Irã endurece posição em negociações em meio a esforços de mediação, dizem fontes

Blog

DUBAI, 24 Mar (Reuters) – A postura de negociação do Irã endureceu acentuadamente desde o início da guerra, com a Guarda Revolucionária exercendo crescente influência sobre a tomada de decisões, e o país exigirá concessões significativas dos Estados Unidos caso os esforços de mediação levem a conversas sérias, disseram três fontes de alto escalão em Teerã.Em qualquer negociação com os EUA, segundo as fontes, o Irã não exigiria apenas o fim da guerra, mas também concessões que provavelmente seriam linhas vermelhas para o presidente norte-americano, Donald Trump: garantias contra futuras ações militares, compensação por perdas sofridas durante a guerra e controle formal do Estreito de Ormuz.O Irã também se recusaria a negociar quaisquer limitações ao seu programa de mísseis balísticos, disseram elas, uma questão que havia sido uma linha vermelha para Teerã durante as negociações que estavam ocorrendo quando os EUA e Israel lançaram seu ataque, no mês passado.SINAIS CONTRADITÓRIOSTrump afirmou na segunda-feira que Washington já havia tido “conversas muito, muito fortes” com Teerã mais de três semanas após o início da guerra, mas o Irã negou publicamente essa afirmação.As três fontes de alto escalão disseram que o Irã teve apenas discussões preliminares com o Paquistão, a Turquia e o Egito sobre se havia bases para negociações com os Estados Unidos a respeito do fim da guerra.Leia tambémIrã nomeia ex-comandante da Guarda Revolucionária para Segurança NacionalA TV estatal iraniana identificou o novo secretário como Mohammad Bagher ZolghadrIrã zomba de comentário de Trump sobre controle conjunto de Estreito de OrmuzA embaixada do Irã na África do Sul publicou uma imagem no X mostrando um volante rosa de criança colocado no painel de um carro em frente ao banco do passageiro, aparentemente zombando da ideia de Trump, transmitida aos repórteresUm funcionário europeu afirmou na segunda-feira que, embora não tenha havido negociações diretas entre o Irã e os EUA, o Egito, o Paquistão e os países do Golfo Pérsico estavam transmitindo mensagens.Um funcionário paquistanês e uma segunda fonte também disseram na segunda-feira que conversas diretas sobre o fim da guerra poderiam ser realizadas em Islamabad esta semana.Caso tais negociações sejam organizadas, o Irã enviará o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, para participar, disseram as três fontes iranianas. Elas alertaram que quaisquer decisões caberiam, em última instância, à linha-dura da Guarda Revolucionária Islâmica.ISRAEL DUVIDA DA POSSIBILIDADE DE ACORDOTrês altos funcionários israelenses também disseram nesta terça-feira que, embora Trump parecesse determinado a chegar a um acordo, consideravam improvável que Teerã concordasse com as exigências dos EUA. Segundo estes funcionários, as exigências incluiriam o fim dos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã.O uso de mísseis balísticos pelo Irã e sua capacidade de fechar efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde normalmente flui cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, têm sido suas respostas mais eficazes aos ataques dos EUA e de Israel.Leia tambémPresidente alemão chama guerra no Irã de erro desastroso em rara repreensão a TrumpFrank-Walter Steinmeier afirma que conflito viola o direito internacional e marca ruptura profunda nos laços com os EUAAftermarket: Com Hormuz fechado e caos global, um Trump sem saída assusta mercados Esse é o cenário que gestores de peso do mercado financeiro brasileiro passaram os últimos dias tentando decifrarSegundo analistas, o país não poderia concordar em abrir mão dessas armas sem se deixar vulnerável a novos ataques.Os estrategistas iranianos também podem estar relutantes em confiar em acordos com EUA e Israel após terem sido atacados na sequência de um acordo anterior no ano passado, apesar de estarem envolvidos em negociações em curso na época. Eles também observaram Israel continuar a atacar o Líbano e Gaza após o cessar-fogo nessas regiões.No Irã, preocupações internas também estão limitando a margem de manobra de Teerã nas negociações, disseram fontes iranianas de alto escalão.Essas preocupações incluíam a maior influência da Guarda Revolucionária, a incerteza no topo do sistema, visto que o novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, ainda não havia aparecido em fotografias ou vídeos desde sua nomeação, e uma narrativa pública de resiliência na guerra.The post Irã endurece posição em negociações em meio a esforços de mediação, dizem fontes appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *