Leste versus Oeste. Raio de 15 km na capital de SP vê disputa por galpões logísticos

Blog

As compras pelo e-commerce vêm crescendo e a agilidade na entrega dos produtos é um diferencial para essas empresas. Quem escolhe uma compra baseada no tempo da entrega pode não saber, mas está movimentando a demanda por um mercado bilionário que disputa espaço disponível para estoque e armazenamento em uma cidade altamente urbanizada e com déficit de moradia. E o principal gargalo está nos últimos 15 quilômetros de entrega, conhecido como operação Last Mile.Em São Paulo, duas regiões disputam protagonismo neste mercado: a saída Leste e a saída Oeste da cidade, que dão acesso a rodovias importantes, como Ayrton Senna e Castelo Branco.Lei também: Galpões logísticos têm vacância recorde de 7,2% no segundo trimestre de 2025Leia também: Galpões logísticos são porto seguro para o investidor imobiliário em tempos de incertezaSegundo Fernando Didziakas, sócio-diretor da Buildings, empresa de pesquisa imobiliária corporativa, a principal diferença é que, na saída Leste, onde está Guarulhos, existem condomínios maiores e uma atividade construtiva maior. Por isso, os condomínios logísticos são grandes, e ainda há um volume de metros quadrados maior que está em construção. Com a vacância maior, o preço é menor. “Já a saída Oeste, que pega o final de São Paulo ali, Jaguaré, Barra Funda, mais Barueri, os condomínios são um pouco menores e a atividade construtiva também”, afirma DidziakasGalpão logístico Goodman Jaguaré, construído a partir de um retrofit de uma gráfica em São Paulo (Foto: Divulgação/Buildings)Leia também: Setor logístico intensifica busca por imóveis de maior qualidade; “eficiência e ESG”Leste X Oeste: qual área vai expandir mais?Dados da Buildings apontam que a saída Oeste da cidade de São Paulo concentra o maior número de condomínios de galpões logísticos, somando 75 no total, contra 43 da região Leste.Na Oeste, o preço médio de aluguel é mais alto, em R$ 39,3/m² contra R$ 36,6/m² na Leste. Em relação à ocupação, há 448 empresas na região Oeste, com média de 5.887 m², ante 297 empresas na Leste, com média de ocupação de 9.257 m².Raio de 15 kmSaída OesteSaída LesteCondomínios7543Estoque total2,0 milhões m²2,7 milhões m²Vacância3,20%8,20%Preço pedidoR$ 39,3/m²R$ 36,6/m²Atividade construtiva144,1 mil m²732,8 mil m²Total empresas448297Média ocupação5.887 m²9.257 m²“Guarulhos tem muita coisa construindo, muitas empresas estão disputando espaço lá. Hoje, o preço do que está disponível é R$ 36, mas já tem muitos empreendimentos que cobram acima de R$ 40”, explica.Entre os destaques da região, está um condomínio logístico que está sendo construído dentro do Aeroporto de Guarulhos pela Brookfield, com preço médido pedido que ultrapassa dos R$ 100 por metro quadrado. “Um preço de Vila Olímpia para os galpões logísticos”, brinca.Entre os maiores ocupantes, destaca-se o Grupo Pão de Açúcar (GPA) na saída Oeste, com 120,4 mil m²; e o Mercado Livre na saída Leste, com 381,1 mil m².Maiores ocupantesSaída OesteSaída LesteGPA120.458,21 m²Mercado Livre381.186,52 m²Mercado Livre114.260,01 m²Shein215.452,05 m²Carrefour87.700 m²Magalu120.000 m²Leo Madeiras72.128 m²Riachuelo103.280,5 m²Pirelli68.000 m²RD Saúde55.731,5 m²Média92.509 m²175.130 m²Entre as cidades, Guarulhos despontaA proximidade do aeroporto, do centro de SP, e uma maior disponibilidade de áreas para construção colocam foco sobre o potencial de Guarulhos para este mercado, que tinha como “estrela” a cidade de Cajamar.“A proximidade com o São Paulo, mais o potencial de terrenos construtivos, fez nos últimos anos com que Cajamar fosse uma das principais cidades de desenvolvimento de grandes condomínios logísticos. Hoje o grande foco de novos desenvolvimentos está em Guarulhos, por conta da proximidade com a cidade de São Paulo”, afirma Didziakas.Entre as empresas que mantêm áreas na cidade, está a Shein, que tem uma área de 200 mil m² do lado do aeroporto de Guarulhos.CajamarGuarulhosCondomínios prontos2236m² entregues2,7 milhões2,4 milhõesm² em construção684 mil881 milvacância6%6,40%preço médio atualR$ 26R$ 36preço médio pedidoR$ 28R$ 33Dentro de SP, faltam áreasEm uma cidade altamente urbanizada, encontrar terrenos disponíveis dentro da capital de SP é uma tarefa que demanda muita pesquisa, olhar ampliado e rapidez na disputa com o mercado de imóveis residenciais.“O problema não é falta de dinheiro nas empresas que desenvolvem galpões dentro da cidade. A grande dificuldade é encontrar terrenos disponíveis”, afirma.A saída é “montar” terreno, explica Didziakas, comprando vários imóveis próximos e construindo um galpão maior. Ou, ainda, reaproveitar construções existentes, reformar e tornar adequado para o uso logístico. “Por vezes, você vai tentar comprar um galpão antigo e tentar retrofitar, ou comprar uma fábrica, que é o que acontece nos modelos hoje”, diz.Esta opção é importante porque alguns centros de distribuição estão mais afastados, e a distribuição dentro da praça (cidade) ocorre em galpões menores. “Acaba sendo um galpão logístico em que o produto entra em um dia e sai no outro, ou às vezes entra em uma manhã e sai à tarde. Ele só passa ali para trocar de veículo que vai fazer a entrega final”, afirma.Um exemplo dado por Didziakas é o Goodman Jaguaré, que era uma gráfica na região do Jaguaré, e foi comprada e retrofitada para virar um galpão logístico dentro da cidade.The post Leste versus Oeste. Raio de 15 km na capital de SP vê disputa por galpões logísticos appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *