O JPMorgan adotou uma postura mais cautelosa em todas as empresas de agronegócio sob sua cobertura, rebaixando a São Martinho (SMTO3) de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para neutra, movendo Adecoagro de não coberta para underweight (exposição abaixo do mercado, equivalente à venda) após um período de restrição e mantendo recomendação neutra para a SLC Agrícola (SLCE3).Por volta das 11h56 (horário de Brasília) desta segunda-feira (1), as ações da São Martinho caíam 3,94%, a R$ 13,40, enquanto os papéis da SLC subiam 0,12%, a R$ 16,56.Para a próxima safra, em 2026, os analistas não veem catalisadores claros para alta de preços. A avaliação é de que todos os mercados seguem com oferta excessiva e não há eventos climáticos no radar que possam apertar o balanço global. Nesse contexto, o banco demonstra maior cautela em relação aos mercados de açúcar e etanol, já que 2026 deve registrar uma forte entrada de nova oferta de etanol de milho, movimento que tende a pressionar os preços para níveis abaixo da paridade histórica com a gasolina.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta manter os 158 mil pontosBolsas dos EUA recuam juntas no primeiro pregão de dezembroItaúsa (ITSA4) aprova distribuição de proventos adicionais no valor de R$ 8,722 biTerão como base de cálculo a posição acionária final do dia 9 de dezembro de 2025Além disso, segundo o relatório, todas as companhias estão envolvidas em planos relevantes de investimentos (capex), fazendo de 2026 um ano de queima de caixa, com alavancagem em alta e elevação do risco de balanço.JPMorgan tem preferência relativa por SLCO JPMorgan disse preferir SLC a São Martinho pela maior estabilidade das perspectivas para soja em comparação com açúcar, mas não vê ponto de entrada atrativo em nenhuma das duas até que haja sinais mais fortes de recuperação das commodities.O banco projeta preço líquido de US$ 8,8/bushel (bu) para a soja da companhia em 2026, R$ 47/saca para o milho e US$ 0,70/lb (libra-peso) para o algodão, todos abaixo das estimativas anteriores. Ainda assim, segundo analistas, a SLC se destaca pela diversificação das culturas, com peso relevante de algodão e milho, oferecendo resiliência, além da expansão contínua e da alocação disciplinada de capital, que sustentam o crescimento de longo prazo.De forma geral, investidores parecem aguardar sinais mais claros de recuperação do ciclo, o que poderia levar os múltiplos atuais a níveis mais atraentes. O JPMorgan vê a SLC negociando a 17% de FCF yield (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre) ex-expansão esperado para 2026, ou 5,8 vezes EV/EBITDA (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), patamar próximo ao justo. O banco manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 19.São Martinho (SMTO3) No caso da São Martinho, o JPMorgan aponta um ambiente de ventos contrários cada vez mais intensos, marcado pela rápida expansão da capacidade de etanol de milho no Brasil e pela fraqueza persistente do mercado de açúcar. Apesar da diversificação das receitas, da eficiência operacional reconhecida e dos projetos de expansão em andamento, as ações permanecem fortemente correlacionadas ao comportamento do açúcar e do etanol, que devem seguir pressionados com o avanço da oferta no país.Pela ótica fundamentalista, o banco avalia que a geração de caixa e os dividendos devem continuar limitados até a entrega dos projetos de expansão. Embora investimentos feitos no vale do ciclo possam justificar a análise pelo FCF ex-expansão, o JPMorgan identifica pouco apetite dos investidores por essa abordagem em um ambiente de juros elevados, real mais forte e enfraquecimento das principais commodities.O JPMorgan manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17.AdecoagroO JPMorgan classifica o caso da Adecoagro como mais complexo, com fatores micro cada vez mais dominando a narrativa macro. Apesar de vantagens competitivas na Argentina e no Brasil, o interesse do investidor segue baixo pela liquidez reduzida das ações e pela falta de tração das commodities. Analistas também avaliam que a recente troca de controlador adicionou mais incerteza, já que a complexidade operacional e geográfica tende a aumentar com novos empreendimentos em mineração de bitcoin e produção de fertilizantes na Argentina. “Sem histórico claro de alocação de capital do novo dono, com alavancagem em alta e novos projetos em meio a mercados pressionados, torna-se difícil sustentar a tese neste momento”, explica o banco. Diferentemente de São Martinho e SLC, onde a disciplina de capital oferece algum conforto, o cenário para Adecoagro permanece desafiador, sustentando a recomendação de venda e preço-alvo US$ 7, abaixo do anterior de US$ 12 antes da restrição de cobertura.The post JPMorgan fica mais cauteloso no agro e rebaixa São Martinho; SLC segue neutra appeared first on InfoMoney.
