SÃO PAULO, 23 Mar (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira com baixas firmes, superiores a 30 pontos-base em alguns vencimentos, em uma sessão marcada pela busca global por ativos de risco após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar por cinco dias os ataques contra usinas de energia do Irã e afirmar que os dois países estão conversando sobre a guerra.No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,795%, em queda de 33 pontos-base ante o ajuste de 14,122% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,865%, com recuo de 18 pontos-base ante 14,04%.Pela manhã, Trump afirmou que deu instruções para adiar quaisquer ataques militares contra usinas de energia iranianas por cinco dias, além de citar conversas “muito boas e produtivas” entre os países.Durante o dia, ele reforçou a possibilidade de um acordo. “Com o Irã, estamos negociando há muito tempo e, desta vez, eles estão falando sério”, disse.Do lado de Teerã, no entanto, a agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte, afirmou que não há comunicações diretas ou indiretas com os EUA.O desencontro de narrativas trouxe certa volatilidade para a curva a termo brasileira na abertura, mas ainda na primeira hora de negociações as taxas se firmaram em baixa, com o dólar também em queda ante o real.A taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,765% (-36 pontos-base) às 16h21, em meio ao apetite dos investidores globais por ativos de risco.No exterior, os preços do barril de petróleo Brent cediam mais de 10% no fim da tarde, para abaixo de US$100, aliviando parte das preocupações sobre o efeito da guerra na inflação dos países — incluindo o Brasil.No boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central, no entanto, os economistas do mercado financeiro elevaram de 4,10% para 4,17% a projeção para a inflação no Brasil em 2026. O centro da meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%. Este foi o segundo avanço semanal da projeção de inflação no Focus.No caso da Selic, os economistas elevaram de 12,25% para 12,50% a taxa projetada para o fim de 2026, na esteira das preocupações de que a disparada recente do petróleo possa pressionar a inflação brasileira, reduzindo o espaço para cortes de juros.Como atualmente a taxa básica está em 14,75% ao ano, na prática os economistas projetam mais 225 pontos-base de cortes até o fim do ano. A expectativa no Focus é de que o BC corte a Selic em 50 pontos-base em abril.A curva a termo, porém, vem mostrando uma precificação majoritária de corte de apenas 25 pontos-base da Selic em abril, com investidores avaliando que a desancoragem das expectativas de inflação em função da guerra fará o BC ser mais cauteloso. No comunicado de política monetária da semana passada, o BC voltou a citar um cenário marcado por “expectativas desancoradas” e “projeções de inflação elevadas”.A inflação implícita nos títulos públicos brasileiros também revela a desancoragem de expectativas. Conforme relatório divulgado pela manhã pela Warren Rena, a inflação acumulada em 12 meses implícita nos títulos públicos com vencimento em agosto deste ano estava em 4,84%, bem acima dos 3,52% de um mês atrás, antes da guerra.Na terça-feira, o BC divulgará a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), com mais detalhes sobre sua última decisão.No exterior, os rendimentos dos Treasuries recuavam após Trump adiar os ataques planejados às usinas iranianas. Às 16h38, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 5 pontos-base, a 4,34%.The post Juros futuros têm baixas firmes após Trump adiar ataques contra usinas do Irã appeared first on InfoMoney.
