JBS (JBSS32): diversificação e resiliência sustentam balanço e ação salta após 4T

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A JBS (BDR: JBSS32) que é listada nos EUA, valorizava-se mais de 8%, após mostrar lucro de US$ 415 milhões no quarto trimestre, enquanto a receita líquida atingiu um recorde de US$ 23,06 bilhões. A companhia ainda aprovou dividendo de US$1 por ação. Às 13h45 (horário de Brasília), os papéis subiam 8,19%, a US$ 17,04, no mercado americano. A JBS, na visão do Bradesco BBI, reportou um 4T25 consistente, com números amplamente em linha com as estimativas do banco, refletindo melhora operacional em diversas divisões e geração de caixa expressiva. A receita consolidada alcançou US$ 23,1 bilhões, avanço de 16% no comparativo anual, apoiada por crescimento em todas as unidades de negócio. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado somou US$ 1,7 bilhão, queda de 8% na comparação anual e margem de 7,3%, com destaques para a recuperação sequencial da Seara e do segmento de bovinos nos EUA. O lucro líquido permaneceu estável em US$ 415 milhões, refletindo a compensação entre maiores despesas financeiras e reversão de imposto de renda. A geração de fluxo de caixa livre foi robusta em US$ 990 milhões, impulsionada por liberação de US$ 877 milhões em capital de giro. No consolidado de 2025, o FCF (fluxo de caixa livre) recuou para US$ 400 milhões, limitado por um consumo de capital de giro de US$ 852 milhões e capex (investimentos) de US$ 2,1 bilhões, alta de 42% anual e compatível com o plano de investimentos da companhia. A alavancagem permaneceu estável em 2,7x, o que permitiu o anúncio de dividendo adicional de US$ 1/ação, a ser pago em junho de 2026 (yield de 6,3%). PNa visão do BBI, o trimestre reforça a capacidade da JBS de navegar um ambiente global desafiador, marcado por spreads pressionados em aves nos EUA, oferta apertada de gado no mercado norte americano e incertezas sobre o ritmo de normalização da Seara após o choque de exportações do 3T25. “Avaliamos que a empresa conseguiu entregar desempenho positivo diante desses vetores adversos, especialmente ao registrar melhora operacional em segmentos críticos e manter alavancagem controlada”, aponta o banco.Leia mais: Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2025 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 4T25 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoAinda assim, o panorama para 2026 permanece menos favorável do ponto de vista do ciclo de proteínas: a disponibilidade de gado nos EUA deve continuar diminuindo, reduzindo a probabilidade de inflexão nas margens de bovinos; PPC e Seara iniciam o ano com uma base de resultados mais fraca; e o avanço de cerca de 10% no alojamento de matrizes no Brasil em 2025 tende a gerar maior oferta ao longo de 2026, elevando o risco de compressão adicional das margens domésticas. Esses fatores devem limitar a aceleração de lucros do setor no curto prazo e reduzira visibilidade para catalisadores positivos relevantes.Apesar disso, o BBI vê a JBS em posição diferenciada frente aos pares, combinando balanço saudável, capacidade de execução, disciplina de capital e valuation descontado —elementos que sustentam nossa visão construtiva e a mantêm como nossa única preferência no universo de proteínas.O Itaú BBA também destaca um quarto trimestre sólido, com Ebitda ligeiramente acima do consenso, sustentado principalmente pelo desempenho acima do esperado da carne bovina nos EUA e pela resiliência das margens (rentabilidade) da Seara, mesmo em um cenário global ainda desafiador para proteínas. “A diversificação entre proteínas e geografias, somada à disciplina operacional, ajudou a companhia a atravessar pressões do ciclo do gado e ruídos relacionados à gripe aviária”, avalia. Além disso, a forte geração de caixa permitiu redução de alavancagem e retorno de capital aos acionistas, com dividendos anunciados de US$ 1 por ação (cerca de 6% de retorno). Em relação ao valuation, o BBA aponta que a JBS segue negociando a múltiplos inferiores aos pares globais, com valor da empresa em relação ao Ebitda (EV/Ebitda) abaixo de 6 vezes, contra patamares históricos entre 7 vezes e 8 vezes para empresas comparáveis, mesmo considerando margens normalizadas. “Esse desconto, aliado à execução operacional consistente e à solidez financeira, sustenta a tese construtiva para o papel, o que sustenta nossa recomendação de ‘compra’ para a ação negociada em Nova York, com preço-alvo de US$ 20 ao fim de 2026”, avalia a equipe de análise. Para a XP Investimentos, no lado positivo: (i) a JBS Australia superou projeções pode levar a revisões de lucros; (ii) a Seara superou seu principal concorrente; (iii) US Pork entregou um trimestre sólido e acima do esperado; (iv) a margem positiva em US Beef foi inesperada; e (v) o FCF (fluxo de caixa livre) foi forte, em R$ 5 bilhões, acima da projeção da XP em R$ 3,8 bilhões.Ainda assim, além de um trimestre decepcionante para JBS Brazil e PPC, observa piora nas condições do ciclo do frango no Brasil e nos EUA, juntamente com as piores margens já registradas para o setor de carne bovina nos EUA no primeiro trimestre (com a forte recuperação de margens observada ao longo de março ainda sendo avaliada quanto à sua sustentabilidade).“Em alguns momentos, criticamos a JBS por sua exposição a todas as proteínas e regiões, o que limita a possibilidade de capturar ciclos específicos de commodities; porém, a excelência operacional e a gestão do passivo da Companhia mudaram seu perfil de geração de valor ao acionista”, aponta a XP. Ainda assim, com um cenário tão volátil quanto possível (guerra no Irã, surtos de gripe aviária, escrutínio governamental, greves de trabalhadores), a diversificação de lucros é mais do que bem-vinda, finaliza. The post JBS (JBSS32): diversificação e resiliência sustentam balanço e ação salta após 4T appeared first on InfoMoney.

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