A corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos de imprevisibilidade inédita no período recente. Diferentemente das eleições de 2018 e 2022, marcadas por eixos mais definidos ao longo do tempo, o próximo ciclo deve ser guiado por choques sucessivos capazes de alterar o rumo da disputa em questão de dias.A avaliação foi feita por analistas no programa Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ao apontarem uma mudança estrutural na dinâmica eleitoral brasileira. “Em 2026, a cada par de dias a tendência principal da eleição muda”, afirmou Creomar de Sousa, CEO da Dharma e professor da Fundação Dom Cabral.Nos ciclos anteriores, havia uma espécie de eixo dominante que organizava o debate. Em 2018, a rejeição ao sistema político deu o tom da eleição. Já em 2022, a disputa foi marcada por uma lógica de revisão e contenção de excessos percebidos no governo anterior.Para 2026, essa previsibilidade perde força. O cenário atual é de fragmentação de temas e de rápida substituição de agendas, o que dificulta a construção de narrativas duradouras por parte dos candidatos, analisou Creomar. A própria conjuntura recente ilustra essa dinâmica. Em poucos meses, o debate público transitou entre temas como segurança pública, crises institucionais e, mais recentemente, o impacto econômico da alta do petróleo provocada por tensões internacionais.Eventos externos ganham pesoA influência de fatores externos também deve ser mais determinante. A escalada do conflito no Oriente Médio, por exemplo, já impacta diretamente o preço do petróleo e, consequentemente, a inflação e o custo de vida no Brasil, temas com forte peso eleitoral.Esse tipo de choque tende a embaralhar o cenário e reduzir a capacidade de antecipação tanto de analistas quanto de campanhas. Em vez de uma disputa linear, o que se desenha é um processo mais reativo, sujeito a mudanças rápidas de direção.Segundo o analista, para os candidatos, a volatilidade impõe um desafio adicional. Adaptar rapidamente discurso e estratégia a um ambiente em constante transformação. A necessidade de responder a novos fatos pode reduzir o espaço para planejamento de longo prazo e favorecer movimentos mais táticos.Ao mesmo tempo, a dinâmica amplia o peso da percepção do eleitor, que passa a reagir mais intensamente a eventos recentes do que a tendências consolidadas.Incerteza entra no preçoDo ponto de vista do mercado, esse cenário reforça a dificuldade de precificar o risco político. A ausência de um eixo dominante e a frequência de choques aumentam a incerteza sobre o desfecho eleitoral e seus impactos econômicos.Mais do que antecipar vencedores, investidores passam a monitorar eventos e gatilhos capazes de alterar rapidamente o equilíbrio da disputa.Nesse ambiente, a eleição de 2026 tende a ser menos sobre tendências estruturais e mais sobre a capacidade de reagir a uma sequência de eventos que, cada vez mais, escapam ao controle dos próprios candidatos.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Mapa de Risco: Eleição será guiada por choques e pode mudar de rumo em dias appeared first on InfoMoney.
