Com a proximidade da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25), o JPMorgan atualizou suas estimativas para as siderúrgicas brasileiras e reiterou sua preferência pelas ações da Gerdau (GGBR4). Por volta das 11h, as ações GGBR4 subiam 1,42%, a R$ 22,91.O banco afirmou que segue com visão pessimista para a indústria siderúrgica, uma vez que a situação do setor vem se deteriorando nos últimos, principalmente em razão das exportações chinesas de aço. Segundo analistas, apenas dois fatores poderiam desencadear uma mudança efetiva no setor: alguma alteração relevante no nível de exportações da China e o Brasil implementar uma proteção tarifária semelhante à dos Estados Unidos. No entanto, o JPMorgan não vê potencial para que isso se concretize.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe forte e testa os 186 mil pontosÍndices futuros dos EUA operam mistos União Pet (AUAU3): qual visão dos bancos para as ações após conversas com executivosCompanhia acredita que seu ecossistema integrado oferece alavancas competitivas relevantes para enfrentar os marketplaces, ao mesmo tempo em que enxerga um amplo espaço para crescimento no BrasilMedidas antidumpingEmbora o JPMorgan avalie positivamente a imposição de medidas antidumping e espere que a rentabilidade geral da indústria se beneficie dessas medidas, o banco continua preocupado que o impacto nos próximos meses possa ser limitado por várias razões. Primeiro, as importações de aço podem passar a vir de outras regiões. “Como já vimos em casos envolvendo a Europa, quando impostos mais elevados sobre uma região específica são implementados, o efeito imediato costuma ser positivo, mas, após alguns meses, outras regiões aumentam suas exportações, o que também pode reduzir o efeito das tarifas”, lembra.Em segundo lugar, o banco cita que preços mais altos podem limitar a demanda doméstica. Apesar de as importações serem as principais responsáveis pelo atual cenário de rentabilidade, a demanda pode se deteriorar com a elevação dos preços do aço e acabar restringindo o impacto da tributação.Na semana passada, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) aprovou a imposição de medidas antidumping definitivas por até cinco anos sobre o aço pré-pintado importado da China e da Índia. Além disso, o Comitê aprovou de forma inesperada um aumento das tarifas de importação sobre nove códigos NCM (o sistema internacional de classificação para fins tributários), de 11%-13% para 25%, que juntos representam aproximadamente 14% do total das importações de aço do Brasil nos últimos 12 meses.Gerdau (GGBR4)A Gerdau continua sendo a principal recomendação do banco dentro do setor, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 29, principalmente devido à sua elevada exposição ao mercado norte-americano. Desde o início da administração Trump, novas tarifas, incluindo o mais recente imposto de 50% sobre o aço importado, têm sustentado preços mais altos e aumentado a demanda na região. A presença da Gerdau na América do Norte a posiciona para se beneficiar dessas tendências favoráveis, diferenciando-a de seus pares locais.Na operação brasileira, segundo o JPMorgan, a Gerdau deve apresentar margens menores na comparação trimestral, com maior volume de exportações e piora no mix de produtos. Usiminas (USIM5)O JPMorgan reduziu suas estimativas para o 4T da Usiminas devido a preços mais baixos e volumes mais fracos, impactados pela sazonalidade do setor, parcialmente compensados por menores custos e maior contribuição da mineração. O banco reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5. O rebaixamento em 2024 foi motivado por custos acima do esperado e pelo aumento das importações de aço da China. Embora ainda espere que as importações chinesas permaneçam acima das médias históricas, analistas acreditam que esses fatores já estejam refletidos no preço das ações. Após a reforma do Alto-Forno nº 3 (BF#3), a ação da Usiminas atingiu pico de R$ 11 por papel, mas desde então recuou para cerca de R$ 4 (queda de aproximadamente 60%, contra alta de 10% do Ibovespa), nível no qual vemos espaço limitado para novas perdas.Para o JPMorgan, a empresa deve se beneficiar da redução de custos nos próximos trimestres, à medida que os preços das matérias-primas continuem a cair. Além disso, há potencial de valorização caso medidas antidumping sejam aprovadas no Brasil ou se as políticas chinesas de “anti-involução” tenham maior impacto. CSN (CSNA3)Para a CSN, a unidade de aço também deve sofrer com a sazonalidade, mas deve ser parcialmente sustentada pela unidade de mineração, que, apesar da contração trimestre a trimestre, deve reportar resultados sólidos. O JPMorgan reiterou classificação neutra, com preço-alvo de R$ 9,00 por ação, pois acredita que o aço chinês continuará pressionando os resultados do segmento siderúrgico nos próximos trimestres, e o balanço da companhia já carrega mais dívida do que seus pares (4,5 vezes dívida líquida/Ebitda para 2026, ajustada por pré-pagamentos).Embora espere que os preços do minério de ferro apresentem tendência de queda até 2026, o negócio de mineração deve seguir como um dos principais motores de desempenho da empresa. O banco classifica a CSN Mineração (CMIN3) como underweight (abaixo da média do mercado), pois vê opções mais atrativas em minério de ferro na América Latina, como a Vale (VALE3), especialmente considerando o valuation.The post JPMorgan vê desafio para siderúrgicas apesar de medida comercial; Gerdau é preferida appeared first on InfoMoney.
