O Congresso Nacional instalou, nesta quarta-feira (20), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que vai investigar suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A formação do colegiado surpreendeu parlamentares após a eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência e a escolha do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) como relator — nomes que não estavam entre os previamente articulados pelo governo.Leia tambémCâmara deve votar urgência de projeto que isenta IR para quem ganha até R$ 5 milProposta é uma promessa de campanha do presidente Lula e uma prioridade para o governo Câmara aprova urgência para projeto que pune deputados por obstrução de sessõesApós protesto bolsonarista, proposta prevê até seis meses de suspensão para quem impedir atividades legislativasA eleição ocorreu por votação, e não por acordo entre os líderes, como costuma acontecer. Anteriormente, o nome do senador Omar Aziz (PSD-AM) era dado como certo para presidir o colegiado, indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A mudança de rota gerou reações imediatas da oposição, que comemorou a nomeação de Gaspar aos gritos de “agora sim terá isenção”.Acusações de blindagemAté então, a expectativa era que o senador Omar Aziz e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) assumissem os postos de presidente e relator. Ambos, porém, não chegaram a assinar o requerimento de criação da comissão, o que gerou críticas por parte de opositores.“O governo tentou blindar a CPMI”, afirmou o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), integrante do colegiado. “Será que ele vai ser eleito? Ou poderemos ter surpresa?”, disse, antes da definição dos nomes.Com a derrota da articulação inicial, Carlos Viana assume a condução dos trabalhos e terá a responsabilidade de coordenar uma comissão marcada desde o início por disputas políticas.Fraudes bilionáriasChrisóstomo defende que a CPMI se concentre nas vítimas das fraudes: aposentados e pessoas com deficiência. Ele afirma que os descontos indevidos teriam começado em 2011, durante o governo Dilma Rousseff (PT), e que, ao contrário do que se tenta imputar à gestão Jair Bolsonaro (PL), medidas foram tomadas para coibir os desvios, mas barradas pelo Congresso à época.O parlamentar diz que os prejuízos aumentaram expressivamente nos últimos anos: “A fraude dobrou em 2023 e triplicou em 2024, chegando a R$ 6,4 bilhões em seis anos”, afirma.Para ele, o primeiro passo é identificar os responsáveis e puni-los “de forma exemplar”, além de propor soluções legislativas. “São essas pessoas que estão sofrendo”, afirmou, referindo-se aos beneficiários do INSS.The post Instalação da CPMI do INSS surpreende com relator fora do acordo e acirra embate appeared first on InfoMoney.
