O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exonerou, nesta sexta-feira (27), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), para que ele reassuma temporariamente seu mandato no Senado e participe da votação final da CPI do INSS. A medida foi formalizada em edição extra do Diário Oficial da União e ocorre às vésperas da deliberação sobre o relatório que pede o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.A movimentação integra a estratégia do governo para reforçar sua base na comissão em um momento decisivo dos trabalhos. Nos últimos dias, partidos aliados e do Centrão promoveram uma série de substituições no colegiado para tentar assegurar maioria e barrar o parecer do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), considerado adverso ao Palácio do Planalto.Leia tambémRelator pede indiciamento de senador por suspeita de atuação na fraude do INSSParlamentar é citado em relatório por suposta relação com ‘Careca do INSS’ e por indicação de ex-diretor do órgão; defesa nega irregularidadesRelatório da CPMI do INSS pede o indiciamento e prisão de LulinhaTexto cita filho de Lula entre indiciados e deve enfrentar resistência da base governistaA volta de Fávaro ao Senado impacta diretamente a composição da CPI. A senadora Margareth Buzetti (PP-MT), que ocupava a vaga como suplente e vinha participando das sessões desde o início do dia, deixa o posto na comissão com a mudança. A substituição gerou reação imediata da parlamentar, que criticou a articulação.— Isso é lamentável, muito mesmo. Muito obrigada a todos, respeito a todos que estão aqui, mas eu acho que Deus… Tenho certeza do medo que quem sentou aí nessa cadeira não foi nenhum santo. Eu sou empresária há mais de 41 anos, sei da dificuldade que é ter um negócio e ter lucro para vir aqui os caras com bilhões… E acho que não podem escapar. Com um STF totalmente político… lamento, lamento público. Acho que o STF está envergonhando a Justiça do Brasil — afirmou.A ofensiva do governo ocorre em meio a uma disputa aberta com a oposição pelo controle do relatório final da CPI. Embora aliados do Planalto afirmem ter maioria para rejeitar o texto de Gaspar e aprovar uma versão alternativa, o placar ainda é tratado como provável, com risco de mudanças de última hora.A tensão foi ampliada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que barrou a prorrogação da CPI, impondo prazo final para encerramento dos trabalhos. Com isso, a votação do relatório se tornou o ato derradeiro da comissão, elevando o grau de mobilização política em torno do resultado.Nos bastidores, integrantes da CPI avaliam que as trocas promovidas ao longo da semana — tanto na Câmara quanto no Senado — redesenharam a correlação de forças no colegiado. A substituição de parlamentares considerados independentes ou alinhados à oposição por nomes mais próximos ao governo foi vista como peça-chave na estratégia para influenciar o desfecho.O relatório de Gaspar propõe o indiciamento de mais de duas centenas de pessoas e atribui a Lulinha participação em um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos e crédito consignado no INSS. A base governista, por sua vez, sustenta que o texto tem viés político e prepara um voto em separado que busca reorientar as conclusões da CPI.Instalada em agosto do ano passado, a comissão chega ao fim marcada por embates entre governo e oposição, disputas de narrativa e intervenção do Judiciário. A exoneração de Fávaro para reforçar a votação no Senado sintetiza o grau de mobilização em torno do relatório e a centralidade política que a CPI assumiu no cenário pré-eleitoral.The post Lula exonera Fávaro para voltar ao Senado e votar contra relatório da CPI do INSS appeared first on InfoMoney.
