IR, segurança e Trump: quais temas que devem dominar o debate eleitoral em 2026?

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Impostos elevados, jornadas longas, renda que encolhe antes do fim do mês e a percepção de insegurança nas ruas compõem um cenário de desgaste social que deve ganhar peso no debate presidencial de 2026. Segundo cientistas políticos, esse mal-estar, vivido no dia a dia, deve se consolidar como um dos principais campos de confronto entre governo e oposição ao longo da campanha, com cada lado tentando atribuir responsabilidades e oferecer soluções distintas para problemas que afetam diretamente a base do eleitorado.Economia no bolso, segurança nas ruasNo púlpito dos debates para a reeleição em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve apostar em medidas de apelo direto, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, o combate à escala 6×1 e a superação do tarifaço imposto por Donald Trump. A estratégia é reforçar a ideia de alívio econômico e proteção aos mais vulneráveis.No campo oposto, as candidaturas ligadas à direita, especialmente a de Flávio Bolsonaro (PL), tendem a explorar o que veem como o ponto mais frágil do governo petista: a segurança pública. A tentativa será associar a sensação de insegurança à gestão federal, deslocando o foco do debate econômico para a ordem pública.Para o cientista político e professor da UFRJ Jorge Chaloub, as decisões de Donald Trump e seus reflexos na política externa devem atravessar a campanha. “A vitória sobre o tarifaço vai ser um tema muito central, porque inicialmente foi um grande trunfo da família Bolsonaro, mas o recuo, junto com a queda da Lei Magnitsky, é uma vitória grande para Lula e para o governo”, avalia.O especialista, no entanto, destaca que a oposição deve aproveitar o tema das relações internacionais para usar a aproximação do governo à China e à Venezuela como um contrapeso para balancear a perda nesse tema.Chaloub também observa que Lula conseguiu se reposicionar no debate público e nas redes como um presidente novamente identificado com os mais pobres. Esse movimento, segundo ele, tende a ser um ativo eleitoral relevante em um ano de campanha marcado por disputas sobre renda, trabalho e segurança.Gastos públicosA última pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada na terça-feira (16), mostra que a grande maioria da população considera insatisfatória a postura de Lula diante da segurança pública. 47% dos entrevistados classificam a atuação do presidente no tema como ruim ou péssima, 26% consideram regular e 24% avaliam o desempenho como ótimo ou bom.No campo do controle e corte de gastos públicos, o cenário é ainda pior. 50% dos entrevistados considera a política fiscal de Lula ruim ou péssima, enquanto 24% a classificam como regular e somente 19% avaliam como positiva.“Na eleição, [o auxílio aos mais pobres] é uma retórica que volta a ser muito presente no discurso do PT e faz sentido de acordo com a sua trajetória. Evidentemente, o governo aposta na isenção do IR, que é algo que atinge esse eleitor com faixa de 2 a 5 salários mínimos, que não o avaliava tão bem quanto quem ganha até 2”, diz Chaloub. “Na oposição, voltaremos a ver o discurso de que o governo gasta demais, o que pode reaproximar Lula das acusações sobre corrupção com uma averbação de recursos públicos”, afirma.PL AntifacçãoTambém na terça-feira (16), o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a base deverá retomar as discussões sobre o Projeto de Lei Antifacção em fevereiro. O texto propõe mudanças nas tipificações de crimes, endurece penas e impedimentos legais aos criminosos, assim como reconfigura a partilha de poder entre as polícias estaduais e a Polícia Federal.O projeto enfrenta uma tramitação difícil e, agora no Senado, aguarda a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), que promete trazer respiro ao governo com maior aceitação às mudanças propostas pela base aliada.Na perspectiva das eleições, a aprovação do projeto com as mudanças propostas trará maior visibilidade às ações da Polícia Federal no combate ao crime organizado e dará a impressão ao eleitor de que o governo está atuando na raiz do problema que afeta diversas cidades brasileiras.“Segurança pública é mais usualmente mobilizada em campanhas pela direita. As recentes operações policiais e as reações dos governadores, como Cláudio Castro e Tarcísio de Freitas, mostram que esse é um tema que vai articular o debate”, reflete Chaloub. “Eles devem tentar mobilizar um mal-estar, uma insatisfação popular em torno da ausência ou atitudes fracas.”“Mas houve um escorregão da oposição no PL Antifacção, porque permitiu uma aproximação entre os defensores da Polícia Federal como corporação e o governo”, indaga. Para o cientista político, a pequena brecha pró-governo no tema, no entanto, deve render poucos frutos.The post IR, segurança e Trump: quais temas que devem dominar o debate eleitoral em 2026? appeared first on InfoMoney.

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