.Os aumentos das taxas do Fed a partir de 2022 ocorreram em um momento incomum. A política monetária frouxa do ⁠banco central que se consolidou durante a crise financeira de 2007 ​a 2009 condicionou os consumidores dos EUA, ​por mais de uma década, a hipotecas muito baratas — mais baratas do que em qualquer outro momento da história recente. A mudança abrupta de volta para custos de financiamento historicamente mais normais foi um ⁠choque. As expectativas desempenham um papel importante na economia e na política, e o público ​ainda está se adaptando ao fato de que o ‘dinheiro barato’ acabou por enquanto.Uma taxa de hipoteca que aumenta de menos de 3% para mais de 6% adiciona centenas de dólares aos pagamentos mensais e pode ser frustrante para aqueles que descobrem que sua renda não pode mais sustentar a compra de uma casa.A BATALHA CONTINUAEnquanto o Fed se reúne esta semana, ​com a expectativa de manter as taxas de juros estáveis, os EUA ainda estão enfrentando as consequências do que os economistas passaram a considerar como uma colisão entre cadeias de suprimentos limitadas pela pandemia e a demanda desencadeada por trilhões de dólares de gastos federais ​da era Covid.Ao mesmo tempo, a medida de inflação ⁠preferida do Fed permanece cerca de um ponto acima da meta, em torno de 3%, a política monetária continua um pouco apertada e um novo choque de preços pode estar se desenvolvendo com os preços do ⁠petróleo acima de US$100 por barril devido à guerra liderada pelos EUA e por Israel contra o Irã e os preços da gasolina chegando a US$3,70, cerca de 25% mais altos desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro.O presidente Donald Trump, que usou a raiva em relação à inflação e aos preços altos como um poderoso discurso de campanha para a reeleição em 2024, está lidando com as preocupações contínuas dos eleitores em relação à ‘acessibilidade’, com os preços dos alimentos ainda subindo, as taxas de hipoteca de imóveis mantidas acima de 6% e o sistema de saúde e outros custos importantes que estressam os orçamentos familiares.Ele prometeu que os preços cairiam. Isso não aconteceu. Raramente ​caem.The post Inflação “transitória” dos EUA completa cinco anos e ainda incomoda appeared first on InfoMoney.

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