Líderes globais reagem com cautela e estudam retaliações a novas tarifas de Trump

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Líderes globais adotaram uma postura de cautela e estudam retaliações após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar neste sábado (21) que vai aumentar a tarifa global de 10%, anunciada um dia antes, para 15%.A União Europeia convocou uma reunião de emergência para segunda-feira (23) para analisar o impacto da decisão e o futuro do acordo comercial com os EUA. O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que o bloco busca “clareza sobre os passos” que Washington pretende tomar e defende a “estabilidade e previsibilidade” nas relações.O chanceler alemão, Friedrich Merz, anunciou que coordenará uma resposta conjunta com aliados europeus antes da visita que fará a Trump. “Teremos um posicionamento muito claro sobre isso, porque a política alfandegária é uma questão da União Europeia, não dos Estados-Membros individualmente”, disse ele à emissora “ARD”.Leia também: Pedidos de reembolso de tarifas nos EUA passam de 1 mil; veja como é o processoO ministro do comércio da França, Nicolas Forissier, declarou que a UE possui instrumentos para responder, citando um mecanismo “anticoerção” que permite controles de exportação e tarifas sobre serviços de empresas americanas. Além disso, a UE mantém um pacote suspenso de tarifas retaliatórias sobre mais de US$ 95 bilhões em produtos dos EUA que pode ser acionado.Ao jornal Financial Times, ele disse: “Não podemos mais ser ingênuos. Temos que usar nossas ferramentas e não apenas falar sobre elas. Não queremos ser dependentes. Não queremos ser reféns”.Antes de Forissier, o presidente Emmanuel Macron afirmou que estudaria as consequências da nova tarifa global, pois o país deseja continuar suas exportações para território americano, incluindo produtos agrícolas, de luxo, de moda e aeronáuticos. Macron falou antes de Trump elevar as tarifas de 10% para 15%.Sobre a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, considerou ilegais as tarifas de Trump nesta sexta (20), Macron disse durante um evento com o setor agrícola do país: “Não é ruim ter uma Suprema Corte e, portanto, o Estado de Direito. É bom ter poder e contrapesos ao poder nas democracias”.O governo britânico, um dos principais aliados de Trump, indicou que espera manter sua posição comercial privilegiada, mas William Bain, chefe da Câmara de Comércio Britânica (BCC), alertou que a decisão “pouco contribuiu para esclarecer as águas turvas. Para o Reino Unido, a prioridade continua sendo a redução das tarifas sempre que possível”, disse ele à Reuters.Leia também: Queda do “tarifaço”: o que esperar para a inflação nos EUA e o câmbio no Brasil?Canadá e MéxicoNa América do Norte, os vizinhos e Trump pregaram cautela. Embora o Canadá tenha sido isento da nova tarifa devido a um acordo com os EUA, Dominic LeBlanc, ministro responsável pelas relações comerciais com os americanos, afirmou no X que a decisão da Suprema Corte “reforça a posição do Canadá de que as tarifas impostas pelos EUA são injustificadas”. Ele disse também que continuará apoiando às empresas do país que ainda enfrentam taxas sobre aço, alumínio e setor automotivo.A presidente Claudia Sheinbaum também recebeu as tarifas com cuidado. “Analisaremos cuidadosamente a resolução e teremos prazer em dar nossa opinião”, afirmou. Já o ministro da Economia, Marcelo Ebrard, pediu “prudência”, lembrando que mais de 85% das exportações mexicanas para os EUA não estão sujeitas a tarifas.ÁsiaO Japão indicou que manterá os termos do acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado, mesmo com a possibilidade de um regime global de tarifas mais baixas — a cúpula programada para o próximo mês em Washington entre a primeira-ministra Sanae Takaichi e o presidente Donald Trump está mantida.O acordo vigente inclui um compromisso de investimento de US$ 550 bilhões em projetos de financiamento para a reindustrialização dos EUA.Na Coreia do Sul, o governo se manifestou antes de Trump restaurar o tarifaço. Por lá o governo declarou que a decisão da Suprema Corte anulava a taxa “recíproca” de 15% sobre seus produtos, mas ressaltou que tarifas sobre automóveis e aço permanecem vigentes sob outras legislações.Taiwan avalia que a nova tarifa anunciada por Donald Trump terá um “impacto limitado” em sua economia, segundo análise preliminar. O território abriga a TSMC, principal fabricante de chips do mundo.Em comunicado divulgado neste sábado, o país afirmou que continuará a “monitorar de perto” os desdobramentos e manterá “comunicação estreita” com o governo americano para entender as novas medidas e responder com velocidade.Na Indonésia, que finalizou um acordo comercial com os EUA nesta semana, o ministério da economia afirmou que está “acompanhando os últimos desenvolvimentos”.The post Líderes globais reagem com cautela e estudam retaliações a novas tarifas de Trump appeared first on InfoMoney.

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