A Liqi, empresa brasileira de infraestrutura em blockchain para o mercado de capitais, está dobrando a aposta no crescimento desse segmento com a BRLD, uma nova stablecoin pareada ao real voltada para operações de tokenização e empresas de tesouraria de Bitcoin (BTC).A iniciativa ocorre em um momento de avanço regulatório no Brasil, às vésperas da entrada em vigor das novas regras do Banco Central para empresas de ativos virtuais. A BRLD, diz a empresa, foi estruturada para operar com lastro integral em títulos públicos federais, com separação entre as funções de governança, custódia do lastro e emissão do token.“Estamos lançando a BRLD para resolver dores concretas do mercado, principalmente liquidação e operações financeiras tokenizadas, além de um segundo pilar muito forte de tesouraria corporativa. É infraestrutura institucional: feita para empresas e instituições que precisam de previsibilidade, controle e rastreabilidade”, afirma Daniel Coquieri, CEO da Liqi.No uso corporativo, a stablecoin é direcionada a empresas que buscam centralizar a gestão de caixa, operar fora do horário bancário e reduzir processos manuais relacionados a aplicações, resgates e conciliações. A Liqi afirma que a BRLD pode ser utilizada como instrumento de curto prazo, com liquidez diária, sem posicioná-la como produto de investimento para o varejo.No mercado de capitais, a BRLD funcionará como moeda de liquidação em operações estruturadas e tokenizadas, incluindo pagamentos de juros, amortizações, distribuições a investidores e outros eventos contratuais. Os fluxos financeiros podem ser programados por meio de contratos inteligentes, permitindo que os recursos sejam utilizados apenas para finalidades previamente definidas, com trilha de auditoria associada.A stablecoin se apoia na infraestrutura já desenvolvida pela Liqi para tokenização de ativos. Em 2025, o protocolo TIDC, utilizado pela empresa, movimentou mais de R$ 1 bilhão em operações e passou a gerir mais de 900 mil recebíveis em blockchain. No lançamento da BRLD, mais de 75 empresas parceiras já utilizam soluções da companhia. A Liqi também fornece infraestrutura para a Méliuz (CASH3), uma das empresas da B3 que que adotou o Bitcoin como ativo de tesouraria, ao lado da OrangeBTC.A empresa afirma que, nesta fase, não pretende direcionar o ativo a pagamentos internacionais nem à negociação ampla em exchanges, mantendo o foco em aplicações institucionais. A expectativa é atingir R$ 5 bilhões transacionados com a stablecoin em 2026. Do ponto de vista tecnológico, a stablecoin foi desenvolvida para operar em redes compatíveis com EVM, tecnologia do Ethereum (ETH), e também poderá ser utilizada na XDC Network, blockchain voltada a aplicações institucionais com a qual a Liqi selou um acordo no ano passado para emitir até US$ 500 milhões em ativos.The post Liqi entra no mercado de stablecoins, com foco em tokenização e tesouraria appeared first on InfoMoney.
